




















 Prisioneira do amor
  Naked in his arms
  Sandra Marton
  Irmos Knight 3



    O ex-agente das Foras Especiais Alexander Knight  chamado para uma ltima misso perigosa... Seqestrar e proteger a bela e sagaz Cara Prescott a mando do
Governo.
    A nica alternativa  escond-la em sua extica ilha particular, onde mant-la cativa leva a dias quentes e erticos, e noites de intensa paixo. Mas ser Alex 
capaz de no mago-la quando ele mesmo no tem a menor idia do grande perigo que os ameaa?
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    PRLOGO
    
    Ele era um homem forte, de corpo rgido, l,93m, e estava irritado.
    O cabelo era negro, os olhos verdes, da cor do mar. As mas do rosto eram proeminentes, herana da me, uma mestia da tribo indgena Comanche. O queixo era 
firme, igual ao do pai texano.
    Naquela noite, a elegante selvageria que herdara do povo de sua me corria quente no sangue do rapaz.
    O jovem estava em uma sala onde a escurido era quebrada por faixas de luar cor de marfim. Sombras se escondiam nos cantos. O barulho do vento l fora provocava 
uma sensao de desassossego.
    O sono inquieto da mulher que dormia na enorme cama de dossel era uma manifestao disso. Estava sozinha a mulher a quem pensara amar. Essa mulher a quem conhecia 
intimamente.
    O perfume delicado, um aroma de flor-de-lis na primavera. O brilho sedoso do cabelo com mechas douradas, contra a pele. O sabor dos seios, quentes e doces em 
sua boca. O queixo dele se enrijeceu. Oh, sim. Ele a conhecia. Ao menos, era o que pensava.
    Longos momentos se passaram. A mulher murmurava durante o sono e sacudia a cabea, inquieta. Ser que sonhava com ele, como quanto o fizera de tolo?
    Mais uma razo para ter ido l naquela noite. Alex sentia. E a sensao de algo chegando ao fim era o que ele teria quando tomasse aquela mulher naquela cama, 
pela ltima vez. Quando a tomasse, sabendo quem era, que o usara e que tudo o que compartilharam tinha sido uma mentira.
    Ele a acordaria do sonho. Depois, iria despi-la, prender-lhe as mos acima da cabea e certificar-se de que ela o fitaria enquanto a tomava. Queria que Cara 
pudesse ver que aquilo no significava nada para ele, que o sexo era apenas um alvio fsico e nada mais.
    Alex tivera dzias de mulheres antes dela e teria outras dzias depois. Nada com relao a ela, ou o que fizeram um nos braos do outro, era memorvel. Sabia 
disso. Agora, precisava ter certeza de que ela tambm sabia.
    Ele abaixou a cabea. Em seguida, agarrou a ponta da colcha e a descobriu. Ela usava uma camisola, provavelmente, de seda. Gostava de seda, assim como Alex gostava 
de sentir o tecido sob os dedos, da forma como deslizara pela pele dela todas as vezes em que fizeram amor.
    Alex a olhou. Ela era linda. No podia negar. Tinha um corpo magnfico: esguio, maduro, feito para o sexo. Atravs da seda, o rapaz pde ver o formato dos seios, 
redondos como mas, que reagiam ao toque masculino. Bastava Alex abaixar a cabea, tocar a pele delicada com a lngua para que ela emitisse um gemido de prazer.
    O olhar desviou-se at a sombra da feminilidade dela, uma sombra escura visvel atravs da camisola de seda. Alex lembrou-se dos gemidos que ela dava quando 
acariciada e beijada intimamente, quando arqueava o corpo e soluava seu nome.
    Tudo mentira. Nenhuma surpresa. Era uma mulher que gostava de livros e do mundo de fantasia ali apresentados. Mas Alex era um guerreiro, sua sobrevivncia se 
baseava na realidade. Como poderia ter se esquecido disso? Como era possvel ficar to excitado s de v-la? O fato de saber que ainda a queria o deixava com raiva.
    Alex disse a si mesmo que era normal, pura biologia. A parte A se encaixava na parte B, e a parte A tinha uma mente prpria. E, talvez, fosse esse o motivo para 
que tivesse que fazer isso. Um ltimo encontro, naquela cama. Uma ltima vez para sabore-la, mergulhar por entre aquelas pernas sedosas. E, assim, acabar com a 
ira que guardava dentro de si.
    Agora, Alex pensava, e acariciou-lhe os seios, dizendo:
    - Cara.
    A voz estava tensa. Ela lamuriava-se durante o sono, mas no acordou. Alex voltou a cham-la, tocou-a de novo. Ento, ela abriu os olhos. O rapaz viu quando 
Cara o fitou, aterrorizada.
    Antes que ela pudesse gritar, Alex tirou a mscara preta e deixou que Cara visse o seu rosto.
    - Alex? - sussurrou Cara.
    - Aquele que sempre aparece quando no  bem-vindo.
    - Como entrou?
    - Acha que um sistema de segurana pode me manter afastado?
    Pela primeira vez, Cara percebeu que estava quase nua. Ela ruborizou-se; tentou cobrir-se com a colcha, mas Alex balanou a cabea.
    - No vai precisar disso.
    - Sei que est irritado...
    -  isso o que pensa? - Os lbios de Alex se curvaram em um sorriso que amedrontava todos aqueles com os quais lidara no passado, durante o perodo que agora 
considerava como sua outra vida.
    - Tire essa camisola - disse ele.
    - No! Alex, por favor! Voc no pode...
    O rapaz abaixou a cabea e a beijou, apesar de sua relutncia. Ento, puxou o decote da frgil camisola e a arrancou.
    - Est errada. Posso fazer qualquer coisa esta noite, Cara. E juro que vou fazer.
    
    
    CAPTULO UM
    
    Ningum nunca perguntou a Alexander Knight se um homem podia sentir-se mal por causa da ansiedade. Porm, se algum a tivesse feito, ele teria dado uma risada.
    E por que lhe fazer essa pergunta? Ansiedade no era uma palavra que fizesse parte do vocabulrio dele. Sabia o que significava ficar tenso, o sangue pulsando. 
A sensao de algo prestes a acontecer fizera parte da vida dele por um longo tempo. Era impossvel passar anos nas Foras Especiais e, depois, em operaes secretas 
sem experimentar momentos de estresse. Porm, isso no era a mesma coisa. Por que um homem ficaria ansioso quando tinha treinado a si mesmo para encarar o perigo?
    Alex estacionou o BMW em uma vaga atrs do prdio no qual ele no ia havia trs anos. No vira, no pensara... Que inferno, isso era mentira. Em muitos sonhos, 
acordara com o corao acelerado, suado os lenis emaranhados.
    Antes mesmo de fundarem uma empresa chamada Especialistas em Gerenciamento de Risco, Alex e os irmos concordaram que no haveria nada que os fizesse atravessar 
novamente aquelas portas de vidro fume.
    - Eu no - jurou Matt.
    - Nem eu - acrescentou Cam.
    E Alex dissera, "Que droga!". A mandbula se contraiu. Tantas promessas. Era novembro na capital federal, o cu estava escuro e fazia frio, e ele passava por 
aquelas portas malditas, caminhando para o balco da segurana.
    O pior  que tudo aquilo parecia muito familiar, como se ele nunca tivesse ido embora. Alex procurou pelo carto de identificao em um dos bolsos. Mas, claro, 
no havia nenhum carto, apenas a carta que motivara a sua ida.
    Alex se identificou para o guarda que, primeiro, checou o nome em uma lista na prpria prancheta; depois, no monitor do computador.
    - Siga adiante, por favor, senhor Knight.
    Ele atravessou o porto de segurana. Barreira um, pensou, enquanto era revistado eletronicamente. Era a ltima chance de virar-se e ir embora.
    Um segundo guarda lhe entregou um crach de identificao de visitante e disse:
    - Os elevadores ficam adiante, senhor.
    Alex sabia muito bem onde ficavam os malditos elevadores. Depois que entrou e apertou o boto, ele sabia que seriam necessrios apenas dois segundos para que 
as portas se fechassem e sete segundos para chegar ao dcimo sexto andar.
    Tambm sabia que saltaria em um corredor que parecia comum a qualquer edifcio empresarial. Exceto pelo fato de o teto estar repleto de lasers, s Deus sabia 
do que mais, e tudo o checava da cabea aos ps. Alex tambm sabia que a porta preta com a placa "Apenas Entrada Autorizada" se abriria depois que tocasse com um 
dos polegares em um painel e olhasse para a frente de forma que outro laser pudesse examinar-lhe a retina e constatar que ele realmente era Alexander Knight, espio.
    Ex-espio, lembrou a si mesmo. Ainda assim, pressionou um dos polegares no painel, apenas para ver o que aconteceria. Para surpresa dele, aquele gesto ativou 
o exame de retina e, alguns segundos depois, a porta preta se abriu exatamente como fazia tempos atrs.
    Nada mudara, nem mesmo a mulher usando um terninho cinza escuro e sentada atrs de uma mesa em frente  porta. Ela se levantou como fizera centenas de vezes 
no passado.
    - O diretor est  sua espera, senhor Knight. 
    Nem um "Ol", "Como tem passado?". Somente o mesmo cumprimento rude que sempre dera quando Alex ia l entre uma misso e outra.
    Alex a seguiu por um longo corredor at outra porta fechada. Essa, entretanto, abriu-se com o giro da maaneta, revelando um amplo escritrio com janelas a prova 
de balas.
    O homem  mesa ergueu o olhar, sorriu e se levantou. Era a nica mudana naquele lugar. O diretor para quem Alex trabalhara tinha ido embora. O assistente o 
substitura. O nome do novo diretor era Shaw, e Alex nunca gostou dele.
    - Alex, bom v-lo de novo - disse Shaw.
    - Bom v-lo tambm - retrucou Alex.
    - Sente-se, por favor. Sinta-se  vontade. J tomou o caf-da-manh? Gostaria de um pouco de caf ou ch?
    - Nada, obrigado.
    O diretor recostou-se na cadeira giratria e cruzou as mos.
    - Soube que voc anda muito bem. Alex acenou com a cabea, concordando.
    - Essa sua empresa, Especialistas em Gerenciamento de Risco...  esse o nome? Ouo coisas excelentes sobre o trabalho que voc e os seus irmos fazem. Parabns 
para todos ns, eu acho.  bom saber que as tcnicas que aprenderam aqui no foram desperdiadas.
    - Nada do que aprendemos aqui foi desperdiado. Sempre nos lembraremos de tudo.
    - Espero que se lembrem da promessa que fizeram quando se juntaram ao Servio Secreto: honrar, defender e servir a nao de vocs.
    - Honrar e defender - respondeu Alex, friamente. Para o inferno com aquelas brincadeiras falsas. Era hora de ir direto ao ponto, ao que importava. - Sim. Eu 
lembro. Talvez voc se lembre que a interpretao daquela promessa do Servio Secreto foi a razo bsica pela qual meus irmos e eu nos demitimos.
    - Um ataque de conscincia de um colegial, mal orientado e posicionado no lugar errado - retrucou o diretor.
    - J ouvi esse sermo. Entender por qu no estou interessado em ouvi-lo de novo. Se foi por isso que me pediu para vir...
    - Pedi que viesse porque preciso que sirva ao seu pas mais uma vez.
    - No - disse Alex e levantou-se.
    - Alex... - O diretor respirou fundo e continuou:
    - Sente-se. Ao menos escute o que tenho a dizer.
    Alex olhou para o homem que estivera no subcomando ali por mais de duas dcadas. Aps um momento, sem nenhuma expresso no rosto, ele voltou a sentar-se.
    - Obrigado - falou o diretor. Alex se perguntava o quanto custara a Shaw dizer aquela simples palavra.
    - Temos um problema.
    - Voc tem um problema - rebateu Alex.
    - Por favor... Nada de joguinhos com palavras. Deixe-me falar do meu jeito.
    Alex balanou os ombros. No tinha nada a perder porque, no importava o que o diretor dissesse, ele iria deixar aquele lugar em poucos minutos.
    - O FBI veio at mim por causa de uma situao delicada - explicou Shaw.
    Alex ergueu as sobrancelhas. O FBI e o Servio Secreto nem sabiam da existncia um do outro. No em pblico, no no Congresso, no em lugar nenhum que tivesse 
importncia.
    - O novo chefe do FBI  um velho conhecido e... como eu disse, surgiu uma situao.
    Silncio. Alex jurou a si mesmo que no seria ele quem o quebraria. Porm, a curiosidade era grande. E, afinal, isso no significava que se envolveria com o 
que quer que estivesse acontecendo ali.
    - Que situao?
    O diretor pigarreou e explicou:
    - O juramento de sigilo que fez quando se juntou a ns ainda deve ser cumprido.
    - Sei disso.
    - Assim espero.
    - Sugerir o contrrio  um insulto  minha honra, senhor.
    - Certo, vamos deixar as tolices de lado. Voc era um dos nossos melhores agentes. Agora, precisamos da sua ajuda de novo.
    - Repito: no estou interessado.
    - J ouviu falar da famlia Gennaro?
    - Sim.
    Todos os envolvidos com o cumprimento da lei j tinham ouvido falar dos Gennaro. Era uma famlia envolvida com drogas, prostituio e jogo ilegal.
    - E sabe sobre a acusao contra Anthony Gennaro?
    Alex acenou com a cabea, concordando. Alguns meses antes, um promotor pblico federal em Manhattan indiciou o chefe da famlia. Acusaes diversas, incluindo 
homicdio. Se condenado, Tony Gennaro passaria a viver na priso, e o poder da famlia terminaria.
    - Os federais me disseram que tm um caso excelente. Escutas telefnicas, arquivos digitais. Mas o trunfo escondido  uma testemunha.
    - No vejo o que isso tem a ver comigo.
    - A testemunha no tem cooperado. No incio, concordou em ajudar. No entanto, depois, recusou-se. Agora, o Departamento de Justia no tem certeza quanto ao 
que vai acontecer em seguida. Por fim, a testemunha aceitou cooperar...
    - Sob presso.
    - A testemunha concordou em cooperar, mas...
    - Mas os Gennaro podem peg-la primeiro.
    - Sim. Ou a testemunha pode decidir no prestar depoimento.
    - De novo.
    - Isso mesmo.
    - Ainda no vejo...
    - O procurador-geral e eu nos conhecemos h muito tempo. Ele acha que os mtodos usuais de proteo  testemunha no vo funcionar nessa situao em particular. 
E eu concordo.
    - Voc quer dizer que ele no est interessado em colocar essa testemunha em um quarto de hotel barato, em Manhattan, e aumentar o oramento com um segurana 
de planto 24 horas por dia? Nem em contar com a equipe do hotel para no falar sobre o convidado de honra ou vender a informao para quem pagar mais? Talvez tenham 
aprendido alguma coisa enquanto estive afastado.
    - O que eles precisam... O que ns precisamos...  de um agente com experincia. Um homem que j tenha estado na linha do fogo, que conhea o suficiente para 
no acreditar em ningum. E que no tenha medo de fazer o que for preciso, no importando o que seja, para manter essa testemunha em segurana.
    Alex se levantou e disse:
    - Voc est certo.  exatamente o tipo de homem do qual precisa, mas no serei eu.
    O diretor se levantou tambm e retrucou:
    - Analisei bastante a questo. Voc  o homem certo, o nico, para essa tarefa.
    - No.
    - Por favor, voc jurou lealdade ao seu pas!
    - Que parte do "no" voc no entendeu, Shaw? - Ningum nunca usava o nome do diretor. Ao chegar  porta, Alex acrescentou:
    - Eu diria que foi bom rev-lo. Mas por que mentir?
    - Nunca vo conseguir uma condenao sem a sua ajuda!
    Alex abriu a porta.
    - Vo matar a testemunha! Quer esse peso na sua conscincia?
    - Minha conscincia nem vai notar. Deveria saber disso.
    - Knight! Volte aqui...
    Ele bateu a porta e foi embora.
    Alex dirigiu o BMW de volta ao aeroporto, deixou-o no lugar onde o alugara e comprou uma passagem para o vo da ponte area para Nova York. Qualquer coisa era 
melhor do que mais algumas horas respirando o ar de uma cidade onde os polticos beijavam bebs enquanto os servios secretos, que financiavam, tomavam como base 
histrias de mortes premeditadas por homens de olhar frio que viviam nas sombras. Sabia que esse procedimento acontecia em qualquer outro governo no planeta, mas 
isso no fazia com que fosse mais fcil aceitar o fato.
    Ele ainda tinha que esperar quase uma hora. Ento, foi para o saguo da primeira classe. O assistente serviu-lhe um bourbon duplo. A morena sentada em frente 
a Alex levantou o olhar, antes preso  leitura da revista Vanity Fair. Depois, abaixou os olhos. E voltou a olhar.
    Ela abriu um largo sorriso. E, de algum modo, a saia curta do tailleur Armani diminuiu alguns centmetros. Tudo bem. A moa tinha pernas maravilhosas.
    Pensando melhor, tudo era esplndido. Quando ela sorriu pela segunda vez, Alex pegou o drinque, cruzou o saguo e sentou-se na cadeira ao seu lado.
    Pouco depois, Alex sabia muita coisa sobre ela. Na verdade, sabia tudo o que um homem precisava saber, incluindo o fato de que morava em Austin, no muito longe 
de Dlias.
    Aquela moa era interessante. Mas, de repente, Alex percebeu que no sorria mais. Talvez tenha sido o encontro com o diretor, ou o fato de estar de volta  capital 
federal. Isso remexeu em muitas lembranas, a maioria indesejveis, inclusive sobre o jovem inocente que tinha sido quando fizera o juramento ao Servio Secreto.
    Ningum lhe dissera que palavras como "servir" e "honra" pudessem ser deturpadas, roubando a alma de um homem. A obrigao dele perante o Servio Secreto terminara 
no dia em que se demitira. Alm do mais, de acordo com o que Shaw dissera, isso no tinha nada a ver com defender e servir o pas. E sim com um crime familiar e 
uma testemunha cuja vida corria perigo.
    A morena se aproximou, disse algo e sorriu. Alex no ouviu uma palavra do que ela disse, mas retribuiu o sorriso.
    Shaw no era dado a hiprboles. S as usava quando queria. Alex deveria ter escutado Matt e Cam. Jantaram juntos na casa do pai. O relacionamento dos filhos 
com o velho homem tinha mudado. No era perfeito, mas muito melhor que na poca da infncia e da adolescncia dos trs. Para que isso acontecesse, foi preciso Cam 
quase morrer e Matt entrar em uma guerra particular.
    As cunhadas tinham se apressado em ir  cozinha para pegar o caf e a sobremesa. Alex e os irmos fizeram piadas por um tempo, at que o pai se juntou a eles. 
Ento, casualmente, Alex comentou que o diretor pedira para v-lo.
    - Ele quer que eu esteja l amanh.
    - Deve ter perdido o juzo, pensando que voc vai - disse Matt.
    - Voc disse a Shaw o que ele podia fazer com esse pedido, certo? - perguntou Cam.
    - Tenho que admitir, estou curioso - confessou Alex.
    - Para o inferno com a curiosidade. O que quer que seja que Shaw queira, pode apostar que no  nada bom - disse Matt.
    Mais tarde, o pai o chamou. O velho homem estivera to quieto durante a conversa que Alex quase se esquecera que ele estava ali.
    - Nunca falou sobre o tempo em que trabalhou no Servio Secreto, o que me faz suspeitar que no era agradvel. Mas deve ter acreditado nisso pelo menos uma vez, 
filho, ou jamais teria jurado fazer parte da organizao - comentou Avery.
    Era verdade. Alex acreditara no Servio Secreto, no juramento para servir e respeitar a nao, o povo... Uma promessa era uma promessa. Alex estava de p antes 
que pudesse se lembrar da morena. Que inferno! Ele a esquecera completamente. O sorriso da moa o fez estremecer.
    - Desculpe-me. Mudei de planos. Vou ficar no distrito federal. Negcios, entende? - disse Alex.
    Olhou-o surpresa, mas logo se recuperou. Ento, procurou algo na bolsa e lhe entregou um pequeno carto, dizendo:
    - Ligue-me quando tiver uma oportunidade. 
    Ele sorriu, concordando. Porm, sabia que no telefonaria.
    Alex estacionou na mesma vaga. Entrou pelas mesmas portas de vidro fume, passou pelo mesmo porto de segurana. Subiu no mesmo elevador. Pressionou um dos polegares 
sobre o mesmo painel, teve os olhos examinados pela mesma mquina.
    Se a secretria de Shaw estava surpresa em v-lo, no demonstrou. Apenas disse:
    - Sente-se, senhor Knight - e saiu apressada pelo corredor.
    Alguns segundos depois, Alex estava no escritrio do diretor. Sorrindo, Shaw levantou-se, saindo de trs da mesa, e estendeu uma das mos para cumpriment-lo. 
Alex o ignorou.
    - Vamos deixar uma coisa clara. Eu fao isso, e voc nunca mais entra em contato comigo. E trabalho sozinho.
    - Sei que prefere assim, mas...
    - Trabalho sozinho, ou no fao nada. E quero carta branca. Farei o que for preciso para garantir a segurana dessa testemunha sem interferncia, sua ou de qualquer 
outra pessoa.
    - Combinado.
    - Me conte o bsico.
    - A testemunha vive em Nova York.
    -  casada? Solteira? Quantos anos ele tem?
    -  mulher. Solteira. Vinte e poucos anos. 
    Uma mulher. Isso complicava as coisas. Era mais difcil lidar com mulheres. Eram mais emotivas, suscetveis a mudanas hormonais...
    - Qual a ligao da testemunha com os Gennaro?
    - Era amante de Tony.
    No era de se admirar que a moa fosse importante para os federais. E hostil. Ela devia saber muito, inclusive o quo perverso Tony Gennaro podia ser.
    O diretor entregou a Alex um envelope e falou:
    -  tudo o que temos.
    Alex tirou uma foto de dentro do envelope. Gennaro tinha bom gosto com relao a mulheres.
    - O nome dela  Cara Prescott. Vivia com Gennaro at pouco tempo atrs. Trabalhava para ele - explicou Shaw.
    Virou a foto. Todos os detalhes estavam ali: nome, data de nascimento, o ltimo endereo. Cabelo: castanho. Olhos: castanhos. E, ainda assim, a foto lhe dizia 
que as palavras no tinham sentido.
    O cabelo de Cara Prescott seria da cor de castanhas maduras. Os olhos em tom dourado e a boca rosada. Poder-se-ia dizer que a aparncia dela era delicada, at 
frgil. Alex ergueu o olhar. Shaw o fitava com um sorriso.
    - Bela mulher, no acha?
    - Voc falou que a senhorita Prescott era amante de Gennaro. Agora, diz que ela trabalhava para ele. Qual das duas coisas?
    - Ambas. Gennaro acabou se interessando por Cara.
    - E, agora, a senhorita Prescott vai testemunhar contra Gennaro? Por qu?
    - Porque  uma obrigao cvica.
    - Por que ela concordou em testemunhar?
    - Talvez a idia de ser presa no a agrade.
    - Uma priso federal no  como um dia no parque. Porm, isso  mais seguro do que trair a famlia Gennaro.
    - Talvez algum tenha lhe dito que ela pode ser acusada de um delito grave, a menos que coopere.
    - A senhorita Prescott cometeu algum delito grave?
    - Tudo  possvel. Sabe muito bem disso.
    - O que mais?
    - Devo ter atenuado a questo referente  hostilidade da testemunha.
    - O que quer dizer?
    - No se trata apenas de uma testemunha hostil. No quer aceitar a proteo do governo. Talvez recuse.
    - E se a senhorita Prescott fizer isso?
    - O seu trabalho  faz-la mudar de idia, de qualquer modo.
    Agora, Alex entendia o porqu do Servio Secreto ter sido convocado. Os federais no usariam subterfgio ou coero. Mas o Servio Secreto, sim.
    - Vamos aos detalhes. Voc viaja ao meio-dia para Nova York. Haver um carro no seu nome na agncia Hertz, e uma reserva no hotel Marriot...
    - Diga a sua secretria que no vou precisar de nada disso.
    - Acho que no entendeu. Essa operao  nossa.
    - Acho que voc no entendeu. Vou conduzir isso do meu jeito. No quero nada seu ou desse escritrio, at que eu precise pedir. Entendeu?
    - Sim, perfeitamente.
    Pela primeira vez, Alex sorriu e comentou:
    - Bom...
    Ento, virou-se e saiu.
    
    
    CAPTULO DOIS
    
    Quando o avio pousou no aeroporto de LaGuardia, Alex j pensara em um plano.
    Antes de se aproximar de Cara Prescott, queria observ-la. A ficha que Shaw lhe entregara no dizia muito sobre ela. Alex queria ver a ex-amante de Tonny Gennaro. 
Descobrir o que fazia no seu tempo livre, andar pelos lugares que ela freqentava. Ento, decidiria como agir.
    At pouco tempo, a senhorita Prescott vivera na manso de Gennaro, na costa norte de Long Island. Agora, morava em um apartamento na parte baixa de Manhattan. 
Shaw dissera que os federais a encontraram facilmente.
    Enquanto se dirigia ao balco da agncia de aluguel de carros, Alex pensava no que dissera: no queria interferncia nesse trabalho. Quando estivesse pronto, 
apresentar-se-ia  senhorita Prescott. "Apresentar-se" era uma boa maneira de colocar as coisas, pensou, enquanto entregava o carto de crdito ao atendente da loja 
de aluguel de carros. Presumindo que a senhorita fosse to hostil quanto Shaw afirmara, no seria um encontro muito educado. Porm, ele se preocuparia com isso apenas 
quando chegasse o momento.
    Alexander Knight foi embora de LaGuardia em um minifurgo preto. Parou em um shopping e comprou uma jaqueta de couro, uma camiseta, tnis e calas jeans. Tudo 
na cor preta. Em seguida, foi a uma loja de produtos para acampamento e comprou uma mochila, uma lanterna, uma garrafa trmica, binculos, um telescpio e uma cmera 
digital do tamanho da palma da mo. Nunca se sabe quando objetos como esses poderiam ser teis.
    Depois, Alex se hospedou em um hotel, vestiu as roupas pretas, arrumou o equipamento na mochila e deu um telefonema. Dentro de uma hora, um velho amigo providenciara 
uma pistola 9mm e um pente extra de balas. Alex colocou a arma na parte detrs do jeans e o pente de balas em uma das meias. E estava pronto como sempre.
     meia-noite, estacionou do outro lado da rua, em frente ao apartamento da senhorita Prescott. Alex observou o prdio a noite inteira. Ningum entrou ou saiu.
    s cinco da manh, Alex programou o despertador interno para dormir por meia hora. A semana que passou com um tio da me, chamado erroneamente de curandeiro 
pelos anglo-saxes, o ensinara a ir bem fundo dentro de si mesmo e, assim, conseguir repouso para a mente e o corpo.
    s cinco e meia, ele acordou renovado e terminou de beber o caf da garrafa trmica. s oito horas, Cara Prescott desceu as escadas do prdio. Usava um trench 
coat preto longo, um bon e culos escuros, apesar da manh cinzenta. Dava para ver que ela usava jeans e tnis.
    Tratava-se de uma tentativa de disfarce. Era o que Alex imaginava. O nome na caixa de correio, no saguo, era falso: C. Smith. E o nmero de telefone no constava 
na lista, o que fez com que ele levasse uma hora para consegui-lo.
    Alex a viu subir a rua. Deixou que caminhasse na frente. Depois, saiu do furgo e a seguiu. A senhorita Prescott parou na esquina em uma delicatssen coreana. 
Ento, saiu com uma xcara de caf em uma das mos. E, na outra, um pequeno saco de papel. Quando Cara voltou, vindo na direo dele, Alex ficou no vo de uma porta 
e esperou que passasse. Ento, seguiu-a novamente. Ela entrou no prdio onde morava. E Alex voltou para o veculo.
    As horas se arrastavam. O que ser que ela fazia l em cima? Se passasse tanto tempo trancada daquela forma, no enlouqueceria? s quatro e meia da tarde, ele 
teve a resposta.
    Cara Prescott desceu as escadas de novo, usando o mesmo trench coat, de bon e de culos escuros. Aparentemente, no vestia mais jeans. E os tnis deram lugar 
a sapatos pretos de salto baixo. Ela caminhou at a esquina, olhou para o sinal, atravessou a rua e continuou andando.
    Ele a seguiu. Vinte minutos mais tarde, Cara entrou em uma livraria. Um senhor de cabelos brancos a cumprimentou. Cara sorriu, tirou o trench coat, o bon e 
os culos escuros...
    Alex conteve a respirao. Cara estava vestida de forma recatada: suter, saia escura de comprimento nada excitante, sapatos baixos.
    Alex j sabia que a moa tinha o rosto angelical. Agora, sabia que Cara tinha um belo corpo. Nem mesmo cores escuras podiam esconder-lhe os seios; a cintura 
esguia e os quadris arredondados. As pernas eram longas. Alex logo pensou nelas se enrolando em sua cintura. O cabelo era uma tentao - cachos castanhos com pontas 
douradas presos na nuca.
    Um homem poderia solt-lo, mergulhar as mos naqueles cachos enquanto erguia o rosto perfeito para fit-lo. O corpo de Alex reagiu quele pensamento. Tony Gennaro 
podia ser um assassino frio, mas o patife tinha excelente gosto quando o assunto era mulheres.
    O senhor disse algo a Cara. Ela concordou, acenando, foi at a caixa registradora e a abriu. Aquela viso era quase to surpreendente quanto a de todas as suas 
curvas femininas.
    Ser que a ex-amante de Gennaro trabalhava em uma livraria? Ou estava desesperada por um emprego, ou era mais inteligente do que Alex pensara? Gennaro nunca 
pensaria em procur-la em um lugar como aquele.
    Alex olhou o relgio. Passava um pouco das cinco da tarde. O horrio de funcionamento da loja ia at as nove da noite. Excelente. Isso lhe dava quatro horas 
de intervalo, tempo mais do que suficiente para entrar no apartamento dela.
    Uma vez que fizesse isso, saberia lidar melhor com Cara Prescott. Tudo o que sabia por enquanto era que ela era atraente, astuta o suficiente para tentar se 
ocultar na cidade. Porm, tola e gananciosa o bastante para ter ido para a cama com um homem que mandava matar sem culpa.
    Entrar no apartamento de Cara foi muito fcil. Um carto de crdito por entre o batente e a fechadura fez o trabalho. Sinos tocaram acima da cabea dele, literalmente.
    Ela colocara uma srie de sinos por cima da porta. Alex os agarrou, silenciando-os e esperou. Nada aconteceu. Evidentemente, quem mais ocupasse o prdio aprendera 
uma regra bsica de sobrevivncia em Nova York. Se algo estranho acontecesse  noite, mas no fosse com voc, era melhor ignorar.
    Alex fechou a porta com cuidado. Cara podia ter outras armadilhas ali. Ele aguardou at que os olhos se ajustassem  escurido. Ento, pegou a lanterna, acendeu-a 
e vasculhou a rea.
    O apartamento era um cmodo enorme - sem paredes, apenas um espao aberto repleto de sombras. Havia uma minscula cozinha, um banheiro de um lado e uma pilha 
de caixas de papelo do outro. O que quer que fosse que esperasse de uma mulher que dormira com um assassino no estava ali. No havia mveis, apenas uma cama estreita, 
uma arca, algumas mesas pequenas e cadeiras que deviam ter vindo do Exrcito da Salvao.
    Alex percorreu o apartamento, remexendo gavetas sem desarrumar o contedo. Encontrou apenas o que a maioria das mulheres tm: suteres, jeans, lingerie de renda.
    Ele ficou excitado. H algum tempo estava sem encontros amorosos. Ser que estava to desesperado que s o fato de segurar uma lingerie, pensar em como uma mulher 
ficaria nela, era o suficiente para excit-lo?
    Qualquer homem com bastante dinheiro podia ter Cara Prescott. Uma mulher tinha o direito de fazer o que quisesse com o prprio corpo. Porm, se escolhia leilo-lo 
a quem pagasse mais, essa no era a que Alex Knight queria em sua cama.
    Ele observou o banheiro. A pia estava lascada e manchada. Acima, uma prateleira igualmente danificada continha pequenos frascos. Alex abriu um por acaso e o 
cheirou. Flor-de-lis? No era muito bom com flores e perfumes. Gostava de mulheres que cheirassem a mulher, principalmente quando excitadas e prontas para serem 
dele. Mas aquele perfume no era ruim.
    Havia um pequeno armrio entre o banheiro e a cozinha. Alex o abriu e vasculhou por entre saias, suteres e vestidos. Meia dzia de pares de sapatos estava no 
cho: os tnis da manh daquele dia, sapatos de salto baixo. Nenhum par de sapatos de salto alto e fino.
    Isso era ruim. As pernas da senhorita pareceriam sexy em sandlias de salto alto. Um daqueles sutis de renda, uma calcinha combinando, sandlias de salto alto, 
e o cabelo castanho revolto e cacheado por cima dos ombros, tudo faria...
    Alex franziu as sobrancelhas ao fechar a porta do armrio. Aquilo era pattico. Quem se importava como Cara ficaria vestida com quase nada? Ningum, exceto o 
ex-amante, e  que quer que fosse que atrasse Tony Gennaro nunca atrairia...
    Um clique. Alex empalideceu. Algum acabara de virar a chave na fechadura da porta da frente. Ele desligou a lanterna e procurou um lugar para se esconder. O 
armrio era uma idia. Apesar de estreito, era fundo. E no havia muita escolha.
    Alex entrou no armrio, mas no fechou a porta. Depois, pegou a arma, segurando-a perto de uma das coxas.
    A porta da frente se abriu. O tilintar do alarme de segurana improvisado por Cara Prescott avisou-o que tinha companhia. A dona da casa estava no trabalho. 
Os federais tinham sido afastados. S havia duas possibilidades. Ou a visita era a de um ladro sem sorte... Ou era a de um assassino a mando de Tony Gennaro.
    Cada vez que Cara abria a porta, pensava na desculpa lamentvel para aquela fechadura. J havia pedido ao sndico do prdio para troc-la e o homem acenara com 
a cabea, concordando. Porm, at ento, nada acontecera.
    Tudo bem. Ela resolveria aquilo sozinha. No dia seguinte, seria a primeira coisa que faria. Era seu dia de folga. Infelizmente, j era tarde demais para chamar 
um chaveiro.
    Meia hora atrs, o senhor Levine recebeu um telefonema. A irm estava doente, e ele teve que ir para New Jersey. Cara se ofereceu para manter a loja aberta. 
Porm, o senhor no concordou. Ela era nova demais, ainda no conhecia muito bem o sistema, disse ele.
    Cara sorriu ao trancar a porta, j do lado de dentro do apartamento. Sabia o suficiente para perceber que no havia nenhum sistema. Porm, no comentara nada. 
O senhor havia sido gentil ao contrat-la, apesar de ela ter admitido que no tinha experincia em vendas. Mesmo agora, preocupado com a irm, o senhor Levine lhe 
assegurara que no deixaria de pagar o seu salrio.
    - No  sua culpa se no vai trabalhar uma noite inteira, senhorita Smith. No se preocupe com nada - explicou o senhor.
    Por um segundo, Cara quase perguntou:
    - Quem?
    Ainda no se acostumara a ser Carol Smith. Cabelo preso, sem maquiagem, apenas uma jovem vivendo  prpria custa, em Nova York. A verdade era que ela no conhecia 
ningum chamado Smith. E Cara tinha a sensao de que o senhor Levine suspeitava disso. Ele pediu-lhe o carto da previdncia social. Ela prometera lev-lo, mas 
no fizera isso. E o senhor Levine nunca mais voltara a mencion-lo.
    - Tenho uma filha da sua idade. Mora na Inglaterra e gosto de pensar que as pessoas cuidam dela l - contou ao contratar Cara.
    Em outras palavras, era um homem idoso, solitrio, e Cara estava tirando vantagem dessa situao. Mas no pensaria nisso agora, estava fazendo o que era preciso 
para sobreviver.
    Anthony Gennaro a queria de volta. O FBI queria que ficasse sob custdia, presa para a sua prpria proteo. Tudo o que Cara desejava era que a sua vida voltasse 
ao normal. Isso significava no ver Gennaro de novo e tambm no testemunhar contra ele. No importava o que aquele homem fosse, no a prejudicara. Alm disso, como 
dissera aos agentes que a entrevistaram ao deixar a manso de Gennaro, ela no sabia de nada.
    Voc sabe, s no tem conscincia do que. Por isso, queremos que fique sob custdia. Podemos mant-la em segurana enquanto a ajudamos a lembrar-se.
    Como Cara se recusou, os agentes ficaram irritados. E lhe disseram que Gennaro nunca deixaria de procur-la. Tambm fizeram ameaas sobre mand-la para a priso.
    E ento ela decidiu desaparecer do hotel em Long Island no qual passara algumas noites. E a melhor forma de desaparecer no seria mudar-se para Manhattan, onde 
era possvel se perder em meio  multido?
    Cara encontrou um emprego e um lugar para viver. E estava segura at que acabasse o dinheiro que poupara, durante os meses em que passara catalogando a biblioteca 
na manso de Anthony Gennaro.
    Ela pegou uma das cadeiras da cozinha e a apoiou  porta, embaixo da maaneta. A cadeira e o tren de sinos que encontrara em um antiqurio na Nona Avenida no 
eram bem um sistema de alarme. Porm, no momento, eram tudo que possua. No dia seguinte, mandaria trocar a fechadura. Porm, ainda havia a clarabia... No queria 
pensar no quanto poderia custar para montar um alarme ali.
    - Olhe para cima, senhorita Smith. Viu? Voc tem uma clarabia real! - o corretor lhe dissera.
    O que tinha era uma forma de algum entrar ali pelo telhado. Contudo, no havia motivo para ser to paranica. O FBI queria que ela acreditasse que Anthony Gennaro 
a machucaria. Entretanto, Gennaro a queria de volta, viva, e no morta.
    Alm disso, com clarabia ou no, o aluguel era bom. Ento, Cara dissera sim, ficaria com o apartamento. E ali estava. E com relao  clarabia... Pediria sugestes 
ao serralheiro. Poderia tranc-la, torn-la impenetrvel e transformar aquele enorme espao vazio em uma priso.
    Bom treino, considerando que terminaria em uma cela de qualquer forma, segundo aqueles dois agentes do FBI. Ento, Cara disse para si:
    - Pare com isso.
    No tenha piedade de si mesma. Ia tomar um banho quente, demorado. Depois, esquentar um pouco de sopa e ler um livro antes de dormir.
    Cara tirou o trench coat, o bon e os culos escuros. Em seguida, o suter e a saia. Descalou-se e foi at o armrio, e ento lembrou-se que o roupo estava 
pendurado atrs da porta do banheiro.
    Apesar de pequeno e mal iluminado, o encanto do banheiro era o box com portas de vidro e torneiras nas laterais, alm da gua quente e abundante. Cara acendeu 
a luz, e soltou o cabelo. Ento, abriu a porta do box e a torneira. O vapor comeou a subir enevoando o vidro enquanto se despia e colocava as roupas no...
    O que foi aquilo? O corao dela acelerou. Algo se movia. Podia ouvir. Ps? Ser que algum invadira o apartamento? Ser que o agente do FBI estava certo? Ser 
que Anthony Gennaro mandaria os homens dele atrs dela?
    Um pequeno camundongo saiu de debaixo da pia e desapareceu porta afora. Cara riu. A imaginao dela transformara um camundongo em um monstro. Estava deixando 
o medo domin-la.
    No mais. Ainda assim... Sentiu um calafrio. Por um momento, teve certeza de que havia algum ali, observando, esperando... Isso era ridculo!
    Cara entrou no chuveiro e fechou a porta do box. A gua e o vapor seriam mgicos, fazendo com que o medo desaparecesse. No viera to longe para desmoronar naquele 
momento. Tudo o que importava era a prpria sobrevivncia.
    Decidida, pegou um vidro de xampu da prateleira, colocou um pouco na palma de uma das mos e comeou a lavar o cabelo.
    
    
    CAPTULO TRS
    
    Alex no respirou direito at ouvir a porta do banheiro se fechar. Aquela foi por pouco!
    O plano de Alex era saber mais sobre a ex-amante de Tony G. Certamente, no pretendia estender-lhe a mo, apresentar-se e dizer:
    - Sim, voc est certa. Invadi o seu apartamento.
    Ele faria a abordagem em um lugar pblico, na livraria, na delicatssen. As chances de ela fazer uma cena seriam menores se houvesse gente ao redor.
    As mulheres eram passivas. Essa era a fraqueza delas. Alex vira instrutores trabalharem muito para for-las a no serem to educadas.
    Se no gosta da forma como algum olha, eles diriam, grite, faa uma cena. Faa muito barulho.
    s vezes, as mulheres do programa de treinamento militar conseguiam. Porm, era raro as civis agirem desse modo. Criadas para serem educadas, lutavam contra 
a idia de chamarem a ateno para si mesmas. Apesar de ser tolice, era como pensavam.
    Ela no faria nenhum estardalhao se Alex Knight a abordasse da forma certa. Ento, ele continuaria com aquele plano. Afinal, nada mudara. Ela no o vira. Alex 
pensou que seria visto quando Cara parou em frente ao armrio. Ela estivera to perto que Alex conseguiu sentir o seu perfume. Definitivamente, flor-de-lis: suave 
e feminino.
    Cara Prescott tambm parecia dessa forma: suave, feminina. E incrivelmente sexy, andando da forma como Alex imaginara: de suti de renda e calcinha cor de creme. 
Sem saltos altos, mas excitante mesmo assim.
    Tudo o que Alex precisava fazer era sair do armrio... Da forma como fizera ento. Cara havia deixado a porta do banheiro aberta. Ele olhou para o box. O vidro 
estava translcido, mas no transparente. Alex conseguia ver o contorno do corpo feminino. Via os braos erguidos, os seios, o corpo graciosamente arqueado.
    Alex franziu as sobrancelhas, desviou o olhar e foi at a porta. Ento, parou. Ao menos, podia verificar se havia escutas nos telefones. Havia tempo suficiente 
para isso.
    Trabalhando em silncio, pegou um canivete, desparafusou a base do primeiro telefone... E encontrou uma escuta. Droga! Montou o telefone e se dirigiu ao segundo. 
Outra escuta. Enquanto recolocava os parafusos, ouviu um trovo.
    Trovo, em novembro? - pensou Alex, olhando na direo da clarabia a tempo de ver um raio cortar o cu, iluminando um pequeno objeto no canto da cpula envidraada 
no teto. Algo estava l em cima e no deveria estar.
    Alex colocou uma cadeira embaixo da clarabia e subiu. Nada bom. Ele tinha l,93m, mas, mesmo em cima da cadeira, a clarabia permanecia fora de seu alcance.
    Ele desceu, checou a rea de novo. Os olhos avistaram uma vassoura em um canto. Depois, retornaram para a clarabia. Talvez... Pegou a vassoura e voltou a subir 
na cadeira. Sucesso! Algumas batidas com a vassoura e o objeto que vira caiu no cho, fazendo barulho.
    O som foi semelhante ao de um tiro. Alex conteve a respirao, prestando ateno se Cara chegaria correndo  sala. Porm, o chuveiro estava a todo vapor.
    Alex pegou o objeto. Era uma cmera minscula e estava gravando tudo o que acontecia ali. Inclusive aquela invaso?
    Uma coisa era certa. Se havia uma cmera, havia outras. A mulher a quem devia proteger estava sendo espionada. Pela gangue de Gennaro? Se o ex-amante sabia onde 
Cara estava, por que no ia busc-la? Podiam ser os federais, mas Shaw afirmara que estavam fora do caso.
    Alex no ficaria tentando descobrir. Quem quer que fosse que a estivesse observando, poderia t-lo visto tambm. E, certamente, estaria a caminho.
    Outro trovo. Ser que o chuveiro permanecia aberto? Sim. O vapor continuava saindo de l. Devagar, Alex caminhou pelo apartamento, pronto para saltar se Cara 
Prescott escolhesse aquele momento para fechar a gua e abrir a porta do box. Ela entraria em pnico ao v-lo. No havia nada que ele pudesse fazer para evitar isso, 
mas pretendia controlar a situao.
    O pavor da senhorita Prescott seria pior por estar nua. Isso no teria importncia para Alex. O sexo no entrava no caso. Cara era um trabalho, s isso. Porm, 
o medo, associado ao elemento surpresa, poderia agir em favor dele. As antigas regras ainda se aplicavam.
    Alexander Knight respirou fundo para desacelerar os batimentos cardacos e oxigenar o sangue. Agora, pensou. E, em um movimento rpido, abriu a porta do chuveiro.
    Cara Prescott virou-se na direo dele. Com medo, ela gritou. Porm, o grito no atrairia os vizinhos... Os sinos tinham provado isso. E, ainda, havia o barulho 
da gua do chuveiro correndo e o trovo.
    Alex deu um passo  frente, colocando um dos ps dentro do box e um dos braos ao redor do pescoo de Cara, tampando-lhe a boca com uma das mos. Ento, puxou-a 
para si, dizendo:
    - Preste ateno, senhorita Prescott. Faa o que lhe digo e... Droga!
    Cara mordeu-lhe a mo. Alex afastou a mo mordida e a ajustou de forma a cobrir o nariz e a sua boca, e ela logo reagiu. O corpo comeou a ficar arqueado diante 
da ameaa de uma asfixia.
    - Faa isso de novo e serei forado a revidar. Vou repetir, senhorita Prescott: faa o que eu lhe digo, e ficar bem.
    Cara Prescott estava na ponta dos ps, a cabea aconchegada em um dos ombros de Alex, como em um abrao amoroso. A gua corria por cima dos dois. E Cara continuava 
lutando, contra ele, as mos agarradas a um dos pulsos de Alex. Cara usava todo ar que tinha nos pulmes na tentativa desesperada de salvar a prpria vida.
    - Oua. Comporte-se e tirarei a mo de cima do seu nariz. Lute comigo, e vou mant-la exatamente como est at que desmaie. Entendeu?
    Ela no respondeu, mas a luta se tornou mais acirrada.
    - Entendeu? - repetiu Alex.
    Cara acenou positivamente com a cabea.
    - Certo. Apenas lembre-se: um som, um movimento em falso, e no lhe darei uma segunda chance.
    Alex moveu a mo de forma que passasse a cobrir apenas a boca da senhorita Prescott. Porm, manteve o brao ao redor da garganta dela. Cara estava na ponta dos 
ps, desequilibrada fsica e emocionalmente, e era assim que ele queria mant-la por um tempo. O som da respirao dela era forte, e seu corpo tremia.
    - Relaxe. Acalme-se e oua.
    Cara estremeceu, porm, Alex pde senti-la relaxando. Ento, ele afrouxou a presso do brao ao redor do pescoo dela, o suficiente para demonstrar-lhe que a 
sua reao o agradara.
    - Vou tirar a minha mo da sua boca. No quero que grite. Nem quero que fale. Obedea e ficar bem. Grite, me morda, venha para cima de mim - qualquer coisa 
que tente - e vou cont-la. E prometo, senhorita Prescott, vai lamentar. Entendeu?
    A moa abriu bem os olhos. Finalmente, percebera que Alex dizia o nome dela.
    - Entendeu? - perguntou outra vez Alex. 
    Cara acenou positivamente com a cabea. Ele esperou alguns segundos. Como esperara, mais um trovo ressoou acima da cabea dos dois. Alex tirou a mo que tampava 
a boca de Cara. Ainda esperou que a senhorita Prescott gritasse, apesar do aviso dele. Porm, ela no fez isso.
    Alex a virou na direo dela. Ele disse a si mesmo que a nudez dela lhe dava uma vantagem psicolgica. Contudo, isso no significava nada para ele sexualmente.
    Ainda assim, somente um eunuco no teria notado que a pele de Cara era clara, os seios redondos, os mamilos rosados. E apenas um eunuco, ou talvez um santo, 
no desejaria sentir a suavidade daqueles seios contra a aspereza das palmas das mos, e se tinham gosto de mel.
    O rosto de Cara, plido, ruborizou-se levemente. Trmula, ela colocou um dos braos sobre os seios e o outro sobre a parte ntima, em uma comum e instintiva 
postura feminina de defesa.
    Uma defesa intil se Alex tivesse optado por for-la a ser dele. No gostaria que ela pensasse que pudesse ser capaz de tal atitude. Alex tinha feito muitas 
coisas ruins durante o tempo em que estivera no Servio Secreto, mas nunca violentara ningum.
    Quando tomava uma mulher, queria que ela o desejasse. Mas quem ligava para o que Cara Prescott pensava? O medo que sentia o colocaria em uma posio de vantagem. 
De propsito, deixou que o olhar se movesse devagar por aquele corpo feminino. Era apenas uma forma de lembr-la que ele detinha o poder.
    E, droga, se Alex estava ficando excitado, no era nada pessoal. O perigo fazia com que a adrenalina aumentasse. Adicione a isso uma mulher bonita, uma aluso 
a sexo, e o resultado era uma mistura perigosa.
    Alexander Knight compreendia tudo aquilo. Se apenas o corpo entendesse a mensagem, estaria prestes a ficar excitado por completo. Essa reao o deixou furioso. 
No gostava de perder o controle. Saber que aquela mulher, quase uma prostituta, exercia um poder de atrao sobre ele o deixava ainda pior. O truque era a concentrao. 
Alex conteve a excitao e comeou a ordenar os pensamentos.
    Havia toalhas penduradas, perto da pia. Ele pegou uma e a jogou em cima de Cara, dizendo:
    - Cubra-se.
    As mos dela tremiam quando pegaram a toalha para cobrir o corpo molhado. Entretanto, a tal toalha no a cobriu muito. Alex pegara a toalha de mo e no a de 
banho. Era o suficiente para fazer com que Cara no se sentisse to exposta. Mas no o bastante para que ele perdesse a vantagem psicolgica sobre ela. 
    - No sou ladro. E no trabalho para o seu amante.
    Nenhuma resposta. O perfume que ela exalava - sabonete, flor-de-lis e mulher - aumentou.
    - No quero machuc-la. Entendeu?
    A moa balanou a cabea, consentindo.
    - Agora, saia do chuveiro. Devagar, sem movimentos rpidos.
    Cara agiu conforme lhe era ordenado, os olhos dela nunca desviando dos de Alex. Ele tentou fazer o mesmo, mas era impossvel. A toalha no era apenas pequena. 
Agora, estava molhada e agarrada como se fosse uma segunda pele, atraindo ainda mais a ateno para o corpo molhado. E para o inferno com eunucos e santos.
    Apenas um homem morto no deixaria que o olhar percorresse aquelas curvas. No era de se admirar que Anthony Gennaro a quisesse, pensou Alex, forando-se a mirar 
o rosto da jovem.
    - Meu nome  Alexander Knight.
    - O que quer?
    - Quero ajud-la. Sei sobre voc e Tony Gennaro.
    O rosto dela ficou corado, mas a voz permaneceu firme quando perguntou:
    - Quem?
    - Nada de jogos, Cara. No gosto disso.
    O uso do primeiro nome era para lembr-la de que ele estava no comando. No funcionou. Os olhos dela ainda brilhavam de medo, mas algo mudara.
    - Pegue o meu pijama.
    - O qu?
    - Me passe o meu pijama, o conjunto de moletom que est ali, em cima do vaso sanitrio.
    Cara Prescott no estava implorando, nem pedindo. Ela estava dando ordens em uma tentativa de assegurar algum controle. Alex compreendeu essa atitude. Tambm 
faria o mesmo no caso de uma situao inversa.
    Entretanto, compreendeu que no podia deix-la ir adiante com essa situao. Ela era astuta e mais forte do que parecia. Isso significava que Alex precisava 
certificar-se que ela compreenderia que ele era muito mais forte.
    Alex se aproximou. Fitando-a, a puxou para perto dele, e ficou excitado. Enquanto deslizava uma das mos pelos seios de Cara pensou o quanto era bom acarici-la. 
O brilho de desprezo que ele viu nos olhos de Cara deu lugar ao terror.
    - Talvez no tenha me ouvido. Disse para no fazer joguinhos. Ou talvez pense que  tentadora demais e v escapar. Est certa com relao ao fato de ser tentadora. 
Voc  muito sedutora, porm, no estou interessado.
    A fisionomia dele o denunciava.
    - Tudo bem, voc est certa. Sob outras circunstncias, poderia estar.
    Alex tocou-lhe os seios e disse a si mesmo para ignorar aquela tentao.
    - Mas agora no se trata de outras circunstncias, e no estou interessado em comprar o que vendeu para o velho Tony.
    - No conheo nenhum Tony.
    - Sim, voc conhece. Precisa confiar em mim. Se eu trabalhasse para o homem, voc estaria morta agora... Mas somente depois de ser minha.
    Alex queria amedront-la e deu certo. No era hora para sutilezas. Alm disso, uma mulher que dormira com o chefo da mfia no era algum com sensibilidade.
    Alex precisava que a Cara fosse obediente. Se mostrasse algum arrependimento, diante da forma como ela tremia, era apenas porque estivera muito tempo longe daquele 
tipo de trabalho. E no porque Cara era bonita.
    Que bobagem, o que a beleza dela tinha a ver com aquilo? A verdade era que uma mulher que soubesse como fazer bom uso da prpria aparncia podia ser perigosa. 
Aprendia-se isso rapidamente no mundo de capa e espada.
    Alex pegou o conjunto de moletom e o entregou  Cara, dizendo:
    - Vista-se. Depois, vamos conversar.
    Conversar? Cara conteve uma risada. Um louco, invadia o apartamento, a arrastava do chuveiro, fitava-a nua, tocava os seios dela, e ela ainda tinha que acreditar 
que o maluco queria conversar?
    Cara mordeu o lbio inferior para evitar gritar. Vestiu o conjunto de moletom, curvando-se o mximo possvel para evitar que aquele homem visse mais do que j 
tinha visto.
    A roupa estava surrada e grande demais. A parte do "grande demais" era engraada. Assim, sentia-se menos vulnervel. Sentiu medo ao ficar em p, nua, diante 
de um estranho, bruto. Tinha que ser um bom sinal o fato de ele a ter deixado se vestir, certo?
    - Tudo bem. Se tem perguntas, faa agora.
    Se Cara tinha perguntas? Ela iria rir a qualquer minuto... Ou desmaiar aos ps daquele maluco. Por que aquele homem no parecia louco? Se o tivesse visto na 
rua, no lhe lanaria um segundo olhar.
    "Que mentira, Cara. Sabe muito bem que teria olhado." Que mulher no olharia para um homem como aquele? Era alto. Cabelos negros. Olhos verdes, profundos. As 
mas do rosto eram to proeminentes que pareciam dois cortes no rosto severo e belo. E o corpo dele - esbelto, firme, musculoso...
    - Gosta do que v, querida?
    Cara o fitou. Alex sorria, e ela ficou ruborizada.
    - Quero ter certeza de que sei como voc  para dar  polcia uma descrio detalhada - retrucou Cara.
    - Ah, Cara, isso no  uma boa idia. Se eu estivesse aqui para machuc-la, sua infeliz ameaa me faria pensar duas vezes sobre deix-la viva. Falei para fazer 
as perguntas que quisesse. Se tem algo a questionar, o tempo est passando.
    - Voc disse que no trabalha para esse homem que pensa que eu conheo. Ento, para quem trabalha?
    - Para o governo.
    A moa deu um passo para trs e comentou:
    - Eu disse ao FBI que no quero ter nada a ver com...
    - Isso no  interessante? Voc no conhece Tony G, mas tem falado com o FBI.
    - Se voc trabalha para o governo, me deixe ver algo que comprove.
    - O qu, por exemplo? Um distintivo? Uma foto da carteira de identidade? Uma carta de J. Edgar Hoover, diretor do FBI durante a Segunda Guerra Mundial?
    - Hoover est morto.
    - Sim, e homens como eu tambm estariam se andssemos por a com nossas identidades. Ter que acreditar na minha palavra. No trabalho para o FBI, e sim para 
um Servio Secreto do governo que no  do conhecimento pblico.
    - No tem como provar o que est dizendo. E quer apenas que eu confie em voc?
    - Isso mesmo. Entendeu?
    - Confiar em voc, como? O que quer de mim?
    - Como eu disse, estou aqui para ajud-la, proteg-la...
    Alex virou a cabea na direo da porta aberta. O corpo esbelto, firme, ficou tenso. Cara pensou nos programas sobre natureza que vira, e como um tigre prestes 
a pular em cima da presa, de repente, pareceu se transformar em uma esttua.
    - O qu? - indagou Cara.
    Alex ps o dedo em frente  boca, pedindo silncio. Devagar, colocou uma das mos por debaixo da camiseta preta, indo at as costas. Como em um passe de mgica, 
uma arma apareceu na mo dele.
    Cara ficou aterrorizada e Alex a empurrou para trs dele, dizendo:
    - Algum est na porta da frente.
    - No acredito em voc! No...
    Alex a puxou, de forma que Cara pudesse fit-lo. Ento, segurando-lhe o queixo, sussurrou:
    - O seu apartamento tinha vrias escutas. Voc tem sido vigiada por uma cmera. E, se quer viver, vai ter que fazer exatamente o que eu lhe disser. Entendeu?
    Ela o fitava, descrente. Por que faria qualquer coisa que aquele homem dissesse? Escutas telefnicas? Cmeras? E agora ele afirmava que podia ouvir algum  
porta. Mas a gua do chuveiro continuava correndo. Tudo o que Cara podia escutar era o barulho da gua e, de vez em quando, um trovo distante.
    - No acredito. Voc  um manaco que invadiu o meu apartamento para me matar.
    Algo cintilou nos olhos de Alex: raiva, desdm. Cara no conseguia perceber o que era, mas no tinha dificuldade em interpretar o que viria em seguida.
    - Droga! - disse Alex.
    Ele inclinou a cabea de Cara para trs e a beijou com paixo. Ela lutava com fora. Porm, Alex no a soltou at que Cara acabou fechando os olhos e cedendo 
ao beijo.
    Ento, Alex saboreou aquela boca feminina, tornando-a dele. Ento, afastou-se e perguntou:
    - E agora, voc vai fazer o que eu lhe disser? 
    Cara fitava os olhos verdes e frios de Alexander Knight. A, respirou fundo e respondeu:
    - Sim.
    
    
    CAPTULO QUATRO
    
    Sim era a nica resposta possvel.
    Cara Prescott estava  merc de um homem que podia ser um assassino, presa em uma armadilha, sem sada, a menos que cooperasse. Aquele beijo tinha sido uma forma 
de demonstrar poder e dominao, e ela reagira conforme a necessidade.
    Ela sentiu como se o cho estivesse se abrindo, e isso era compreensvel. Estava chocada. A reclamao daquele homem, que dizia haver algum  porta, tambm 
era falsa. Quanto mais pensava sobre isso, mais se convencia de que ningum podia ouvir alguma coisa por causa do barulho da gua do chuveiro.
    Dizer que algum estava tentando invadir o apartamento era a forma pattica daquele homem convenc-la de que era uma boa pessoa. Certo. E ela era a Bela Adormecida.
    Cara sabia que precisava de tempo se quisesse escapar. O nico jeito era ir em frente com o que Alexander Knight queria. Levantou a cabea e o fitou, dizendo:
    - Sim. Farei o que voc disser.
    Cara faria o que ele dissesse... At que visse uma chance de escapar.
    - Fique atrs de mim assim que eu comear a andar. Fique perto e quieta. Quem quer que seja que esteja  porta no vai ficar l fora muito tempo.
    Alex acreditava no que lhe dizia. Seria possvel? Qualquer coisa era vivel naquela noite. Se realmente houvesse algum ali, o que aquele homem faria?
    Cara olhou a arma em uma das mos dele. Depois, observou a intensidade de seu olhar e lembrou-se do beijo. Ento, pensou que talvez fosse melhor no querer saber 
a resposta.
    - Agora! - Alex a avisou.
    Ele apagou a luz. A escurido repentina associada ao som do chuveiro parecia cenrio de um filme de terror. Cara estremeceu. Ela estava to perto de Alex que 
o corpo dela roou no dele. Para sua surpresa, ele virou-se, tocando-a em um dos pulsos, e disse:
    - Tudo vai ficar bem.
    Ela esperava que fosse verdade. Alex chegou ao corredor. Cara ia atrs dele. Ele podia ser o inimigo. Porm, ao menos, no era desconhecido.
    Alexander Knight movia-se sem fazer barulho, uma sombra na escurido. Foi ento que Cara pensou que ele estava vestido para isso. Os tnis, a jaqueta de couro, 
a camiseta, o jeans, enfim, toda a roupa preta era a de algum que planejara permanecer despercebido e silencioso.
    Eram os ps de Cara, descalos, que faziam com que o velho assoalho de madeira rangesse. Ela tambm podia ouvir as batidas de seu corao, e o sussurro da respirao.
    Se havia algum  porta, Cara estava fazendo um bom trabalho avisando-o de que estavam chegando. Principalmente,  medida que o som do chuveiro ficava mais distante.
    Consciente, Cara diminuiu a respirao e passou a levantar os ps com mais cuidado. Os olhos estavam bem abertos, e ela percebeu que estavam quase  porta. Foi 
ento que viu a maaneta comear a girar. E, no silncio, ouviu o ferrolho destrancando.
    Alexander parou de andar e a jovem tropeou nele. Sem pensar, Cara colocou os braos ao redor da cintura dele. Alex virou-se e a tocou no rosto, com delicadeza.
    Ento, a empurrou contra a parede e colocou um dos dedos nos prprios lbios, indicando: No se mexa. Ela acenou com a cabea, concordando. "Por favor, tome 
cuidado", Cara queria dizer.
    Alex entrou em ao, arrancando a cadeira que estava embaixo da maaneta e a porta se abriu. Um homem entrou na sala. Cara no conseguia ver o rosto dele, apenas 
percebeu que era grande e tambm tinha uma arma em uma das mos.
    - Procurando por ns? - questionou Alex.
    Em seguida, bateu na cabea do homem com a prpria arma.
    - Rpido! - disse Alex, agarrando o pulso de Cara enquanto o homem caa no cho.
    - Mas... E se voc o matou?
    - No tivemos tanta sorte. Vamos embora. 
    Cara deixou de olhar o estranho inconsciente e passou a fitar o que estava consciente e queria arrast-la noite afora. E se a histria que Alex lhe contou fosse 
ao contrrio? E se o governo tivesse realmente mandado algum para proteg-la, e agora esse algum estava ali cado no cho?
    - Ande, mexa-se! Ele tem amigos!
    Cara desistiu de pensar e deixou-se ser puxada para o corredor e escadaria abaixo at chegar ao saguo. O invasor nmero um a empurrou sem cerimnias at um 
canto.
    - Espere aqui.
    - Mas...
    Alex a olhou de uma forma que indicava que a beijaria de novo. Cara disse a si mesma que estaria preparada dessa vez. E se ele tentasse, lutaria contra ele. 
Mas Cara estava errada. Alex abaixou a cabea e a beijou. Em vez de lutar, ela correspondeu ao beijo, quase acariciando-lhe o rosto.
    Em um instante, ele sumiu porta afora pela rua escura. Cara ouviu um grito abafado, um baque. Ento, Alex voltou e colocou uma das mos ao redor da cintura dela, 
dizendo:
    - Ande logo.
    - Ande logo para onde? Havia outro homem?
    - Sem perguntas, lembra-se?
    A rua estava deserta, mas Cara via trnsito na esquina. Agora podia escapar...
    Acrescente leitura de pensamento aos talentos do intruso. Alex xingou, puxou-a e correu em direo a um furgo. Abriu a porta e a jogou l dentro. 
    - Sente-se no outro banco! - gritou Alex. E ela obedeceu, passando por cima do console, batendo com uma das canelas na caixa de marcha. Alex entrou e colocou 
a chave na ignio. O motor arrancou e o veculo saiu em disparada.
    Cara disse a si mesma para manter a calma. Perdera a chance de fugir, mas haveria outra. Alm disso, talvez o homem ao lado dela no fosse maluco. Talvez, no 
estivesse ali para mat-la. Talvez, realmente trabalhasse para algum Servio Secreto do governo que queria proteg-la.
    Talvez, tudo aquilo fosse um sonho ruim. Mas sonhos no faziam com que os dentes rangessem e os ps descalos congelassem. Tambm no faziam com que se andasse 
em um veculo em alta velocidade, ao lado de um estranho, um homem que invadira a casa dela e a puxara nua, para os braos msculos; tocando-a com uma arrogncia 
insolente... E beijando-a at que se rendesse.
    Um tremor percorreu-lhe o corpo. O seqiuestrador - era isso que Alex era, certo? - a olhou e perguntou:
    - Frio?
    - Teria alguma importncia se eu estivesse com frio?
    Luzes de um carro que se aproximava iluminaram a face dele. Era um rosto severo, anguloso, com mas salientes e uma boca sensual, quase cruel. Aquelas mas 
do rosto, aquela boca, os olhos hostis lhe davam uma aparncia mscula, selvagem e bela. Sem dvida, Alexander Knight era o homem mais bonito que Cara tinha visto.
    Uma lembrana antiga veio a sua mente, algo sussurrado por uma vizinha que, de vez em quando, tomava conta de Cara quando pequena e a me estava no trabalho.
    - Cuidado com o demnio. Ele anda entre ns disfarado - a mulher dissera.
    - Ento, como vou reconhec-lo? - A pequena Cara, aos cinco anos de idade, perguntou.
    - Pela feira do rosto. Ou pela grande beleza dele. Cada um de ns v o que deseja ver - respondeu a mulher.
    Cara estremeceu.
    - Por favor, quando eu lhe fizer uma pergunta, me responda logo - disse Alex, impaciente. Sem tirar os olhos da estrada, despiu a jaqueta de couro, um brao 
de cada vez, e a jogou no colo dela, dizendo:
    - Vista isso.
    - No preciso.
    - Se pegar uma pneumonia e no ter serventia para mim. Vista a jaqueta.
    Ao menos, no seria morta agora. Cara vestiu a jaqueta. O couro era macio; cheirava a noite, a chuva e a homem. Ela sentiu um aperto na garganta enquanto se 
lembrava de Alex tirando-a do chuveiro, da fora daquele corpo msculo contra o dela, da carcia calculada nos seios... Ento, virou-se e perguntou:
    - Quem  voc?
    - J disse o meu nome.
    - Sabe o que quero dizer! Quem o mandou? Para onde est me levando?
    Alex a fitou, um sorriso no canto da boca.
    - Vinte perguntas?
    - Mil e vinte. Mas pode comear com essas.
    - J disse que eu trabalho para um Servio Secreto do Governo do qual nunca ouviu falar. Estou levando-a para um lugar onde posso mant-la em segurana at o 
julgamento de Anthony Gennaro.
    - No vou testemunhar. J disse isso ao FBI.
    - Discuta isso com eles, no comigo. Olhe, se eu quisesse machuc-la j o teria feito.
    Era uma resposta sensata. Infelizmente, nada do que lhe acontecera desde o dia em que Anthony Gennaro entrara na vida dela era sensato. Por que a moa comearia 
a acreditar na razo agora?
    - E onde  esse lugar que voc pensa poder me manter em segurana?
    Alex pegou uma estrada ao longo da qual se encontravam armazns sombrios e caminhes estacionados.
    - Ver em breve.
    No era uma resposta prpria para confort-la, ou talvez Cara tenha visto muitos filmes sobre o que acontecia  noite em estradas como aquela.
    - No me parece seguro.
    - Essa estrada nos leva a uma entrada nos fundos do Aeroporto Kennedy.
    - Voc acha...? No vou entrar em um avio com voc!
    - Em vez de discutir, que tal olhar pelo retrovisor e me dizer o que v?
    - Por exemplo?
    - Um carro vindo rpido demais. Ou um carro atrs de ns. Surpreenda a ns dois. Veja se no h uma pequena quantidade de inteligncia escondida no seu crebro.
    Ento, Alex tirou o celular do bolso de trs do jeans e deu um telefonema. Segundos depois, conversava com algum e dizia sempre a mesma palavra:
    - Obrigado.
    - Obrigado pelo qu? - questionou Cara. 
    Alex no respondeu.
    
    A estrada conduziu at um carro de polcia que esperava em um porto fechado. Um policial uniformizado estava encostado ao carro, de braos cruzados.
    Cara abriu a porta do furgo e quase caiu aos ps dele, dizendo:
    - Graas a Deus! Policial! Esse homem... 
    Cara ficou boquiaberta. O seqestrador e o policial trocavam apertos de mo.
    - Essa  a suspeita? - indagou o policial.
    - No sou suspeita. Sou...
    - Sim. Tenho que tir-la da cidade e rpido.
    - Policial! No sou suspeita. Sou...
    - Tudo bem, querida, no diga nada que ele no queira ouvir, sabe o que quero dizer? Faa isso e vou coloc-la em uma situao difcil - avisou Alex.
    Os dois homens riram.
    - No, por favor, policial, voc tem que escutar...
    - Querida - Alex disse e a beijou, antes que a moa pudesse falar algo mais.
    O policial riu. Cara arfava, tentando no chorar e preparando-se para morder os lbios do seqestrador. Alex resmungou e intensificou o beijo.
    Morda-o agora, Cara disse a si mesmo, desesperada. Morda-o de novo, duas vezes mais forte do que antes...
    Ento, Alex suavizou o beijo. Uma suave sensao de lassido a invadiu. Cara estava exausta e com medo. E, ainda assim, a forma como Alex a segurava fez com 
que ela abaixasse a cabea, repousando-a em um dos ombros msculos e deixando-o fazer o que quisesse. 
    - Assim. Pare de lutar comigo. Ser muito mais fcil - sussurrou Alex.
    A moa pensou no homem deitado no cho do apartamento, na arma de Alexander Knight... E soube que o que ele dissera era uma promessa e no uma ameaa.
    O carro da polcia os conduziu a um jatinho particular. Os dois homens voltaram a trocar apertos de mo. E Cara Prescott estava nos braos do seqestrador.
    Alex a carregou para dentro do avio, acenou positivamente com um dos polegares para o piloto e a colocou em um dos assentos da cabine.
    - Coloque o cinto de segurana - disse Alex. 
    Cara no se mexeu. Ento, Alexander colocou o cinto de segurana nela e disse:
    - Lembra do que eu falei? Faa o que eu disser e nos daremos bem.
    Cara soluou de raiva e de desespero. E, sem pensar, deu um tapa no rosto de Alex. A cabea dele deu uma guinada para trs. Por um momento, ela pensou que ele 
fosse revidar, mas no se importava. Estava cansada de ser tratada como se s existisse para servir-lhe, obedecendo-o.
    Alex Knight se aproximou e, com uma das mos, segurou-lhe o queixo, dizendo:
    - Quer jogar, querida? Tudo bem. Podemos brincar com diversos jogos diferentes quando chegarmos ao nosso destino.
    - Tenho o direito de saber para onde est me levando.
    - Voc no tem direito algum, a menos que eu diga que tem. Mas, de qualquer forma, vou lhe contar. Estamos indo para uma propriedade minha. No tenho certeza 
se vai estar  altura dos elegantes padres do seu apartamento.
    - Ainda no disse onde  esse lugar.
    - Flrida.
    - Por qu?
    - Porque  seguro.
    - Voc no pode fazer isso!
    - Srio?
    - Voc tem que registrar um plano de vo. H regras, restries de segurana.
    Alex ergueu uma das sobrancelhas. Cara era rpida, ele tinha que admitir. Assustada como estava, pensara em uma boa resposta. Boa para qualquer um, exceto para 
ele.
    - Voc est certa. H todas essas coisas, mas so eventuais.
    - Senhor Knight!
    - Alex. Vamos passar muito tempo juntos, devemos ser menos formais.
    - Voc diz que foi enviado para me proteger. Bem, j fez isso. Aqueles dois homens... Voc cuidou deles.
    - E?
    - E a ameaa acabou.
    - ?
    - J fez o seu trabalho. No h motivo para levar adiante o resto do plano.
    Alex gastou tempo pensando na resposta que seria a mais adequada naquele momento. Sabia que a passageira no acreditava que ele fosse um homem bom. Que fazer, 
no podia culp-la. Acima de tudo o que fizera naquela noite, acabara de lhe dizer que estavam viajando para um lugar a mais de 2.400 quilmetros do que Cara considerava 
ser a casa dela. E ela vestia apenas moletom e o casaco de couro do homem que a seqestrara.
    Era surpreendente o quanto estava bem naquele traje. O conjunto de moletom, visvel sob a jaqueta aberta, era tamanho extragrande. Estava to velho e gasto que 
tinha a espessura to fina quanto seda.
    Alex pde ver o contorno dos seios. Ao lembrar-se de t-la tocado ali, o corpo dele se contraiu. O olhar abaixou at o local onde o tecido fino de algodo escondia 
a feminilidade daquela mulher que ele avistara, rapidamente, quando a tirara do chuveiro, o corpo macio e molhado.
    Sem dvida, ela era bela. A mulher de Anthony Gennaro. Um bandido que a tivera na cama dele toda vez que a quisera.
    Agora, Gennaro tentava mat-la. Como era possvel que ela no quisesse acreditar nisso? No era estpida. Ser que Cara e Gennaro tinham brigado? Ser que ainda 
esperava que Tony reatasse com ela? 
    No podia ser muito divertido viver em um apartamento parecendo um cativeiro quando se estava acostumada a uma manso.
    - Alex? Por favor, oua a razo. Estou segura agora. No vai me levar de volta  cidade?
    A voz dela estava trmula. Os olhos brilhavam com lgrimas. Ser que Cara pensava que a sua atuao o comoveria? Pura perda de tempo. Alex no pedira aquela 
trabalho, mas o aceitara. No importava se ela gostava dele ou o odiava.
    - No - respondeu Alex.
    - Por que no? Ora, quem  que est lhe pagando? Quanto? Eu cubro a oferta. Dobro o valor! Quanto quer?
    - Sim, pelo lugar onde voc est vivendo, eu poderia dizer que tem uma fortuna. Ou est me oferecendo o que vendeu para Tony G?
    - Patife!
    Alex inclinou-se e voltou a beij-la. Beijou-a com vontade, ignorando a forma como ela o empurrava e tentava livrar a boca que estava presa  dele. Ele a beijou 
at que a lamria de protesto se transformasse em lamria de desejo. Cara cedeu ao beijo. E Alex aproveitou ao mximo at que recuou, dizendo:
    - Comporte-se e ficar bem. Me cause problemas, e vai se arrepender.
    - Vou mat-lo. Est me ouvindo? Me toque de novo e eu o mato!
    Alex tirou o prprio cinto, amarrou-o ao redor de um dos pulsos dela e o prendeu ao brao do assento.
    Ento, pegou o cinto de segurana do assento ao lado e o usou para amarrar-lhe o outro pulso.
    - Comporte-se e, depois que ganharmos altitude, posso desamarr-la, deix-la ir ao banheiro, beber gua. Enfim, fazer o que precisar durante as prximas quatro 
horas. Estamos entendidos?
    Cara ergueu a cabea, fitou-o e cuspiu no rosto dele. A expresso de Alex no mudou.
    - Precisa aprender boas maneiras, senhorita Prescott.
    Alex abaixou a cabea e voltou a beij-la at ela murmurar algo pelo qual o corpo dele ansiava. Ento, Alex sentou-se na poltrona do co-piloto.
    Os motores do jato fizeram barulho e o avio comeou a decolar. Momentos depois, as luzes da cidade de Nova York estavam embaixo deles, bem longe.
    
    
    CAPTULO CINCO
    
    Alexander Knight dissera que a soltaria assim que ganhassem altitude. Porm, uma hora se passara, j voavam alto, e ele havia desaparecido.
    Cara rangia os dentes e puxava com fora os cintos amarrados ao redor dos pulsos. Puxava-os cada vez com mais intensidade, at ficar ofegante tamanha a raiva 
que sentia!
    A moa arfou. Como ser que isso lhe acontecera? Quando tudo sara errado, depois que descobrira a verdade sobre Anthony Gennaro, e o FBI comeou a importun-la, 
Cara fugira. Porm, tinha sido cuidadosa.
    Cara escolhera um apartamento em um bairro onde ningum poderia pensar em procur-la. Um emprego que era uma garantia absoluta de anonimato. No dissera a ningum 
aonde iria ou o que faria.
    Ao virar o rosto na direo da janela, Cara fitou a escurido alm do vidro. Ela sentia a raiva dando lugar  angstia. E no podia permitir que isso acontecesse. 
Chorar no mudaria nada. Tinha que lidar com a realidade.
    Nunca tivera uma chance. Algum sempre estivera seguindo-a, observando-a, ouvindo-a. S de pensar nisso, sentia-se mal. Tantas violaes terrveis  sua privacidade. 
Homens sem rosto observando-a acordar, dormir.
    E, agora, Cara tinha sido raptada por um estranho. Um homem que a aterrorizava, A voz de Alexander Knight fazia com que a moa se lembrasse de cascalho e de 
seda. O sorriso sugeria que ele sabia de todos os segredos dela... Porm, no sabia.
    0 que mais a amedrontava era a forma como ele a tocara. Era como se fosse seu dono, como se pudesse control-la apenas colocando as mos nela.
    Imagens vieram  mente de Cara. A forma como Alexander Knight a tirara do chuveiro e a olhara. O toque proposital de uma das mos msculas sobre os seios e a 
sensao do corpo dele contra o dela.
    Cara conteve um gemido. Compreendeu que Alex estava estabelecendo o domnio da situao. O que ela no entendia era a prpria reao a ele, a resposta  carcia 
daquela mo mscula, ao beijo dele.
    Ela sempre fugira de tudo o que Alexander Knight representava: um homem frio, que vivia segundo as prprias regras. E, ainda assim... Talvez, entendesse o que 
estava acontecendo. Cara estava fsica e emocionalmente exausta. Todas essas semanas estava vivendo um pesadelo, e isso afetou-a. Ela estava vulnervel, e ele sabia 
disso, e se aproveitava para obter vantagem.
    Cara Prescott tinha que permanecer forte e alerta. Precisava descobrir as fraquezas de Alex e ganhar vantagem para encontrar o momento certo para fugir. Porm, 
primeiramente, devido ao fato de estar exausta, fecharia os olhos por um momento...
    Cara adormeceu. Isso  bom, pensou Alex. Assim, dava menos trabalho. Alex voltou a olh-la. O rosto estava plido, com olheiras, e o cabelo emaranhado. Ela tivera 
uma noite difcil - um choque atrs do outro.
    Nesse exato momento, Cara parecia fazer parte de uma propaganda que mostrava todos os motivos pelos quais uma pessoa no devia viajar na classe econmica. Embora 
no fosse o que estava acontecendo.
    Um avio como aquele era de primeira classe. Com poltronas de couro grandes, que deixavam bastante espao para os cotovelos e para as pernas. Os assentos reclinavam 
como se a pessoa estivesse deitada na prpria cama... A menos que esta pessoa estivesse exausta e no ajustasse a poltrona, como aconteceu com Cara.
    Enquanto Alex a observava, a cabea dela pendeu para o lado. Mais alguns centmetros, e bateria na janela. E da? O trabalho dele era fazer com que a testemunha 
prestasse depoimento em segurana, e no se preocupar com o conforto dela. Cara estava viva, o que no aconteceria se Alex no tivesse aparecido. Por que teria que 
se importar se ela passasse as prximas quatro horas amarrada?
    A testa de Cara bateu na janela. Ela estremeceu, murmurou algo ininteligvel e endireitou-se. Porm, Alex sabia que era uma questo de tempo para o ciclo recomear.
    Ele xingou, sentou-se ao lado dela e soltou-lhe os pulsos. Depois, colocou um dos braos ao redor de seus ombros para escor-la enquanto apertava o boto que 
reclinava o assento.
    Cara suspirou. E inclinou a cabea na direo do ombro de Alex. Os cachos castanhos tocaram suavemente o rosto dele. Outro suspiro e ele sentiu a respirao 
quente no pescoo.
    Alex ficou quieto, fechou os olhos e sentiu o perfume da mulher que estava nos braos dele. Ento, deitou-a na poltrona e franziu as sobrancelhas. Cara estava 
descala, os ps gelados. Ainda estava com frio, apesar de estar usando a jaqueta dele.
    Ele a observou por alguns minutos. Ento, levantou-se, reduziu a luz acima do assento, remexeu em um compartimento e encontrou um cobertor, e jogou em cima dela. 
Porm, devia haver outro... mas no havia.
    Alex voltou a sentar-se, tirou o descanso de brao entre as duas poltronas, alinhou o prprio assento com o de Cara e a puxou para si. Ela cedeu, encostando 
a cabea em um dos ombros msculos. O corpo feminino curvou-se ao de Alex como se ficar nos braos dele fosse algo que j tivera feito inmeras vezes. Ele engoliu 
com dificuldade, fitou o teto e disse a si mesmo que tudo estava bem, e que Cara continuaria dormindo... Deus, ela era to sensvel, suave...
    Sente-se, Knight ordenou a si mesmo. Sente-se, v para outra poltrona, fique sem o maldito cobertor. Voc j dormiu no campo em pleno inverno, com menos do que 
est usando agora...
    - Mmm - Cara suspirou e colocou uma das mos sobre o corao dele.
    Alex puxou o cobertor, cobrindo ambos. Vinte minutos. Era tudo do que precisava.
    Alexander Knight acordou sob um ataque. Cara batia no peito e nos ombros dele. Teria rido se ela no o estivesse acertando com bons socos. Ento, agarrou-lhe 
os pulsos e a deitou na poltrona, dizendo:
    - Pare!
    - Seu patife! Pensou que podia tirar vantagem de mim!
    - Adormeci. Assim como voc. Fim da histria.
    - Eu no estava dormindo, apenas cochilando.
    - No importa. Voc dormia, sua cabea balanava para cima e baixo, voc estava com frio. Cometi o grande erro de desamarr-la e cobri-la com um cobertor. Se 
quer distorcer os fatos, sinta-se  vontade.
    Cara continuava lutando, tentando soltar-se e o corpo dele reagia ao roar daquelas coxas femininas.
    - Pare ou no me responsabilizo pelas conseqncias.
    Alex moveu-se na direo dela, s para certificar-se de que a ela compreendera a mensagem. O rosto de Cara ficou corado e ento aquietou-se.
    - Saia de cima de mim!
    - Com prazer.
    Alex saiu de cima da jovem, levantou-se e passou uma das mos pelo cabelo como se nada tivesse acontecido.
    Deus, como eu o desprezo!, pensou Cara. Depois sentou-se e disse:
    - Preciso ir ao banheiro.
    Ser que aquele homem achava que ela no era forte o suficiente para qualquer que fosse o jogo? Que podia ganhar vantagem com relao quela situao tornando-a 
indefesa?
    Cara, no entanto, no se sentira assim ao acordar nos braos de Alexander. Por um momento, permanecera quieta, envolta no calor daquele corpo msculo, confortada 
pela fora dele...
    Ela sentiu todo o sangue pulsar e levantou-se, falando:
    - Eu disse...
    - J ouvi. O banheiro  l atrs. Deixe a porta aberta.
    - Poderia repetir?
    - A porta fica aberta.
    - Isso est fora de questo.
    - A escolha  sua. Quer ir ao banheiro ou no? Aquele homem era to presunoso, arrogante!
    Cara queria bater nele, mas sabia que Alex no a deixaria fazer isso pela segunda vez. Assim, fitou-o com desprezo, e disse: - Sei o que est fazendo.
    - Verdade?
    - Voc est tentando me intimidar, mostrando que no tenho privacidade, me amarrando  poltrona... Tudo bobagem.
    - Sou assim to bvio?
    - Sim, .
    - Nesse caso, no h problema em deixar a porta aberta. Uma vez que ns dois conhecemos o motivo, por que brigar?
    Alex segurou-lhe um dos braos. Cara esquivou-se. Ele ergueu as mos, desviou-se e a deixou passar. 
    A viso era melhor dessa forma. A cala de moletom era larga, mas ele tinha uma boa imaginao e uma memria ainda melhor. Era fcil lembrar-se das curvas daquela 
mulher linda e do quanto a pele dela era sedosa.
    Alexander Knight conhecera Cara Prescott como uma mulher estonteante. Agora, precisava admitir que ela era interessante tambm. E difcil. E ela sabia exatamente 
como era. Tambm tinha certeza de que causara uma forte impresso em Alex. Ele era apenas msculo, sem crebro. E a amarrara para lembr-la de que estava no comando.
    Sim. Mas havia mais do que isso. Alex a amarrara porque Cara era atrevida. Ele sorriu. A ltima coisa que queria era que ela provocasse confuso na cabine e 
pegasse o microfone ou algum instrumento do painel. Isso no significaria nada para o piloto, que era da Especialistas em Gerenciamento de Risco. Porm, apenas um 
tolo deixaria algum fazer confuso na cabine de um avio durante um vo noturno, a oitocentos quilmetros por hora.
    O sorriso de Alex esmaeceu... Cara era muito insinuante, corajosa e astuta. Tambm esquentara a cama de Anthony Gennaro.
    Ora, tratava-se de um pas livre. Uma mulher podia dormir com quem quisesse - Alex no tinha problemas com relao  liberdade sexual para os homens e inocncia 
sexual para as mulheres. Por isso, no se importava com a ex-amante de Gennaro.
    O mais importante era que a relao dele com Cara era estritamente profissional. O que fizera - os beijos, os toques - tinha sido para mant-la nervosa.
    Tudo bem, ento, se ela parecia estar na defensiva, Alex encontrara outras formas de desequilibr-la. Porm, uma coisa que se aprendia naquele ofcio era trabalhar 
com o que estivesse disponvel.
    E o que Alex tinha era uma mulher que podia deixar um homem interessado apenas com um olhar, mesmo usando um conjunto de moletom, o rosto sem maquiagem. Mas, 
em termos morais, parecia to boa quanto a irm de algum.
    Por alguma razo que desconhecia, isso o incomodava. O fato de ela aparentar algo que no era o irritava. Alex colocou uma das mos em um dos ombros de Cara 
e a virou na direo dele assim que ela chegou ao banheiro.
    - O que  agora? - indagou Cara.
    - Vou revistar voc, querida.
    - No vai me revistar!
    - Quer apostar?
    - Mas sabe que no estou escondendo nada. Voc me viu...
    - Sem roupas. Sim, vi. Mas isso foi h algumas horas. Desde ento, qualquer coisa  possvel.
    No era uma mentira, apesar de no ser exatamente verdade. Alex conhecera prisioneiros que haviam sido procurados e encontrados desarmados e que mais tarde enfiaram 
uma faca na barriga de um inocente.
    Tudo bem. Cara no era uma prisioneira. No de fato. E onde poderia ter encontrado uma arma desde que ele a tirara daquele chuveiro? A questo era seguir as 
regras que o manteriam vivo.
    Alex a virou, segurou-lhe os pulsos e levantou os braos dela, de forma que ficassem acima da cabea
    - Ps separados, querida.
    Mas as regras no o obrigavam a ter de sentir a pele dela enquanto passava as mos por baixo do suter, percorrendo as suas costas. Depois, acariciando-lhe os 
seios.
    Cara conteve a respirao. Um suspiro. Um gemido. Um sussurro que fez com que o corpo dele ficasse rgido como uma pedra.
    - Nada aqui - disse Alex.
    Mas isso no era verdade. Havia algo ali. A sensao dos seios de Cara em suas mos. Aquele murmrio...
    Alex desceu uma das mos, percorrendo-lhe a barriga, suave e firme. Ento, abaixou ainda mais uma das mos, colocando-a por entre as coxas dela. Ele ouviu a 
respirao dela. E sentiu a suavidade da feminilidade de Cara. Sentiu uma umidade contra o calor dos dedos msculos.
    Alex gemeu, a testa suada. Cara o estava atordoando. E tudo o que tinha que fazer para aliviar aquela sensao era colocar um dos braos ao redor da cintura 
dela e mergulhar em seu corpo quente e sedoso.
    O avio desceu um pouco, depois, voltou a subir. E novamente desceu um pouco. Cara tropeou e caiu. Alex fechou os olhos, rangeu os dentes, sentiu a suavidade 
daquele corpo feminino contra o dele, excitado. "Pelo amor de Deus, ser que estava perdendo a cabea?"
    - Tudo bem. Nada escondido - comentou Alex. Ento, abriu-lhe a porta do banheiro. Cara no se mexeu. Depois, virou-se e o olhou, o rosto branco, os olhos enormes, 
e indagou:
    - Como consegue conviver consigo mesmo?
    Era uma boa pergunta. E poderia ter feito com que ele ficasse embaraado se no tivesse ouvido quando ela gemeu. Se no tivesse sentido aquela umidade feminina.
    Seria possvel que uma mulher fingisse aquele tipo de coisa? Seria possvel que aquela mulher estivesse fingindo? Alex pensou em Cara nos braos de Tony G e, 
ento, logo percebeu que a resposta certamente seria sim. 
    - Voc disse que precisava ir ao banheiro. Sugiro que v - Alex comentou.
    Os lbios de Cara tremiam. Oh, sim. Ela era esperta e a tentativa de fechar a porta em um dos ps dele fora boa.
    - Desculpe. Lembra do que eu lhe disse? A porta fica aberta. Serei um perfeito cavalheiro. Manterei os olhos no teto.
    - Voc no saberia ser um cavalheiro se sua vida dependesse disso!
    Se olhares matassem, Alex imaginava que estaria morto. Colocou um dos ps no vo ocupado pela porta. Cara recuou, agarrou o puxador da porta e a encostou o mximo 
possvel.
    A gua na pia corria. Isso o fez rir. Porm, cumpriu o prometido: virou o olhar na direo do teto e assoviou. A porta se abriu. Ela deve ter esfregado o rosto 
porque brilhava e estava corada. O cabelo estava molhado e Alex imaginou que ela tivesse passado os dedos midos nele para ajeit-lo. Porm, tudo o que conseguira 
foi fazer com que ficasse enrolado ao redor da testa.
    - Melhor? - perguntou Alex, educado.
    - Voc  desprezvel, sabia?
    - Algumas pessoas j disseram isso.
    Cara passou por ele. Alex a seguiu e esperou, enquanto ela sentava-se e colocava o cinto de segurana. Depois, estendeu-lhe os pulsos, dizendo:
    - Hora de provar o quanto voc  grande e forte.
    - Est sob a minha custdia, para o seu prprio bem.
    - Aposto que era isso que diziam durante a Inquisio. Faa o que quiser.
    - Com prazer - retrucou Alex, e prendendo-lhe os pulsos como havia feito antes.
    
    O tempo passava. Cara fitava o cu escuro. Estava cansada. Sentia-se suja. Tambm estava com fome e assustada pelo que acontecera, a revista corporal...
    No pensaria no que Alex fizera, nem na reao dela, no terror que sentira. Porque tinha sido isso que sentira, no? Terror? Medo transformado em consentimento? 
Um instinto de sobrevivncia bsico no trabalho? Tinha que ser isso, porque qualquer outro motivo estava fora de...
    - Dez minutos para a aterrissagem.
    Cara ergueu o olhar, atnita. Alexander Knight estava em p ao lado dela. Como um homem daquele tamanho podia se mover to silenciosamente?
    - Est com fome?
    - No.
    - Bom, esqueci de pedir o servio de quarto.
    - Voc  uma piada, senhor Knight.
    - Alex. Devemos deixar as formalidades de lado, no concorda?
    - Estou bem com as forma... O que est fazendo? - indagou, recuando, enquanto ele se abaixava na direo dela.
    - Eu disse que estaremos aterrissando em breve.
    Hora de solt-la de novo.
    Cara ficou calada enquanto Alex a libertava, e nada disse quando ele franziu uma das sobrancelhas, comentando:
    - Deveria ter avisado que o cinto estava apertado demais.
    - Por qu? Isso teria aumentado o seu prazer?
    Em vez de responder, Alex roou suavemente um dos polegares pela marca na pele dela. O toque era gentil. Cara queria fechar os olhos, aproximar-se e repousar 
a cabea em um de seus ombros largos. Entretanto, puxou a mo e virou o rosto em direo  janela.
    O avio perdera altitude, e a escurido da noite deu lugar ao tom cinza que precedia o amanhecer. Ainda no havia luz suficiente para avistar nada no solo. Se 
ao menos houvesse... Cara queria, desesperadamente, ver para onde estavam indo. Uma cidade?
    Alex sentou-se ao lado dela e comentou:
    - A casa fica a poucos minutos da pista de pouso. "No pergunte nada. No lhe d essa satisfao."
    Mas a moa perguntou:
    - Que casa?
    - A minha.
    - Voc mora na Flrida?
    - Moro em Dlias. Comprei essa casa h alguns meses. Ainda no passei muito tempo aqui.
    Uma explicao simples, pensou Alex, se  que havia uma. No passara tempo nenhum ali, a menos que contasse alguns fins de semana. Vira a ilha quando estivera 
l a negcios, gostara e a comprara como um investimento. Talvez um lugar para os fins de semana. Porm, nunca pensara em nada alm disso.
    - Aquele  o aeroporto?
    Alex inclinou-se na direo da janela. Luzes iluminavam o asfalto que se estendia em direo ao horizonte,  frente deles.
    - Meu aeroporto? Sim.
    - Seu aeroporto?
    -  uma ilha particular. Isla de Palmas.
    Cara o fitou. Ento, desviou-se e encostou a testa na janela. O que esperava ver l fora? Pelo jeito que se agarrou aos braos da poltrona, uma colnia de leprosos.
    As rodas tocaram a pista. O avio aterrissou. Alex se levantou e disse:
    - Vamos.
    Cara levantou-se devagar. Ele podia ver o terror nos olhos dela. Isso era bom. Quanto mais estivesse desconfiada dele e daquele lugar, melhor.
    - Vamos aonde?
    - J disse. Sou o dono daqui, Isla de Palmas. 
    - Voc falou que havia uma casa.
    - E h- Alex pegou um dos braos dela. Cara esquivou-se. Ele voltou a aproximar-se e agarrou-lhe um dos cotovelos, dizendo: - No dificulte as coisas, querida. 
S vai lamentar.
    A porta se abriu. Cara piscou diante do repentino claro de faris. E viu um homem que os esperava no final da escada. Era mais baixo e mais velho que Alex. 
Entretanto, tinha a mesma fisionomia severa.
    - Alex. Bom ver voc! - disse o homem como se ela fosse invisvel.
    - John! Me desculpe por faz-lo levantar-se em hora to ingrata.
    - Sem problemas. Tudo est pronto conforme pediu.
    "Tudo est pronto". Cara sentiu o corao disparar. Como aquelas palavras simples poderiam ser to ameaadoras?
    Desesperada, livrou-se de Alex, desceu as escadas e foi em direo ao homem chamado John. S mais tarde, quando j no tinha mais importncia,  que percebeu 
que no se libertara por completo. Alex permitira que Cara agisse daquela maneira porque sabia o quanto aquela tentativa era intil.
    - Me ajude! Por favor, me ajude! - Cara agarrou um dos braos de John. Ela podia ouvir os passos de Alexander Knight atrs dela e sabia que tinha apenas poucos 
segundos at que ele alcanasse.
    - Fui raptada!
    Braos fortes e masculinos a envolveram. Cara lutou, mas o abrao de Alex era como ao.
    - John deve a vida dele a mim. Nada que diga vai afet-lo.
    - Vou matar voc. Droga, vou...
    Alex girou-a nos braos dele, abaixou a cabea e a beijou vrias vezes at sentir a doura da rendio de Cara.
    - Essa  a minha ilha. Tudo aqui me pertence Cara, inclusive voc.
    
    
    CAPTULO SEIS
    
    Comeou a chover enquanto o jipe acelerava ao longo de uma estrada de asfalto estreita que contornava o litoral.
    Cara tremia nos braos de Alex. Uma mulher que brincara de fazer joguinhos com um chefe do crime organizado, que recusara a ajuda do governo, enfim, tinha todos 
os motivos para tremer. Alex fazia o que era preciso para mant-la em segurana. Se estava com medo, o problema era dela.
    Sentia o corao de Cara bater forte, ouvia o tremor acelerado da respirao. Relutante, Alex viu nos seus olhos o que acontecera naquela noite: como invadira 
o apartamento dela, a arrastara para fora do chuveiro, mudara o prprio comportamento para estabelecer o controle. Tudo isso tinha sido necessrio. Se tivesse parado 
para tentar explicar a situao, podiam estar mortos naquele momento.
    Uma das coisas que se aprende sobre sobrevivncia  que h ocasies nas quais  preciso fazer o que  conveniente e se preocupar com as conseqncias mais tarde. 
E, por isso, Alex fizera muitas coisas ao longo da vida. Porm, logo as esquecera.
    O jipe passou por cima de um buraco e, num gesto automtico, ele abraou Cara com mais fora. Ela chorava em silncio. Entretanto, Alex podia ouvi-la. Ento, 
colocou uma das mos por baixo do suter dela, e Cara tomou uma postura rgida. Alex acariciou-lhe as costas, murmurando palavras suaves at senti-la estremecer 
e inclinar-se na direo dele.
    Alex disse a si mesmo que essa atitude o agradava apenas porque o jeito condescendente de Cara facilitaria as coisas. E que isso no tinha nada a ver com o fato 
de senti-la nos prprios braos.
    Quando chegaram  casa, John parou o jipe e, quando ia sair do veculo, Alex disse para que no se incomodasse, dizendo:
    - Estamos bem.
    - Avisei que estamos sem energia?
    - Suponho que o gerador que encomendei ainda no tenha chegado.
    - No. Deixei velas em todos os cmodos e alguns sanduches na cozinha.
    - Obrigado. Agora, v para casa antes que o tempo piore.
    Alex saltou do jipe com Cara nos braos. John foi embora, deixando-os sozinhos no escuro.
    - Posso andar.
    Alexander Knight a fitou. O olhar de desprezo voltara, mas ainda havia um certo tremor na voz dela. Ela estava muito assustada e fazia de tudo para no demonstrar.
    - Voc est descala.
    - Aqui  a Flrida. As pessoas andam descalas o tempo todo.
    - Certo. Suba as escadas. Agora, fique a enquanto destranco a porta. E, a propsito, nem pense nisso.
    - Pensar em qu?
    - Mesmo que encontrasse a cabana de John, ele a traria de volta. Alm disso, provavelmente, voc cairia no pntano antes de encontr-lo. Temos alguns jacars 
na ilha. J lhe contei isso?
    Alex estava mentindo? Tinha que estar. Cara olhou para os prprios ps.
    - Pode entrar - disse Alex, assim que a porta se abriu.
    A casa estava s escuras. Cara deu um passo  frente, pensou nos jacars e parou. Alex a incentivou a seguir em frente.
    - De vez em quando, temos cobras na casa, no jacars.
    Outra mentira. Tinha que ser. Som de algo riscando. Uma vela ganhou vida. O olhar de Cara percorreu o cho de madeira de lei, um tapete colorido. Nada de cobras.
    - Sem cobras, e aposto que no h jacars. O que vir em seguida? Histrias sobre o bicho-papo? - indagou Cara.
    Alex passou por ela e acendeu um candelabro.
    - No lido com fantasia. Algumas das coisas que compem a minha realidade j so fantsticas o suficiente. Est com fome?
    Cara estava faminta, porm respondeu:
    - No.
    - Sede?
    - No.
    - Isso  muito ruim. Acho que vai sofrer ao me ver comer os sanduches que John deixou para ns.
    O estmago da moa roncou. E rosnaria se tivesse que v-lo comer.
    - Voc disse que amos direto para a cama. 
    Alex a olhou e deu um sorrisinho cnico. Ela corou.
    - S quis dizer... - Cara engoliu em seco, devagar, e acrescentou: - Gostaria de tomar banho.
    - Boa idia. Primeiro, uma chuveirada, roupas secas e limpas. Depois, vamos cear.
    - No quero cear.
    - Sim, voc j disse isso. Vamos l.
    - Aonde?
    - L em cima.
    - Para qu?
    - Certo, vamos direto ao assunto. Estou cansado e de estmago vazio. Me sinto como se usasse essa camisa e esse jeans h cem anos. E algum com um par de baquetas 
comeou a tocar dentro da minha cabea. A ltima coisa que preciso  lidar com uma criana de dez anos reclamando. Eu digo a voc o que fazer, cale a boca e apenas 
obedea.
    - S perguntei...
    - Oh, pelo amor de Deus! - Alex a pegou ao colo e, ignorando os protestos dela, subiu as escadas. A porta  frente dos dois estava semicerrada. Ele a empurrou 
com um dos ombros, abrindo-a. Entrou e a colocou no cho, em p. Alguns segundos depois, uma vela brilhava na escurido.
    - Faa algo de til. Pegue alguns fsforos e acenda as outras velas - ordenou Alex.
    - Tem certeza de que confia em mim? Se tenho apenas dez...
    - Acenda as malditas velas!
    Cara acendeu-as, no por causa dele, mas em benefcio prprio. Queria ver a priso onde estava. Tudo bem, pensou. Chamar aquele lugar de "priso" era exagero. 
Ambos estavam em um quarto enorme, com lareira e uma cama dossel.
    - Satisfeita com as acomodaes?
    Cara voltou-se. Alex estava atrs dela, chegara sem fazer barulho.
    - No faa isso -- disse a moa, irritada.
    - No faa o qu? Perguntar se est satisfeita?
    - No se mova sorrateiramente. No gosto.
    - Mais alguma reclamao?
    Havia um brilho perigoso nos olhos dele, mas Cara estava cansada demais para se importar com isso.
    - Sim. Quero saber por que me trouxe aqui.
    - J disse.  um lugar seguro.
    - Nova York era um lugar seguro.
    - Certamente, se no levar em conta a cmera, as escutas telefnicas e, oh, no podemos esquecer do capanga que invadiu o seu apartamento e do outro que esperava 
na rua.
    Talvez, ele estivesse certo, mas o mais importante a considerar era que ela no tinha motivo para confiar nele. A cmera era uma armao, assim como as escutas 
nos telefones. E os chamados "capangas" poderiam ter sido enviados para proteg-la. Cara lhe disse tudo isso.
    - Acha que eu estava mentindo sobre a cmera e as escutas telefnicas? - perguntou Alex.
    - Acho que foi muito conveniente para voc encontrar esses dispositivos quando precisava que eu pensasse que era o Sir Galahad.
    Alex riu.
    - Querida, voc  muito criativa, tem uma imaginao bem frtil. E com relao quela dupla desagradvel? Ou acha que eram escoteiros enviados para proteg-la?
    Cara sabia que Alex estava certo. No acreditava que ele tivesse armado tudo aquilo, nem que os homens que ele derrubara estivessem l para proteg-la. Ningum 
estava interessado em ampar-la. Todos queriam algo que ela no era obrigada a dar, inclusive Alex.
    - Aqueles homens queriam machuc-la, querida. Por que fugir da verdade? As evidncias mostram que queriam mat-la.
    - E voc no quer?
    Alex pensou em pux-la para si e dizer-lhe que no precisava ter medo, que a protegeria... Proteg-la do homem com quem dormira, o chefe da quadrilha? Proteg-la 
do promotor pblico federal a quem ela se recusara a ajudar?
    Cinco minutos sem estar sob a influncia de Alex e Cara tentara fazer com que ele sentisse pena dela. Alex estava prestes a fazer algo estpido. Isso no aconteceria. 
Sem deixar de fit-la, ele fechou a porta.
    - Espere. Alex...
    - Sou Alex agora, tudo bem, querida? Bom. Na verdade, excelente, considerando que  hora de despir-se. 
    0 medo nos olhos de Cara era intenso e real.
    - O qu?
    - Qual o problema? Tem dificuldade em compreender o idioma? Eu disse: tire as roupas.
    - Toda aquela conversa de me proteger... Do qu? De quem? Aqui estamos, sozinhos no meio do nada, e vejo o quanto vale a sua proteo.
    - Que mente maldosa. Temos que tomar banho. S estou interessado em poupar gua - comentou Alex enquanto descalava as botas.
    Cara queria rir. Quantos sujeitos disseram aquilo para conseguir tomar banho com uma mulher? De alguma forma, esperava mais dele.
    - Estamos sem energia, lembra? No sei quando voltar. O reservatrio de gua  grande, mas cada minuto que deixamos passar, a temperatura da gua cai um pouco 
mais.
    - No vou tirar minhas roupas!
    Cara virou-se para ir embora. Alex a segurou, mantendo-a onde estava.
    - Sim, voc vai. Estou cansado, meu jeans e minha camisa esto muito sujos. Quero um banho quente, roupas limpas, alguma comida e uma cama acolhedora. No quero 
ouvir mais tolices.
    Desesperada, Cara tentou arranjar um jeito de ganhar tempo.
    - Perdemos nossa audincia. Primeiro, o policial. Depois, o piloto. Agora, seu amigo, John. Faz sentido jogar agora? A casa est vazia.
    -  isso que pensa que estou fazendo?
    Alex a encarou. De alguma forma, Cara conseguiu ficar, sem fugir, quando ele colocou uma das mos por entre os seios dela. Ela no reagiu, embora pudesse sentir 
a fora do corpo msculo naquele leve toque.
    - O seu corao est acelerado.
    - No se preocupe.
    - Mas est sob minha responsabilidade. Tenho que mant-la segura, lembra-se?
    Tenso no ar.
    - Quer que acredite que trabalha para o governo. Bem, no acredito.
    - Ento, o que est me dizendo, querida? Que se despiria para um federal, mas no para mim? - indagou Alex, abrindo um largo sorriso.
    Ser que era para rir? No quando a vida dela estava em jogo. No importava o que Alexander Knight dissesse, no era um agente federal. Cara no lidara com muitos 
funcionrios federais, mas lembrava-se como eram os dois que a visitaram. Homens de fisionomia rgida, fria, sorrisos falsos e ternos escuros. Nenhum trao de masculinidade 
em camisetas e jeans. No tocavam uma mulher e a faziam sentir-se...
    Cara livrou-se de Alex e recuou, dizendo: 
    - Posso ser sua prisioneira, mas no sou sua escrava.
    Alex ergueu as sobrancelhas. Ento, percorreu o quarto com o olhar, como se o cmodo fosse novidade para ele, assim como era para Cara, e comentou:
    - Deve ter ficado muito desapontada. Esperava grades de ao e acabou em um lugar como esse.
    0 sarcasmo dele a deixou sobressaltada, mas no se importaria.
    - Grades de ao no constroem uma priso - explicou Cara.
    - So muros de pedra. "Muros de pedra no constroem uma priso, nem grades de ao uma jaula."  melhor aprender logo se quer impressionar os camponeses.
    Cara estava boquiaberta. No conseguia acreditar. Alexander Knight recitando Richard Lovelace, um poeta pouco conhecido do sculo XVII?
    - Desagradvel, no?
    Alex abaixara o tom de voz, e o sorriso se tornara perigoso. Cara disse a si mesma para enfrent-lo e manter a prpria opinio.
    - O que  desagradvel?
    - Ser rotulado.
    - No sei o que voc quer dizer.
    Alex se aproximou e a puxou. Cara tropeou e acabou a poucos centmetros daquele corpo msculo. Assim to perto, podia ver que os olhos verdes brilhavam com 
pontas douradas, e que o queixo estava escuro devido a barba por fazer. Como seria sob as pontas dos dedos dela? spero, delicioso e sexy, pensou, incrivelmente 
sexy quando encostado s mos e ao pescoo...
    - Voc me considera algo que uma moa decente nunca iria querer por perto.
    - No  isso...
    Cara conteve a respirao quando Alex colocou as mos nos ombros dela, dizendo:
    - Sim, . E  surpreendente porque no  uma moa recatada. Voc  propriedade de Tony Gennaro: uma princesa da mfia que se acha melhor do que o homem enviado 
para proteg-la.
    - No sabe nada a meu respeito. - A voz dela tremia. Cara odiava a si mesma por causa disso, e no gostava de estar to perto daquele homem, sentir a respirao 
quente de Alexander Knight no rosto dela, as mos fortes nos ombros frgeis.
    - No acredito que tenha sido enviado para me proteger - acrescentou Cara.
    - J no falamos sobre isso? Continuo dizendo que no irei machuc-la.
    - Mas fez isso, machucou pessoas - retrucou Cara, mantendo os olhos presos aos dele.
    Algo mudara em Alexander Knight. Cara podia ver e sentir uma presena quase palpvel no quarto. Silncio entre os dois, um abismo que ela no conseguia transpor. 
E sabia disso, bastava olhar para a fisionomia dele. Sabia que cometera um erro irremedivel.
    - Alex, no quis dizer...
    -  isso que quer? Sexo selvagem com um homem como eu?
    - No! No quis dizer...
    - Sim, voc quis.  essa a mensagem que tem enviado. Fui ingnuo demais para entender.
    - Est errado. No...
    - Tire suas roupas. Est na hora. Sabe to bem disso quanto eu - avisou-a Alex enquanto levava as mos ao cinto, o mesmo que usara para amarrar os pulsos dela.
    Deus, oh, Deus, isso no podia estar acontecendo!
    - Por favor! No quero...
    - Para o inferno que no quer.
    O cinto se abriu. Alex desabotoou as calas. Cara abaixou o olhar e quase ficou sem ar ao v-lo to excitado.
    - Essa vontade surgiu no minuto em que nos vimos. E estou cansado de esperar - explicou Alex.
    Ele a puxou. Cara chutava, dava socos, lutava, mas ele era muito forte, poderoso e estava com raiva. Cara no conseguiu det-lo.
    Alex a beijou. Depois, colocou as mos por baixo do suter dela, abaixou a cabea e beijou-lhe um dos seios.
    Bastou aquele beijo e ela no pde se conter. Ela gemeu, os joelhos se dobraram e Alex a carregou at a cama. Depois, deitou-a e voltou a beijar-lhe um dos seios, 
torturando-a com os lbios, a boca, os dentes. Cara arqueou o corpo na direo dele. A razo desapareceu. Nada a no ser aquele forte desejo que pulsava nas veias 
dela.
    - Sim, assim - disse Alex, despindo-a. Depois, a ergueu na direo dele, deixando que Cara o sentisse excitado.
    S de pensar que seria daquele homem, ela quase ficou sem ar e abriu bem os olhos. Ento, viu o rosto belo, excitante, diante de si. O rosto de um estranho que 
fizera tudo, menos lhe dizer que era um assassino.
    - No. - A palavra saiu sob um sussurro. - No! - gritou Cara, consciente do poder e do tamanho da excitao de Alex. Ento, o empurrou, dizendo: - Afaste-se 
de mim!
    Por um momento, que parecia infinito, ele no se mexeu. O corpo poderoso dele a derrubara na cama e Cara pensava, "Alexander Knight pode fazer o que quiser comigo 
agora".
    E podia. No havia ningum ali para det-lo. E se fizesse isso? E se a amarrasse aos ps da cama e a tomasse? E se Cara no tivesse escolha a no ser render-se 
 paixo dele e, sim,  dela mesma?
    O corao acelerou. A sensao de Cara era a de que os ossos se derretiam. Talvez, isso estivesse visvel nos olhos dela porque, de repente, Alexander se afastou.
    - Fiz muitas coisas na vida das quais no me orgulho. Entretanto, nunca violentei ningum, mesmo quando significava obrigar uma mulher, que preferiria ser forada, 
a admitir que queria fazer amor.
    Cara levantou-se da cama e lhe deu um soco no rosto. A cabea de Alex girou para trs. Ele pegou o pulso dela e o torceu at faz-la gritar.
    - Pela segunda vez, voc est brincando com fogo. No faa isso. A menos que queira se queimar!
    Cara sabia que era melhor ficar calada. Segundos depois, Alex se levantou e comentou:
    - Vai encontrar tudo o que precisa no banheiro. Toalhas, xampu, escova, um roupo, o meu. Mas saiba que eu no planejava ter uma convidada.
    Alex bateu a porta. Cara estremeceu e caiu na cama.
    As horas se arrastavam. Troves, raios cortavam o cu. A tempestade estava sobre a ilha, chuva e vento batendo na casa com intensidade.
    Quando Cara era pequena, odiava tempestades. Tinha vagas lembranas daquela poca e do pai, de como ele entrava no quarto dela, sentava-se ao lado da cama e 
a confortava.
    "Cara, minha filha, voc deve aprender a ser corajosa. Nada pode machuc-la a no ser que permita."
    Nunca acreditara no pai. O casal se divorciara. Isso a machucara. A me morrera. Isso a machucara tambm. E, ento, numa manh, sentada  mesa na biblioteca, 
ergueu os olhos e viu um homem sorrir e dizer:
    - Meu nome  Anthony Gennaro.
    E a vida dela se transformara em uma complexa srie de reviravoltas. Preto passou a ser branco. Branco passou a ser preto. Os bons homens se transformaram em 
homens ruins, tudo em uma velocidade estonteante.
    Quem era Alex? Bom ou mau? Como Cara podia querer fazer amor com um homem como ele? Porque Alex estava certo. Ao menos, podia ser sincera consigo mesma, no?
    Cara queria ficar nos braos de Alexander. Queria sentir aquele corpo msculo. Queria gritar enquanto ele a tomava. A terrvel verdade era que no se importava 
com quem ele era - bom ou mau. Era to lindo, to msculo!
    Jamais se sentira-se assim. Cara adorou quando Alex a fitou, os olhos verdes sombrios e fogosos. E, sim, embora parecesse loucura, ela se sentira segura nos 
braos dele.
    Porm, no costumava ir para a cama com muitos homens. S houvera um. Apenas um at aquela noite, e no mudaria isso, no cederia a nenhum tipo de fantasia.
    A porta do quarto se abriu. Um pequeno feixe de luz iluminou Alex, que estava no vo da porta.
    - Cara...
    A voz dele era rude, mas no demonstrava raiva, e, sim, desejo. E Cara sabia que cederia.
    - Alex... - sussurrou ela.
    Os olhos dos dois se encontraram, e ela correu na direo dele. Alexander a abraou e a beijou, enquanto a empurrava em direo  parede.
    - Me diga o que quer - disse ele.
    - Voc...
    Alex gemeu, voltou a beij-la, e Cara correspondeu. Ele mordiscou-lhe o lbio inferior. Depois, o pescoo. Ela gemia e apertava o corpo contra o dele, querendo 
aquele homem mais do que tudo na vida.
    Cara se aproximou e o acariciou intimamente, por cima do jeans. Alex disse baixinho o que ia fazer e ela voltou a beij-lo.
    Ento, ele se despiu. Em seguida, despiu-a tambm e a tomou. Cara gritou de prazer e Alex quase perdeu o controle. O suor escorria pelo corpo msculo enquanto 
a tomava ali, encostada  parede. Ele a acariciava intimamente e sentia o calor dela. Os carinhos perduraram at Cara soluar o nome dele e voltar para seus braos.
    E, s algum tempo depois, Alex deixou que chegassem ao clmax. Com a cabea virada para trs, ele sabia que no poderia mais se controlar.
    - Cara... - sussurrou Alex, levando-a para a cama. Ele continuava excitado e a desejava...
    
    
    CAPTULO SETE
    
    O quarto estava em silncio, exceto pelos murmrios de Cara enquanto o casal fazia amor.
    Alex separou-se dela devagar. Ela o puxou para si mas Alex pegou as mos dela e beijou-lhe as palmas Depois, beijou-lhe a boca e disse que, a partir daquele 
momento, os dois tinham todo o tempo do mundo.
    Tempo para explorar e saborear a boca com gosto de mel, a pele, o pescoo, a nuca. Isso fazia com que Cara sorrisse de contentamento. E Alex repetia essas carcias, 
mordiscando-a levemente. Depois, suavizando os pequenos machucados com a prpria lngua.
    E, enquanto isso, acariciava-lhe os seios. Ele gemia diante da reao de Cara quele tormento gentil. E, por fim, se abaixou para saborear a doura daqueles 
seios, vidos pelo calor da boca masculina. E Alex adorava sentir a suavidade daqueles seios lindos, e o jeito como ela arqueava o corpo quando beijada.
    Alexander tambm gostava de todos os sons que Cara emitia. Eram suficientes para lev-lo ao limite. Entretanto, no deixaria que isso acontecesse. No dessa 
vez. Ele queria que aquele momento durasse. Queria beij-la por inteiro. Queria sabore-la. Ento, s a  que a tomaria de novo.
    Devagar, foi descendo ao longo do corpo de Cara, beijando-a, acariciando-a, sentindo o perfume. Ela se contorcia tamanha a excitao que sentia.
    - Alex... - sussurrou Cara, puxando-o para si. Havia alguma coisa naquela palavra sussurrada, no toque questionador, algo to doce e inocente que ele sentiu 
um tremor de prazer.
    - Sim, querida - respondeu Alex, tocando-a intimamente.
    Cara gritou de prazer. Alex a fitou e viu que o choque a deixara de olhos bem abertos. Ento, ele sentiu algo selvagem percorrer-lhe o sangue.
    - Gosta disso? - perguntou Alex. 
    - Oh, sim... - sussurrou Cara.
    E Alex a acariciou intimamente outra vez. O grito de prazer ecoou no silncio do quarto. Cara colocou as mos no cabelo dele.
    O gosto daquela mulher era surpreendente. Quando Cara gritou, Alex pensou que o corao pararia de bater de tanto prazer. Ergueu a cabea, queria ver o rosto 
dela naquele momento. Queria ver os olhos sombrios de desejo. O cabelo, espalhado nos travesseiros. A pele corada e mida. Alexander Knight queria mais...
    - Alex, me tome. Quero sentir voc dentro de mim - pediu Cara, a voz trmula.
    O apelo suave, o toque das mos femininas... Alex rolou pela cama. E, enquanto vasculhava a gaveta da mesinha de cabeceira, rezava. Pedia que tivesse guardado 
preservativos ali, mesmo que jamais tivesse levado uma mulher para l. Ao encontr-los, pegou um e decidiu no pensar no fato de que no usara nada na primeira vez.
    Ele voltou a beij-la e sussurrou que ela era bela Depois, mergulhou nela devagar e com cuidado Queria que aquele momento durasse para sempre. 0 calor e a suavidade 
de Cara, os murmrios dela enquanto os dois corpos se fundiam e se tornavam um s. Quando estavam bem unidos, ele comeou a se mexer bem devagar. Cada carcia era 
quase mais do que ele conseguia suportar.
    Alexander podia sentir as batidas dos coraes de ambos. Podia sentir tambm as contraes do corpo de Cara enquanto os dois eram um s. O mundo rua ao redor 
dele, que no conseguia pensar. S havia aquele...
    - No posso... - murmurou Cara.
    - No tenha medo. Estou aqui com voc. No deixarei que caia - sussurrou Alex.
    Ele sentiu o ventre dela pulsar. E, enquanto Cara gritava de prazer, Alex se desprendeu de tudo e sentiu como se voasse com ela em direo ao universo iluminado 
pelas estrelas.
    Cara acordou. A cama. O quarto. A porta da varanda aberta e a brisa do mar lhe tocavam suavemente a pele. A pele nua.
    A mente de Cara era uma mistura de pensamentos confusos, comeando com o que acontecera no apartamento e terminando ali, naquele quarto... naquela cama.
    Ser que Alexander Knight estava ali? O estranho que fizera amor com ela? Olhou ao redor, o corao acelerado at ter certeza de que estava sozinha. A menos 
que ele estivesse no banheiro. No. A porta estava aberta, e no havia ningum l dentro.
    A sensao de alvio no durou por muito tempo. Alex no estava ali, mas Cara ainda tinha que encar-lo E como iria lidar com isso? Estavam em pleno sculo XXI 
e, constantemente, mulheres dormiam com homens que acabavam de conhecer.
    Mas Cara Prescott no era assim. Nunca fora. Primeiro, tivera que cuidar da me doente. Ela trabalhava desde os 14 anos. No incio, aps a escola. Mais tarde, 
para custear os estudos na faculdade. Assim, no lhe sobrava muito tempo para sair com rapazes.
    Cara dormira com um homem apenas duas vezes em toda a sua vida, e com o mesmo. Tinha sido com o diretor da biblioteca da universidade onde trabalhara depois 
que se graduara. Era um homem bom, agradvel e de fala suave.
    A primeira vez tinha sido constrangedora. Cara se despira de um lado da cama; o diretor, do outro. Os dois se deitaram, embaixo dos cobertores, com as luzes 
apagadas. Alguns beijos. Algumas carcias. Ento, o evento principal. Um desapontamento terrvel.
    Relembrando, Cara se perguntava se ambos no tentaram de novo porque precisavam provar que o sexo podia ser melhor do que aquilo. Se foi por causa disso, falharam, 
infelizmente. A segunda tentativa tambm tinha sido lamentvel. Pior do que a primeira. Era difcil saber quem estava mais embaraado, ela ou o diretor.
    Bem, no havia nada de lamentvel sobre o que acontecera naquela cama na noite passada. Mas constrangedor? Cara ficou ruborizada. Humilhante, talvez fosse o 
termo. Fizeram amor encostados  parede. Encostados  parede! Nem sabia que era possvel fazer isso. No sabia que era possvel fazer outras coisas tambm, que um 
homem podia colocar a boca em...
    No qualquer homem - era Alexander Knight: o sujeito alto, de cabelos negros, perigoso, que a seqestrara. Cara fechou os olhos. Talvez, isso fosse o pior de 
tudo. Nem o conhecia, no sabia de onde vinha, onde morava, o que ele fazia alm de invadir as casas das pessoas e rapt-las.
    A nica coisa que sabia era que ele era um amante incrvel. Exigente, mas tambm dava em troca. Poderoso, ainda assim, gentil. Alex lhe ensinara coisas sobre 
o prprio corpo. Ele tambm lhe ensinara que era possvel se estilhaar como um cristal nos braos do seu amor.
    Embora Alex no fosse o amor dela. Era um estranho perigoso, que a mantinha prisioneira em uma ilha, que podia muito bem estar a muitos quilmetros do nada.
    Naquele momento, Cara Prescott tinha que encar-lo. "Ol, bom dia, vamos ter tempo bom hoje... E, oh, a propsito, o que aconteceu ontem  noite foi um enorme 
erro e no vai se repetir."
    Cara sentou-se na cama e afastou as cobertas. Quanto mais cedo encarasse aquela situao, melhor.
    A luz voltara. Cara tomou um banho quente demorado. Alex deve ter tomado tambm. O banheiro ainda estava embaado devido ao vapor; o sabonete, mido. A moa 
o pegou e o cheirou, imaginando que aquele perfume era o dele, que ainda podia sentir o cheiro de Alex nela...
    Mas no por muito tempo. Cara se esfregou da cabea aos ps, lavando o cheiro de sexo, de Alexander Knight, do corpo dela. Um homem que fazia amor como se fosse 
um perito no assunto manteria escovas de dente  mo para todas as mulheres que passassem por sua vida. O mesmo se aplicaria aos preservativos na gaveta da mesinha 
de cabeceira.
    Cara tentou no pensar na primeira vez do casal, pois Alex no usara nenhum preservativo. Sexo sem proteo? Onde estava com a cabea? No que pensava? A resposta, 
claro, era que no pensara em nada.
    As roupas dela no estavam mais ali. Em troca, encontrou short de brim e uma camiseta. Podia dizer que eram de Alex pela forma como ficaram nela. Na verdade, 
no vestiram muito bem. O short era muito largo, mesmo preso com um alfinete encontrado em uma das gavetas do toucador. E a camiseta parecia um vestido, ficava abaixo 
dos joelhos.
    Cara pensou em descartar o short at se lembrar de que no tinha calcinha. Ento, pensou em como seria usar apenas a camiseta sabendo que, por baixo, estava 
nua.
    Alexander Knight no saberia, a menos que Cara quisesse que soubesse. A menos que roasse o corpo nele algumas vezes, ou que se abaixasse para pegar algo no 
cho...
    Em um segundo, sentiu-se pronta para o sexo, para Alex, para senti-lo bem dentro dela de novo. Cara franziu as sobrancelhas, respirou fundo e desceu as escadas.
    A casa era bonita, grande e antiga o suficiente para ter uma rica histria. Ventiladores pareciam preguiosos nos tetos altos. Tapetes de seda orientais brilhavam 
como jias no cho claro de madeira de lei. A moblia era escandinava, quase contempornea, contrastando com os tapetes antigos. Mas tudo se ajustava com perfeio 
naquele ambiente.
    Mesmo assim, faltava algo nos cmodos. Um toque pessoal. No havia nada daqueles objetos que as pessoas colocassem em cima das mesas e penduradas nas paredes 
para dizer: Esse lugar  meu. Era como se, de fato, ningum morasse ali.
    - Ningum mora aqui.
    Cara virou-se. Alex estava em p na sala, de braos cruzados. Usava short de brim, sandlias de couro, uma camisa desbotada, com as mangas cortadas... E uma 
expresso indecifrvel. No foi fcil, porm, de alguma forma, Cara conseguir esboar um sorriso educado e perguntar:
    - Falei alto?
    - Sim. Voc est certa. Ningum mora aqui. 
    Ela acenou com a cabea, concordando. Isso era bom. Ambos estavam conversando, em vez de ela ser pega em uma armadilha a meio do caminho entre "Bom dia e Olhe 
s como o sol est brilhando!"
    - Acho que o interpretei mal na noite passada - disse.
    Alex esboou um sorriso e comentou:
    - Pensei que voc houvesse me compreendido muito bem.
    O tom de voz dele era puro sexo. Cara sentiu o rosto ficar quente, corado.
    - Quis dizer que pensei que houvesse dito que esta casa era sua.
    - E . Eu a comprei alguns meses atrs e a decorei. Bem, contratei um decorador. O mesmo que decorou a minha cobertura em Dlias. Mas, de fato, nunca morei aqui. 
Vim para c alguns fins de semana, e s.
    - Ah! - disse ela, enquanto tentava processar tudo. Aquele homem, que trocara o jeans e os tnis por short de brim e sandlias de couro, no apenas era o dono 
daquela casa, mas tambm de uma cobertura em Dlias?
    - Cara?
    - Sim?
    - O que mais quer saber?
    Ela o fitou. O sorriso desaparecera, sendo substitudo por algo intenso que parecia capaz de incendi-la.
    - No sei o que voc quer dizer.
    - Sabe, sim. Dormiu comigo na noite passada e acordou essa manh pensando que tudo tinha sido um grande erro.
    Alexander estava dizendo exatamente o que ela diria. Foi bom, no? Exceto que no tinha sido um erro. Dormir com ele tinha sido incrvel. Ser que Alex no achava 
isso?
    - Pior, percebeu que no sabe nada a meu respeito. Certo?
    Cara acenou com a cabea, concordando. Era a coisa mais segura a fazer.
    - Bem, a senhorita est certa. No me conhece. No a conheo, ou talvez eu deva dizer que o que conhecemos um do outro no  muito lisonjeiro. Provavelmente, 
voc pensa que sou um patife, frio como uma pedra, que no se preocupa com os sentimentos das pessoas, das mulheres. E tudo o que sei sobre voc  que o seu gosto 
por homens no  nada comum.
    Alexander Knight era intolervel! Aquele tom hipcrita... Como pde ter sido to tola a ponto de ter ido para a cama com ele?
    - Est certo com relao a mim e ao meu gosto por homens. Caso contrrio, nunca teria cedido a voc na noite passada.
    - Ora! Estou tentando lhe dizer que  verdade, que no sabemos nada um do outro.
    - E eu disse que estava certo.
    - No me deixou terminar. Talvez, o que pensemos saber no seja verdadeiro.
    - Est errado. O que sei sobre voc  bem preciso.  o que acabou de dizer ser: um patife frio...
    Alex a beijou. Cara arfava, bateu com as mos no peito msculo, mas ele a puxou contra si, prendendo-lhe as mos entre os corpos de ambos. Ela tentou desviar 
o rosto, mas ele segurou-lhe a nuca com fora, no deixando que escapasse do beijo.
    - Patife...
    - Cale a boca e me beije - sussurrou Alex. 
    "No", a moa disse a si mesma, "no, no, no..."
    Cara colocou os braos ao redor do pescoo dele e retribuiu o beijo com a paixo contida, por tanto tempo, no corao.
    Alex a pegou nos braos... E a carregou at a cozinha, colocando-a em um banco perto de uma bancada branca. Ento, parou para um beijo mais intenso.
    - Sabe o que vai acontecer agora? - indagou Alexander.
    Cara esboou um sorriso que evocava uma risada maliciosa.
    - No ainda. Primeiro, vamos comer. Caf-da-manh ou almoo ou ceia ou o que quer que seja que voc queira chamar essa refeio. Ns no comemos nada. Me ajude 
aqui, querida. - disse Alex.
    Cara riu. Isso o encantou. Ainda no a ouvira rir antes. Como parecia t-la conhecido toda a vida se nunca ouvira rir at agora?
    - Sabe cozinhar? - perguntou Cara.
    - Vai lamentar tal ceticismo, senhorita Prescott. Claro que sei cozinhar. Como acha que sobrevivo?
    - Com um congelador repleto de comida pronta.
    - Certamente. E tambm comida entregue em casa.
    Alex abriu a geladeira e comentou:
    - E sobras, graas s cunhadas que imaginam que eu morreria de fome sem a ajuda delas.
    - Voc tem irmos?
    - Sim. - Alex virou-se, uma dzia de ovos em uma das mos e um pedao de bacon na outra. - Dois. No fique to surpresa, querida. Sou humano como qualquer um.
    Cara ficou corada e comentou:
    - No quis dizer...
    - Sim, voc quis, e ningum poderia culp-la. - Alex abriu um armrio da cozinha, pegou duas frigideiras e as colocou em cima do fogo.
    - Tudo bem - disse, colocando tiras de bacon em uma das frigideiras e acendendo o fogo.
    - Aqui vo os detalhes pertinentes. Alexander Knight. Bem, isso voc j sabe. Idade: trinta. Moro em Dlias onde tenho uma sociedade com os meus irmos em uma 
firma que se chama Especialistas em Gerenciamento de Risco. Mas, at alguns anos, eu trabalhava para o Servio Secreto Federal, que me pediu que tomasse conta de 
voc.
    - E no seu mundo, o que isso significa exatamente? - perguntou Cara.
    Alex quebrou os ovos para dentro de uma tigela grande, acrescentou leite e comeou a bater at criar espuma.
    - Isso significa fazer o que for preciso para manter algum em segurana.
    - E, nesse exato momento, eu sou esse algum?
    - Sim.
    - E se a pessoa em questo  mulher, voc sempre dorm...
    Alex a beijou antes que Cara terminasse a frase.
    - No. Quebrei as regras ao fazer amor com voc... Mas no me importo. A verdade  que soube que a queria no primeiro minuto em que a vi.
    - Pensei que tinha sido enviado para me matar.
    - Aquele patife do Gennaro! Quando colocar as mos nele...
    - No faa nada com ele. Gennaro no...
    Cara dissera a coisa errada. Bastou fit-lo para saber.
    - Alex, no quis dizer...
    - Esquea.
    - No, por favor. Voc no entende.
    - Entendo, tudo certo.
    - No entende!
    - Tony G ainda  o seu dono.
    - Isso no  verdade!
    -  claro que !
    Alex se encaminhou para a porta da cozinha. Cara foi atrs dele.
    - Eu estava certa. Voc  um patife hipcrita! - disse, batendo com um dos pulsos em um dos ombros dele.
    Alex virou-se e a encarou.
    - Cuidado. Lembra-se do que eu disse sobre me provocar?
    - Anthony Gennaro no era meu amante!
    - No? Ento, o que era? Sua verso particular do Papai Noel?
    Cara o fitava, odiando Alexander Knight pelo fato de ele acreditar que ela era amante de Gennaro. E odiando a si mesma por deixar que isso tivesse importncia... 
E desejando poder lhe contar a verdade.
    - Sem resposta? Sem problemas. A casa  grande. H trs quartos de hspedes. Escolha um. Com sorte, vamos ficar longe um do outro at que isso acabe.
    - At que acabe o qu? O FBI quer que eu testemunhe sobre algo que no sei o que . Algum quer me matar e no sei quem . Voc entra na minha vida, vira tudo 
de cabea para baixo, me diz que Anthony Gennaro  meu dono e a... E a me seduz...
    Cara ficou muda, fitando-o, desesperada. Ento, virou-se.
    - Cara...
    - Me deixe sozinha. No quero mais falar com voc.
    Alexander tambm no queria falar com ela. Em vez de lhe dizer que ainda estava presa a Anthony Gennaro... S que ela no fizera isso. Tudo o que fez foi defender 
Gennaro da afirmao de que o mafioso a queria morta. Se no acreditava nisso, como poderia culp-la? Afinal, Cara tinha sido amante de Gennaro...
    Ela tambm dissera no ter sido amante do mafioso. Talvez, fosse verdade. Ou no fosse. Talvez, no tivesse importncia. No dia anterior, sentira-se to bem 
nos braos dele, to inocente no jeito como reagia aos seus carinhos! O passado de Cara no tivera importncia. Por que deveria ter agora? Alex pigarreou. Depois, 
insistiu:
    - Cara?
    - V embora!
    A voz dela estava trmula. Cara tremia. V-la assim, magoada, sozinha e com medo, tudo isso o angustiava. Ento, deu um passo  frente, dizendo:
    - Querida, me desculpe. No deveria ter dito aquelas coisas.
    - Disse o que pensa. E  isso que importa.
    - Querida, olhe para mim.
    Cara levantou a cabea. O corao de Alex acelerou ao ver lgrimas nos olhos dela.
    - Eu estava com cimes. Voc defendeu Anthony Gennaro e eu pensei... Mesmo depois de ontem  noite, mesmo depois de todas aquelas horas nos meus braos, ela 
ainda pensa em outro homem.
    - No sou assim.
    - No, no . Eu deveria ter percebido isso, mas no percebi. Vamos ficar aqui por um tempo. Acha que poderamos nos conhecer um pouco mais?
    - No tem que me conhecer para me manter em segurana.
    - Sim, eu sei.
    - Por qu?
    - Porque algo est acontecendo aqui, querida. No sei o que , mas no vou embora nem deixarei que v at que ns dois saibamos o que .
    No era um compromisso, mas estava muito perto de ser. Era loucura. Alex no conhecia Cara. Ela tambm no o conhecia. Ele lhe dissera isso h poucos instantes, 
e era a verdade.
    E, ainda assim, tudo parecia certo. Cara, nos braos de Alex. A boca doce enquanto a beijava. O suspiro dela que se misturava  respirao dele.
    Alex a segurou no colo. Passou pelo fogo, pegou a frigideira repleta de bacon queimado e a jogou dentro da pia. Se a casa pegasse fogo, no seria por causa 
de uma frigideira com bacon. Seria por causa do que acontecia quando Cara Prescott estava na cama de Alex.
    
    
    CAPTULO OITO
    
    Os dois se amaram. Cara j havia lido sobre diferentes formas de se fazer amor, mas jamais imaginara que pudessem ser reais.
    Alex a ergueu. Depois, desceu-a devagar de modo que ela pudesse ver os olhos dele sombrios de desejo enquanto a tomava para si, e os dois corpos se fundiam, 
tornando-se um s.
    Ao v-lo sob a luz da manh, Cara se perguntou se realmente era possvel fazer amor com ele. Deve ter sido fcil ler os pensamentos dela porque Alex sorriu com 
malcia enquanto rolava com Cara de forma que ela ficasse embaixo do corpo msculo. Ento, lembrou-a de que os dois corpos se encaixaram com perfeio na noite anterior. 
E se encaixavam naquele instante tambm, outra vez. No importava a forma.
    Cara Prescott agira com cautela com os homens do mundo real, resistira aos agentes do FBI e a Anthony Gennaro... Mas adorava a sensao de ser tomada por Alex, 
de ser dele. Gostava de tudo que ele lhe ensinava sobre fazer amor, sobre amor, sobre am-lo.
    E, diante desse pensamento, Cara o afastou. Ningum mencionara nada sobre amor, nem faria isso. Ela podia ser inocente com relao ao sexo e aos homens, mas 
no era tola.
    Aquilo no tinha nada a ver com amor. Era rpido demais, muito irreal. Um homem como Alexander Knight no se apaixonaria por uma mulher como Cara Prescott. Em 
outras circunstncias, se no houvesse perigo, ele no a teria olhado duas vezes.
    Cara sabia disso. Alm do mais, mal o conhecia. No era possvel se apaixonar por um estranho. Era?
    O sol se punha no horizonte quando Alex gemeu. A impresso era a de algum sentindo dor. Cara ergueu a cabea e o fitou, perguntando:
    - Qual o problema?
    - Estou morrendo.
    - De qu?
    - De fome. - Alex pegou uma das mos de Cara e a colocou em cima da barriga dele.
    - V? No sou nada a no ser pele e osso.
    - Mmm - comentou Cara e acariciou o corpo msculo, dizendo:
    - Espere um minuto. O que  isso?
    A jovem deu um grito quando Alex a colocou embaixo dele e explicou:
    - Se no sabe o que , Chapeuzinho Vermelho, vou ter que lhe mostrar.
    Cara riu e Alex sorriu, comentando:
    - Srio, querida. Estou faminto.
    - Tambm estou. O que vamos fazer com relao a isso?
    - Bem... Podemos pedir que entreguem pizza, mas...
    - Mas?
    - A entrega poderia levar algumas horas.
    - No temos caf-da-manh? Pensei que voc tivesse feito ovos com bacon.
    - O bacon queimou, graas a voc.
    - Graas a mim?
    - Estou avisando. Pense em uma comida ou John vai encontrar nossos esqueletos de manh.
    - Tudo bem. Sem pizza. Que outras escolhas temos?
    - Uma ida de barco  ilha principal para jantar.
    - E quanto tempo levaria?
    - At tomarmos banho, nos vestirmos, rezarmos para que o vento esteja propcio... Em outras palavras, as mesmas horas.
    - Ento, ns dois estamos destinados a morrer de fome?
    - Se me lembro bem, h bifes no congelador. E aposto que John colocou na geladeira ingredientes para uma salada.
    O estmago de Cara fez barulho. Alex riu e a beijou. Ento, levantou-se, e pegou o short. Depois, pegou uma das mos da jovem e a fez levantar-se tambm, dizendo:
    - Espero que isso seja um voto de "sim" para jantarmos em casa.
    - Voc prepara os bifes e eu fao a salada. Ei! No posso descer assim! - comentou ela quando Alex a conduziu em direo  porta.
    Alex a olhou. Cara estava nua, a pele rosada devido s horas que passaram fazendo amor, o cabelo emaranhado e, incrivelmente, sexy.
    - Assim como? - perguntou, mas o tom inocente foi arruinado pelo brilho no olhar.
    - Dessa forma - respondeu Cara, corando. Naquele instante, embora estivesse faminto, Alex soube que queria esquecer e deit-la de novo na cama.
    - Voc  to bonita!
    - Voc tambm. Mas eu no posso descer sem roupas.
    - Por qu?
    - Bem, algum pode ver.
    - Eu vou ver. E gosto dessa viso: voc nua.
    - John...
    - Quando estou aqui, ele no vem  casa sem telefonar antes. E no faa essa cara, querida. Isso tem a ver com o fato de que gosto de privacidade, no com a 
escolha dos convidados.
    Alex hesitou. No tinha a menor idia por que queria lhe dizer isso, mas mesmo assim disse:
    - De qualquer forma, nunca tinha trazido uma mulher aqui.
    - Os preservativos...
    - Eu os tinha perto da cama e nunca se esquea de usar um... Ontem  noite, foi exceo. Jamais havia esquecido antes.
    O instinto lhe dizia que o fato de no ter lembrado do preservativo tinha menos a ver com esquecimento e mais com outra coisa. Alex tentava achar uma razo, 
porm, no conseguia. Alm do mais, naquele exato momento, devia tranqilidade a Cara.
    - Sou saudvel, Cara. Voc tem o direito de saber disso.
    - Tambm sou. E esse perodo do ms  seguro para mim. No me olhe assim!
    - No deu para evitar. Pensei que as mulheres haviam parado de ficar com o rosto vermelho quando deixaram de usar espartilhos.
    - Preferia no ficar vermelha.  horrvel.
    -  maravilhoso. - Alex acariciou-lhe o rosto e a beijou, adorando o jeito como Cara se encostava nele como se ele fosse tudo o que ela precisava no mundo. O 
beijo durou um bom tempo. Alex s parou de beij-la porque sabia que, se no fizesse isso, os dois nunca deixariam o quarto. E ambos precisavam de comida, de energia. 
No apenas porque s assim poderiam fazer amor para sempre, mas em caso de algo acontecer.
    Que inferno! Alex tinha que checar a casa, as coisas com John. Quase se esqueceu que Cara corria perigo. E ela corria perigo. Aquela dupla de capangas em Nova 
York no estivera l para uma visita social.
    Esse era o problema em se misturar negcios com prazer. Perdia-se o foco. A ateno vagava. E se algo acontecesse a ela... Se deixasse qualquer coisa acontecer 
a Cara...
    Alex deu um passo para trs e disse:
    - Tudo bem, vista o meu roupo. Vamos descer e preparar o jantar.
    Os dois se vestiram. Cara usava um roupo felpudo que ia at os ps. Alex colocou jeans e uma camiseta. Sim, havia bifes no congelador; alface e tomates na gaveta 
da geladeira.
    Ambos trabalharam em silncio. Alex descongelou os bifes no microondas. Cara lavou a alface, a cortou dentro de uma tigela de madeira e a temperou. Porm, uma 
repentina tenso pairava no ar. 
    A noite j havia cado quando o jantar ficou pronto. Cara seguiu Alex at uma enorme sala muito bonita. O cho de pedra azul se estendia em direo  piscina, 
suavemente iluminada por luzes subaquticas. Plantas viosas perfumavam o ambiente.
    Cara virou-se para Alex, ansiosa para lhe dizer o quanto gostara daquele lugar. Entretanto, ele no estava olhando para ela. Em vez disso, estava ocupado, acendendo 
a grelha - mais ocupado do que deveria ao fazer uma coisa to simples.
    O corao dela parecia bater devagar. Queria ir ao encontro de Alexander e perguntar-lhe o que estava acontecendo. Ser que se arrependera por terem feito amor?
    - Alex? - sussurrou.
    Ele virou-se na direo dela, o rosto sem expresso, e perguntou:
    - Est bom um merlot?
    - O qu?
    - Para beber. Pensei em abrir uma garrafa de vinho tinto merlot.
    H meia hora, Cara teria dado uma risada e admitido que no saberia diferenciar o vinho merlot do mgico Merlin. Mas no faria isso agora.
    - Cara?
    - Sim. Um merlot parece bom.
    Alex saiu e voltou com uma garrafa, um saca-rolhas e duas taas nas mos. O vinho tremeluzia como granadas enquanto ele o colocava nas taas, e parecia seda 
quando Cara o bebeu. Porm, ela no sentira o gosto.
    A salada tambm no tinha gosto nenhum, embora Alex tenha ressaltado que o molho estava timo. Cara tambm lhe disse que os bifes estavam maravilhosos.
    - Ento, por que no est comendo? -- questionou.
    - Acho que no estou com tanta fome como pensei.
    - Eu tambm.
    Silncio. Por fim, ele pigarreou e comentou:
    - Eu lavo a loua enquanto voc prepara um pouco de caf, certo? Eu fao o pior caf do mundo. Caso contrrio, me ofereceria para...
    As palavras esmaeceram. Cara o fitava, os olhos sombrios. Alexander sabia o motivo. Ele a tratava com a devida deferncia a uma estranha. E no eram mais dois 
estranhos. No agora, depois de tudo o que compartilharam. Perigo. Discusso. Raiva. Risada. Acima de tudo, todas aquelas horas nos braos um do outro.
    Alex jogou o guardanapo em cima da mesa e empurrou a cadeira para trs. A taa dele caiu no cho. Quem se importava com uma taa quebrada quando magoara o corao 
de Cara?
    - Querida, me desculpe - disse, tomando-a nos braos.
     No h nada o que perdoar.
    - Sim, h. Estou tentando manter uma distncia profissional. Entende?
    - No diga mais nada. Sei que sou um encargo. No tem que...
    Alexander a beijou com vontade. As mos msculas seguravam o rosto de Cara. Para que ela no pudesse se virar e no interpretasse de forma errada como ele se 
sentia em relao a ela. Quando, por fim, Cara emitiu um gemido e colocou as mos no peito dele, Alex suavizou o beijo e a manteve bem junto de si.
    - Sim. Voc era um encargo, uma tarefa. Eu tinha que mant-la em segurana. Mas como posso mant-la segura se eu me esquecer de quem sou? Tenho que ser Alexander 
Knight - especialista em gerenciamento de risco, ou o que quer que seja que queira dizer a meu respeito. Intransigente. Nunca distrado.  assim que um homem na 
minha profisso tem que ser quando est trabalhando. Mas a, voc apareceu e eu me transformei em outra pessoa.
    - Eu gosto muito dessa outra pessoa.
    - Eu tambm, querida. Mas se eu no estiver atento, se perder o foco, algo pode passar despercebido. Algo pode acontecer a voc e se...
    - Nada vai me acontecer. No com voc tomando conta de mim.
    - No subestime Anthony Gennaro. No  s porque dei conta daqueles palhaos em Nova York...
    - Anthony Gennaro nunca me ameaou.
    - Como o mafioso no a ameaou! Era por isso que o FBI a queria sob custdia.
    - Os agentes federais que vieram at mim insistiram que eu sabia muitas coisas sobre os negcios de Gennaro. E que ele mandaria me matar por causa disso. Tudo 
bem. Anthony Gennaro  um criminoso. Mas no sei nada sobre essa parte da vida dele. E a verdade  que ele nunca me machucou. E sei que no faria isso.
    - No vamos falar desse homem, certo? O seu relacionamento com o mafioso faz parte do passado. Faa um favor a ns dois e esquea.
    - Me escute. No fui amante, nem namorada, nem o amor da vida dele. Era a bibliotecria contratada para catalogar uma coleo de livros raros que ele comprou 
em um leilo. Gennaro foi at a minha sala na universidade, onde eu trabalhava, e me ofereceu o emprego. Eu no sabia nada sobre o homem, apenas que estava me dando 
uma oportunidade nica na vida.
    - Como bibliotecria?
    - Exatamente. Eu trabalhava para ele. No dormi com Gennaro, pelo amor de Deus! Eu no podia, no iria porque...
    - Por qu?
    - Porque no era o tipo de coisa que Gennaro queria de mim. Porque no sou esse tipo de mulher. Porque, antes de voc, eu s estive com um homem e no foi nada 
parecido com o que senti nos seus braos, com o que me faz sentir...
    Alex murmurou um palavro, a colocou nos braos, mantendo-a perto. Tentou beij-la, mas Cara virou o rosto.
    - Se no pode me aceitar como sou, se eu vir dvida nos seus olhos toda vez que fizermos amor... Ento, o que aconteceu ontem  noite, o que aconteceu hoje, 
tudo foi um erro.
    Alex j havia recebido ultimatos de mulheres. Diga que me ama, ou est tudo acabado. Me pea em casamento, ou vou embora. Um homem esperava por isso, mesmo quando 
sempre deixava claro que no estava assumindo nenhum compromisso duradouro. Porm, nunca recebera um ultimato dado com tanta dignidade. E ele adorara o jeito de 
Cara, o queixo erguido, o orgulho no olhar...
    - Alex?
    - Est certa. Eu no tinha o direito de lhe fazer perguntas ou de duvidar de voc. Me desculpe, querida, prometo que isso no vai acontecer de novo.
    - Jamais mentiria para voc, Alexander. Nunca mentiria sobre nada.
    Ele adorou o jeito de Cara dizer o nome dele, a forma como os olhares dos dois se encontraram.
    - Ento, vai responder a qualquer pergunta que eu faa? A verdade, a mais completa verdade e nada alm da verdade?
    Alex sorriu para se certificar de que ela compreendesse que era uma brincadeira. Depois de um segundo ou dois, ela retribuiu o sorriso.
    - Aham. - Cara colocou as mos embaixo da camisa dele, acariciando-o no peito.
    - O que quer saber?
    Alex abaixou a cabea e mordiscou-lhe suavemente a boca, dizendo:
    - Para comear, como consegue ser to bela? E to corajosa? Muitas mulheres desmaiariam se um estranho entrasse na casa enquanto estivessem tomando banho.
    Cara riu e perguntou:
    - Voc j havia passado por uma experincia dessa? 
    - Acredite em mim. Nunca havia tirado uma mulher do chuveiro, no antes de conhec-la. E quando aquele desgraado entrou no apartamento... A senhorita nem piscou.
    - Voc estava comigo.
    Cara disse aquelas palavras com uma convico to simples que Alex sentiu-se envaidecido.
    - Me desculpe. No que eu estivesse com voc. Graas a Deus, eu estava. Me perdoe por ter sido to rude, querida - disse e a beijou.
    - Voc estava apenas fazendo o seu trabalho.
    - No. Eu a estava julgando. E no tinha o direito de fazer isso. J vi coisas horrveis nesse mundo. Homens com tanto sangue nas mos que nem mesmo lavando-as 
conseguiam se livrar dele.
    - Voc era soldado?
    - Sim. - Alex hesitou. Nunca falava sobre o que pensava a respeito da sua vida anterior, exceto com os irmos que tambm tinham vivenciado as mesmas experincias. 
- Foras Especiais. Foi assim que John e eu nos conhecemos. Nossa unidade ficava a anos-luz daqui.
    - E voc salvou a vida dele?
    Droga, por que lhe dissera aquilo? Apenas para se certificar de que ela compreenderia que no podia pedir ajuda a John? Agora, tinha que dar uma explicao, 
nem que fosse breve. Alex no queria assust-la, assim como no queria falar de si mesmo ou dos dias que passara se recusando a acreditar na vida depois que fora 
atrs de John... E antes de livrar os dois daquela situao difcil.
    - No foi tanto assim. Colocamos um explosivo em um prdio. Tnhamos apenas alguns segundos para sair. John foi baleado, caiu e...
    - E voc voltou para busc-lo - completou Cara.
    E foi baleado, assim como John, e capturado. Passou dez dias sendo torturado antes de matar o guarda e conseguir sair levando John consigo. No contaria isso 
a Cara de modo algum.
    - Sim. Todos ns ramos assim. Depois das Foras Especiais, fui recrutado por um servio secreto governamental. Fiquei l alguns anos. Mais tarde, abandonei 
tudo e nunca voltei a pensar nisso, at o sujeito que dirige o Servio Secreto me pedir para assumir essa tarefa.
    - Eu.
    - No, no mais. Voc no  mais uma tarefa, um encargo, querida, voc...
    " a coisa mais importante na minha vida", Alex quase dissera, mas era loucura. No concordaram que mal se conheciam?
    - Voc  especial. Passei muito tempo lidando com gente de m ndole como Gennaro - homens que, para satisfazer o prprio egosmo, matam aqueles que no conseguiram 
corromper. Talvez, seja por isso que no consegui imagin-la fazendo parte da vida dele. Entende?
    Cara acenou com a cabea, concordando. O rosto dela estava plido, mas por qu no estaria? Ele era um tolo! Estavam juntos apenas duas noites, e j estava falando 
sobre violncia com ela!
    - Querida, me perdoe. Falar disso no jantar...
    - No pea desculpas. Estou contente que tenha explicado. Quero saber tudo sobre voc.
    - Tambm - retrucou Alex, e puxou a faixa do roupo, abrindo-o. Depois, a apreciou e sentiu-se excitado.
    - J lhe disse que  adorvel?
    Cara sorriu. Alex beijou-a no pescoo.
    - Adorvel e deliciosa. Aqui, e aqui - ele sussurrou, acariciando e beijando-lhe os seios.
    Cara deu um daqueles gemidos sensuais que Alex adorava.
    - No precisa disso - comentou ele, tirando-lhe o roupo.
    - Alex...
    - Shh, querida. Deixe-me fazer amor com voc. No. No faa nada. Deixe-me apenas toc-la e ver o seu rosto. Quero ver o que lhe d prazer.
    "Tudo", Cara pensou, "tudo o que esse homem me faz me d prazer". Alex comeou a acarici-la intimamente. Cara sussurrava o nome dele. Porm, ele no respondia. 
Os olhos estavam presos aos dela. Devagar, Cara correspondia ao seu toque.
    - Gosta disso? - sussurrou Alex, acariciando-a intimamente e beijando-lhe os seios. Ele estava vestido e Cara, despida,  merc dele. Sem roupas e adorando o 
que ele estava fazendo. Gostava de sentir as mos e a boca do homem que a raptara.
    Cara amava aquele estranho, perigoso e apaixonante... "Amo voc", a moa pensou, "amo voc..." Ela cedeu s carcias de Alex e gritou de prazer, se abandonando 
em seus braos.
    - Shh, est segura, querida. Eu a tenho bem aqui nos meus braos - disse ele, silenciando-a com um beijo.
    Depois, a ergueu e a carregou at a espreguiadeira ao lado da piscina. Devagar, sem desviar os olhos dos dela, se despiu. Cara o acariciou intimamente e o guiou 
para que os dois corpos se fundissem e se tornassem um s.
    Uma sensao de prazer percorreu o corpo de Cara. Alex gemeu, sussurrou o nome dela e juntos atingiram o clmax sob a noite quente que brilhava no cu tropical.
    
    
    CAPTULO NOVE
    
    Dias quentes e ensolarados. Noites frias e estreladas.
    E Alexander Knight sempre nos braos de Cara Prescott. O que comeara como um pesadelo se transformou em um sonho.
    Cara virou o rosto em direo ao cu enquanto gotas d'gua molhavam os dedos dos ps. No era um sonho. Porm, se realmente fosse um sonho, esperava nunca acordar.
    Um homem a assusta tanto que voc pensa que vai morrer de pavor. Ele tem uma arma e um comportamento que, levando em considerao o que os agentes do FBI tinham 
dito, poderia ter vindo para mat-la. Em vez disso, transforma-se no homem pelo qual voc esperou a vida inteira.
    Como Cara descreveria Alexander Knight? Se tivesse que escolher as palavras certas, quais adotaria? Ela fizera cursos relacionados a biblioteconomia, mas grande 
parte da graduao se concentrara na lngua inglesa. Para ser mais exata, um curso voltado para escrever histrias, peas de teatro e poemas. Isso significava que 
no era aceitvel usar muitos adjetivos.
    Assim dizia a classe intelectual... Mas, ento, talvez a classe intelectual no tivesse conhecido Alexander Knight. Ele era forte, astuto, protetor. Era bonito, 
embora Cara tivesse a sensao de que ele ficaria arrepiado se ela usasse aquela palavra por ser um homem de fazer o corao de qualquer mulher quase parar de bater. 
E os homens no eram dados a esse tipo de pensamento, de se considerarem " bonitos" Mas Alex era - o rosto, o corpo. Bonito era a nica palavra para descrev-lo.
    Alm disso, era divertido. Ele conseguia fazer com que Cara risse, o que podia ser considerado um milagre. Fazia muito tempo desde a ltima vez que a moa dera 
uma risada.
    Cara tinha a sensao de que ele tambm no rira muitas vezes na vida. De vez em quando, ao ligarem a tev e assistirem s notcias, o olhar de Alex parecia 
assombrado diante das coisas que via acontecerem no mundo.
    Cara sentia que Alexander Knight vira mais do que um homem deveria em relao ao lado escuro da natureza humana. J se surpreendera ao tomar conhecimento de 
que ele sabia pilotar. Ento, descobriu que ele tambm sabia navegar e tinha um barco a vela de 34 ps.
    Na primeira vez que saram de barco, Alex permaneceu ao leme, abraado a ela. Quer tentar? perguntara, tirando as mos do leme. E Cara rira, dizendo que no 
podia.
    Ela podia fazer qualquer coisa desde que sua mente quisesse, Alex lhe dissera. Ento, Cara pilotou o barco e aprendeu a equilibrar as velas e o leme. Gostava 
de fazer isso. Porm, gostava ainda mais quando ancoravam e faziam amor no convs, o sol da Flrida aquecendo os seus corpos.
    Alex sugerira que velejassem at Miami Beach, assim poderia comprar-lhe roupas. E, com a face corada, ela lhe dissera que s precisava dele. O que aconteceu 
em seguida fez com que valesse a pena ficar ruborizada. Alm do mais, era verdade. Cara tinha o prprio conjunto de moletom e as camisetas dele. Do que mais precisava?
    Nem de suti nem de calcinhas. Por que iria precisar dessas coisas? Seriam um impedimento para as mos de Alex. Oh, aquelas mos msculas embaixo da camiseta 
de algodo, acariciando-lhe os seios, o ventre, tocando-a... Os olhos verdes de Alex repletos de desejo... Seria chocante o fato de Cara ter se transformado em uma 
mulher que sempre queria fazer amor?
    "Sexo pode ser perigoso", a me dela dissera durante uma conversa sobre garotos, quando Cara ainda era adolescente. "E pode ser maravilhoso.  por isso que voc 
deve esperar para que isso acontea quando tiver idade suficiente para tomar decises com responsabilidade."
    Cara no havia entendido aquele sbio conselho. Quando soube a verdade sobre a me, pensou que ela tivesse alguma razo. Sexo, obviamente, era perigoso. Mas 
maravilhoso?
    Algo que tornava uma mulher estpida no era maravilhoso. Errado. Cara sentou-se na areia e abraou os joelhos. Sexo era maravilhoso, se voc estivesse com o 
homem certo. A me no estivera, mas a filha estava. Alex era o homem certo, o nico.
    A cada dia, a cada noite, Cara Prescott se sentia mais apaixonada por Alexander Knight. O que seu corao ansiava saber era o que ele sentia. Ela sabia que era 
mais do que atrao fsica. Podia afirmar isso pelo jeito como Alexander a segurava depois que os dois faziam amor. E pela forma como a chamava de "querida" e "doura". 
No incio, esses apelidos foram usados com uma frieza proposital. Entretanto, agora, eram ditos com ardor.
    - Bom dia, doura.
    Cara olhou por cima dos ombros. Alex vinha na direo dela: o cabelo molhado, gotas de gua brilhando no cabelo negro sedoso. Ele ainda no se barbeara - tinha 
um cavanhaque sexy. E estava sorrindo.
    - Bom dia.
    Cara estendeu-lhe uma das mos. Alex a levantou, puxando-a para os braos dele, de forma que pudesse beij-la.
    - Acordei voc? Tentei no fazer isso - disse Cara, sorrindo.
    - A cama vazia me acordou. Por que saiu de l?
    - No sei. Senti o sol no rosto, ouvi o barulho do mar. Sua ilha  to bonita!
    - Voc  que  bonita.
    Outro beijo, dessa vez, mais longo. Cara se derreteu toda. Era a nica palavra para expressar o que sentia quando Alex a segurava.
    - Tenho uma idia - ele falou.
    - Mmm?
    - Vamos tomar caf-da-manh rpido. Depois, velejaremos at a ilha principal.
    - Mas no preciso de...
    - Adorei sua resposta, querida. Entretanto, quero lhe mostrar South Beach. Por favor, me deixe fazer isso.
    Cara sabia que Alex estava falando srio. E a verdade era que ela ficara curiosa com a idia de conhecer a lendria South Beach.
    - Claro, voc ter que pagar um preo - comentou Alex, a voz rouca.
    - Um preo? No sei nada sobre isso, Alexander - sussurrou ela.
    Ele adorava quando Cara dizia o nome dele daquela forma. Adorava quando ela parecia sem ar, como naquele momento. Ainda no conseguia se controlar nem sabia 
quantas vezes a desejara. Sempre tivera um bom apetite sexual. Entretanto, o desejo por Cara estava alm de qualquer coisa que experimentara, assim como a reao 
dela.
    - Vamos ver.
    Devagar, Alex levantou a camiseta dela e comeou a acariciar-lhe os seios. Cara murmurava de prazer e isso era tudo o que ele podia fazer para evitar deit-la 
na areia e tom-la. Achou melhor esperar, prolongar o momento.
    Alex tirou a camiseta e despiu o short. Os olhos de Cara seguiam os gestos dele.
    - Me deixe... - sussurrou Cara, acariciando-o intimamente.
    - Feiticeira! - gemeu Alex e os dois se deitaram na areia.
    Cara sabia que aquele momento deveria ser algo familiar, j conhecido, mas no era. Jamais seria. Cada vez que faziam amor, era diferente e maravilhoso. Ele 
era msculo - o rosto e o corpo, a forma como a acariciava. Hoje, queria acarici-lo.
    Quando Alex se aproximou, Cara balanou a cabea e, suavemente, o empurrou, dizendo:
    - Minha vez.
    Os olhos dele ficaram sombrios. Cara comeou com a boca de Alex. Como gostava daquela boca: era esculpida, sensual! Ela lhe disse isso traando o contorno dos 
lbios com a ponta da prpria lngua, sentindo o gosto antes de mordiscar-lhe o lbio inferior.
    - Mmm - sussurrou Cara, acariciando-lhe o queixo, brincando com os dedos sobre a barba sexy, tpica de quem ainda no se barbeou. Adorava sentir a deliciosa 
textura rude daquela barba.
    Devagar, explorou o corpo dele. A musculatura forte, os plos do peito, a linha sedosa que conduzia ao abdome.
    - O que  isso? - perguntou Cara, passando um dos dedos em cima de uma cicatriz no ombro direito.
    - Apenas um ferimento.
    - Um ferimento?
    - Coisas acontecem. - disse ele, de forma que soasse como algo banal. Entretanto, Cara duvidava. Ele tinha outra cicatriz, longa e estreita, no peito.
    - E isso? Outra coisa que aconteceu, certo? - indagou Cara.
    Alexander Knight estremeceu, mas no respondeu. Ela abaixou a cabea e pousou os lbios sobre a cicatriz. Era como se, beijando-a, pudesse afastar o que quer 
que fosse que ele quisesse esquecer.
    - Ao menos vai me contar sobre isso? - perguntou, tocando na guia tatuada em um dos bceps musculosos de Alex.
    - Coisa de criana. Tenho dois irmos... J falei deles? Cam e Matt. Cam estava indo embora, para a faculdade. Era a primeira vez que amos nos separar e fazer 
tatuagens parecia uma boa idia na poca. Loucura, no?
    - No, uma atitude bonita - murmurou ela, empurrando-o de encontro  areia. Alexander deixou que Cara agisse, embora ela soubesse que ele poderia domin-la com 
facilidade. E Alex ficou quieto enquanto ela o tocava, apesar de lhe custar muito.
    Os msculos dele se retesaram sob aquela mo investigadora e, depois de um tempo, a pele brilhava de suor. Cara se abaixou e o beijou ao longo do torso com delicadeza.
    Ele ficou excitado, mas Cara no o tocou intimamente. Em vez disso, continuou provocando-o como Alex sempre fazia com ela. Acariciou-o, beijou-o, at ele gemer. 
S ento, o acariciou e o beijou intimamente.
    - Cara... - disse Alex, com a voz baixa. Havia muitas advertncias naquela palavra, mas Cara Prescott ignorou-as e o beijou de novo. Alex murmurou, deitou-a 
e os dois corpos se fundiram, tornando-se um s.
    Cara gemia. Alex era implacvel. E ela voltou a sentir corpo e mente se separando. Uma sensao gloriosa de separao do corpo da realidade. E teve a certeza 
de que nunca amaria outro homem. No importava como tudo acabaria, Cara pertenceria a Alexander Knight por toda a eternidade.
    
    Miami Beach, South Beach, era um outro mundo. Mulheres magnficas passeando com homens igualmente esplndidos - embora nenhum to bonito quanto Alex. Cafeterias 
nas caladas, hotis fantsticos, Ferraris, Mercedes e Lexus. E lojas. Gucci, Fendi, Christian Dior. Nomes do mundo da alta costura e dos altos preos.
    - No - disse Cara, recusando-se a mudar de opinio ao ver o primeiro aviso discreto.
    - No, o qu? No gosta do estilista? - indagou Alex, observando a vitrine.
    No gostou? Cara quase riu. O mais perto que chegara dessa etiqueta foi na poca em que tivera a sorte de revirar os estandes de uma loja simples, pequena, em 
Chinatown.
    - No, no posso comprar nessas lojas.
    - No. No pode. Como poderia se no tem uma carteira? Impossvel ter uma carteira por perto quando um homem a tira de debaixo do chuveiro, despida, como no 
dia em que nasceu.
    - Shh! Podem ouvi-lo! No fale sobre isso agora. Alm do mais, mesmo que estivesse com minha carteira, no poderia...
    - Sim, mas eu posso. E teria muito prazer em lhe comprar algo especial. Tudo bem?
    - Alex...
    - Conheo esse tom de voz, doura. Encare dessa forma. Fiz reservas no lugar mais romntico da praia. Acho que estaria espetacular como est. Mas, o que sei? 
Sou apenas um homem.
    Cara olhou para o conjunto de moletom que usava. Tamanho extragrande e super-surrado. Alm de quente, considerando que a temperatura estava amena. E os sapatos... 
John aparecera com chinelos de borracha, estilo havaiana, que tambm eram grandes. Definitivamente, ela no estava vestida para,um jantar romntico ou mesmo uma 
tarde em South Beach.
    - Cara? Podemos entrar agora?
    A moa acenou com a cabea, concordando. Segurando uma das mos de Alex, pensou que no passariam da porta - ela naquele moletom feio, ele de short de brim e 
camiseta sem mangas.
    Errado. O pessoal de todas as lojas cumprimentava Alex da mesma forma: com sorrisos, respeito e ateno. Ela mal arriscou olh-lo at ele comear a apontar para 
algumas roupas que pensava que ficariam bem nela.
    - Vamos experimentar isso, e aquilo - dizia Alex para a vendedora.
    De repente, Cara comeou a sorrir tambm. Era muito difcil escolher de acordo com a etiqueta. E confuso tambm. Quando disse que no seria capaz de escolher 
um traje da pilha que Alex lhe mostrava, ele concordou, ela estava certa. Ento, teria que deixar que ele decidisse.
    Alex no disse "Tudo bem para voc"? ou at mesmo "O que isso lhe parece"? Ele apenas presumiu que podia lhe dizer como as coisas seriam e ela aceitaria. O mais 
espantoso  que Alex estava certo. Ele no era um homem com o qual uma mulher discutiria, no se o amasse...
    - Em que est pensando? - indagou Alex. Cara enrubesceu e respondeu que no estava pensando em nada em particular.
    - Mentirosa - rebateu ele, sussurrando ao seu ouvido que encontraria um modo de for-la a dizer a verdade quando os dois estivessem sozinhos.
    As compras terminaram. Sapatos, bolsas, vestidos, calas, blusas... Cara experimentara tudo at que, por fim, na ltima loja, Alex concordou que levassem um 
short branco espetacular, uma blusa branca de seda e sandlias de couro. Ento, pediu que vestisse aquela roupa e abandonasse o moletom.
    - A senhorita vai usar essas coisas - disse Alex  vendedora.
    Ser que o short era apropriado para aquele restaurante romntico na praia? Certamente, deveria ser, ou Alex no os teria escolhido.
    Cara ia em direo ao provador, mas voltou. Alex ergueu as sobrancelhas.
    - Roupa ntima - murmurou.
    Depois, Cara foi at a vendedora. E, um pouco envergonhada, a jovem sussurrou:
    - Preciso de um suti e de uma calcinha.
    - No precisa - interrompeu Alex, com uma voz to rouca que Cara teve vontade de arrast-lo para dentro do provador.
    - Tudo bem. J pedi  vendedora para providenciar.
    0 "providenciar" significou um suti de renda e uma calcinha combinando. Cara os vestiu e depois imaginou Alex despindo-a, mais tarde. Sim, aquilo era um sonho 
que ela queria que no acabasse.
    A cafeteria onde almoaram tinha vista para a praia. As ondas estavam altas. Algum na outra mesa avistara golfinhos e chamou ateno para a cena. Depois de 
verem os animais nadando, Cara balanou a cabea, zombando e acusando Alex de ter arranjado a exibio.
    - Eu teria feito isso se pudesse, s para v-la rir dessa forma - comentou ele, sorrindo.
    Era verdade. Teria feito qualquer coisa para assegurar-lhe aquela expresso. Alex adorava a risada de Cara, os sorrisos, a forma como suspirava de prazer.
    Tambm gostara do jeito como Cara olhava cada vez que ele apontava para algo naquelas lojas e acrescentava  pilha do que queria que ela usasse. Cara parecia 
uma menina, de olhos arregalados, na Terra dos Brinquedos.
    At mesmo Alex - que jamais fizera compras com uma mulher - podia dizer que ningum dera a ela tantos presentes extravagantes. Por certo, Tony G teria feito 
isso, se Cara tivesse sido amante do mafioso... Ora, de onde viera aquele pensamento? Ela lhe dissera que no tivera nenhum envolvimento com Gennaro e ele acreditara.
    Como Alex podia ter tido tal sorte? Concordara em fazer um trabalho que no queria, para um servio secreto do qual no gostava e cujo diretor desprezava. Entretanto, 
como era possvel que isso tivesse lhe trazido tanta alegria?
    - Gostaria de sobremesa? - indagou o garom. A sobremesa que Alex queria estava sentada  frente dele. Porm, o rapaz imaginou que no seria uma boa idia dar 
essa resposta.
    - Sim. Cara?
    Ela escolheu uma sobremesa do cardpio, mas apenas se Alex dividisse a guloseima com ela. E ele concordara. Dividir o que tinha em mente parecia perfeito.
    O garom trouxe um caf e uma torta de chocolate que eram uma obra de arte.
    - Absolutamente deliciosa - concordou Alex, com os olhos fixos nela.
    Quando deixaram a cafeteria, Cara tirou as sandlias, Alex tirou os sapatos mocassim e caminharam ao longo da praia, de mos dadas, apenas aproveitando o momento 
de estarem juntos. No meio da tarde, quando Cara desanimou um pouco, ele colocou um dos braos ao redor da cintura dela.
    - Vamos voltar para o barco e dormir um pouco antes da ceia.
    Entretanto, uma vez no barco, escondidos do mundo, Alex disse:
    - Quero fazer amor com voc.
    - Sim - concordou Cara.
    Os dois se despiram e se amaram devagar, os corpos se fundindo. Ento, adormeceram nos braos um do outro.
    
    O short, as sandlias e uma camiseta incrivelmente caros no eram o que se usava para ir a um restaurante romntico. Enquanto ela tomava banho, Alex foi at 
o deque. Quando Cara entrou na cabine, encontrou diversas caixas. Todas as etiquetas vistas naquela manh estavam ali.
    - O que significa tudo isso? - indagou Cara, fitando o ex-agente.
    - Melhor abrir e ver - sugeriu Alex, inocente.
    As caixas continham tudo o que Cara experimentara: roupas, sapatos., lingerie. Havia inclusive coisas que ela no experimentara nem vira. Um belo colar dourado 
com um diamante no centro. Pequenas argolas com diamantes.
    Desnorteada, perguntou:
    - Como todas as vendedoras pensaram que voc queria tudo isso?
    - Porque eu lhes disse que queria. Voc ficou linda em tudo, doura. Como eu poderia ter escolhido apenas uma pea?
    Cara o fitava, os olhos bem abertos.
    - Alex, no posso deixar que faa isso.
    - Por que no?
    - Porque  muita coisa. E muito caro. Muito...
    Alex a beijou devagar e com carinho.
    - Shh. Quero fazer isso. Alm do mais, aqueles lugares no aceitam devoluo - brincou.
    - Aceitam sim.
    - Bem, no deveriam. Por favor, querida, faa isso por mim. Vou ficar to feliz...
    -  uma tentativa pattica de chantagem, Alexander - comentou Cara, porm sorrindo e beijando-o.
    
    Alex estava certo. O restaurante era romntico. A mesa  luz de velas, em um deque de frente para o mar, era perfeita. A comida era incomparvel, assim como 
o vinho, embora Cara no prestasse ateno ao que comiam ou bebiam.
    S tinha olhos para Alex, trajando cala de linho na cor creme e uma camisa preta de mangas compridas. Ele, por sua vez, tambm no deixou de fit-la.
    Um trio tocava uma msica suave, romntica. A pista de dana era pequena, mas grande o suficiente para os enamorados ficarem nos braos um do outro.
    O casal velejou de volta para casa sob um cu estrelado. Alex conduzia o barco com velocidade. De braos dados, os dois caminharam at a casa. E, na varanda, 
compartilharam um beijo demorado. Ento, Alex a carregou no colo para dentro da casa silenciosa, subindo as escadas que levavam ao quarto.
    Alex a despiu devagar e a beijou, inclusive, intimamente. Cara acariciava-lhe o cabelo e soluava. Alex voltou a peg-la ao colo e a carregou at a cama. Deitou-a 
e despiu-se. Cara o acariciou e o beijou intimamente tambm. Alex deitou-se ao lado dela. Ento, mais uma vez os dois corpos pareciam um s.
    - Alex... - sussurrou Cara.
    Ele a beijou, conduzindo-a ao xtase e a manteve assim at que ela implorasse para que parasse. Quando aquele momento acabou, Alex soube que encontrara a nica 
coisa que sempre quisera: a mulher que o completava. E tambm soube naquele instante que nunca a deixaria ir embora.
    
    
    CAPTULO DEZ
    
    As sombras no teto eram to delicadas quanto renda.
    Alex permaneceu deitado observando-as, com Cara adormecida em seus braos. Ele sorria ao pensar no dia dos dois em Miami Beach. Tudo fora perfeito, desde o encantamento 
da jovem durante a farra das compras at o momento em que fizeram amor, no fim da tarde. E,  noite, o jantar e a dana no restaurante  beira da praia. Depois, 
a viagem de barco de volta para casa sob um cu estrelado...
    Perfeito, Alex voltou a pensar, beijando-lhe o cabelo. Ento, o sorriso dele esmaeceu. Aquele dia o lembrara de que havia um mundo alm da ilha considerada um 
santurio. E, um dia, ambos teriam que retornar  realidade.
    Alexander no se esquecera daquele mundo ou da razo pela qual os dois estavam se escondendo dele. Toda noite, antes de irem para a cama, conferia o sistema 
de segurana, as trancas nas portas e janelas. Ele avisara John sobre a possibilidade de haver problemas, e o ex-soldado das Foras Especiais estava em alerta.
    No que tivesse motivo para esperar que teriam algum problema enquanto estivessem na Isla de Palmas. Ningum sabia sobre esse lugar e ele se certificara de que 
ningum os pudesse seguir desde Nova York. O piloto registrara um plano de vo diferente do usual. Ainda assim, apenas um tolo se daria por satisfeito. Complacncia 
levava ao descuido, que conduzia ao perigo.
    Alex manteve Cara bem perto dele. Se alguma coisa acontecesse a ela... No aconteceria. No enquanto estivessem ali. Era o que podia esper-los em Nova York 
que o preocupava. A tentativa de golpe naquela noite, no apartamento dela, teve todo o jeito de que Anthony Gennaro no havia desistido de procurar Cara.
    E se Alexander no estivesse ali? Fora questo de sorte estar no apartamento de Cara naquele minuto. E no importava a convico dela de que Gennaro no iria 
quer-la morta. Aquela tentativa de golpe provara o contrrio.
    Provavelmente, era hora de ligar para Shaw e descobrir quais os planos para proteger o retorno de Cara. O diretor do Servio Secreto devia estar tentando telefonar-lhe, 
deixando recados no celular.
    - Onde voc est? Responda. Voc se esqueceu de que est trabalhando para mim? - perguntara Shaw na ltima mensagem.
    "Mas no estou trabalhando para voc", disse Alex a si mesmo, com frieza. O que Shaw podia fazer? Demiti-lo de um emprego do qual sara anos atrs? Nunca mais 
falara com o diretor desde a noite em que tirara Cara de Nova York. E, ento, deixara apenas uma mensagem no telefone de Shaw. Tenho a encomenda, dissera, e estou 
levando-a para um lugar seguro.
    Alex sabia que era hora de outro telefonema. No porque Shaw merecia. Ele no se importava com isso. O que contava era que, ao checar, teria as informaes das 
quais precisava para manter Cara em segurana.
    Ser que Anthony Gennaro recuara, depois que os dois capangas caram? Ou ser que o mafioso ainda procurava Cara? Quando era o julgamento? Quais os planos de 
segurana traados pelos federais?
    Em seu ntimo, Alex sabia que, quaisquer que fossem os planos, no seriam suficientes. Ele precisava de outros adicionais. Proteger algum valioso no era a 
mesma coisa que proteger a mulher de quem se gostava e com quem se preocupava.
    E, no meio de tudo isso, estava a nica pergunta que no desaparecia. Por que Anthony Gennaro queria Cara morta? Ela dissera que no sabia nada sobre o mafioso 
ou a organizao. Essa era a verdade, no?
    Alex tirou um dos braos que estava embaixo dos ombros de Cara. Ela murmurou algo e ele beijou-lhe a testa. Depois, levantou-se da cama. Vestindo jeans e uma 
camiseta, desceu at o escritrio, acendeu a lareira, serviu-se de um pouco de conhaque e sentou-se.
    Sabia muito bem que a sua relutncia em falar com Shaw no tinha nada a ver com o fato de no gostar do diretor e sim com o que sentia por Cara. Alex no queria 
lev-la para Nova York um segundo antes do necessrio. No queria lev-la de volta para a realidade e o perigo, lev-la embora do mundo particular que criaram.
    Ele bebeu um gole de conhaque. Eram quase trs da manh. Essas sempre tinham sido as piores horas da noite para ele, nas Foras Armadas e no Servio Secreto. 
Tudo o que era ruim parecia ganhar vida nesse horrio.
    Tomou outro gole de conhaque, pegou o controle remoto e ligou a tev. Sem acionar o som, passeou pelos canais. Hesitou. Ento, deixou de lado o controle remoto, 
tirou o celular que estava no bolso dos jeans e checou as mensagens. Havia telefonemas dos irmos.
    Ei, ainda pegando muito sol? Cam perguntara. A mensagem de Matt, idntica. Alex sorriu e recuperou as mensagens seguintes. Trs delas, todas de Shaw. As duas 
primeiras eram o que ele esperava. Onde voc est? Por que no liga? Droga... Mas a terceira chamou-lhe a ateno. Me ligue, o mais rpido possvel. Sinal Vermelho.
    Uma descarga de adrenalina percorreu a corrente sangunea de Alex. Ele ligou para o nmero particular de Shaw. O diretor atendeu ao segundo toque.
    - Knight?
    - Shaw. O que quer?
    - J era hora de ligar. Que diabos est fazendo? Brincando de Guarda Solitrio?
    - V direto ao assunto. Por que Sinal Vermelho?
    - Ainda tem a encomenda?
    - Sim. Responda  minha pergunta. Por que Sinal Vermelho?  
    - A encomenda foi rastreada na Flrida.
    - Como...?
    - No encontraram a localizao exata, mas esto na mira.
    - Vou levar a encomenda para...
    - No faa isso! No sei quem so, ou a exata localizao deles. Mudar a encomenda de lugar seria um erro.
    - Tudo bem. S no consigo entender como rastrearam a encomenda na Flrida.
    - Talvez o oficial no aeroporto.
    -  confivel.
    - Ele tambm est desaparecido. Ningum o v h quase uma semana. Ento, pensei em um plano.
    - Qual?
    - Me d sua localizao. Pego um avio e levarei ajuda.
    - No, os federais...
    - No so os federais. Pessoal do Servio Secreto. Homens nos quais podemos confiar para fazer o trabalho sem ramificaes.
    Em outras palavras, homens que acreditavam na causa traada pelo Servio Secreto e que fariam o que lhes fosse dito. Homens como Alexander Knight tinha sido.
    - Alex?
    Ele virou-se. Cara estava em p,  porta, enrolada no roupo dele. Ela parecia pequena. E o corao de Alex bateu forte s em pensar no quanto ela se tornara 
preciosa. Ento estendeu-lhe um dos braos e ela se aninhou nele.
    - Estamos em uma ilha. Um lugar chamado Isla de Palmas - avisou Alex a Shaw.
    - Isla de Palmas. Nome do hotel?
    -  uma ilha particular. No est nos arquivos dos seus computadores. Me certifiquei disso.
    -- Pista de pouso? Facilidades no cais? Que tipo de segurana voc tem?
    - H uma pista de pouso. No h cais, mas h uma enseada protegida na costa oeste da ilha. Uma embarcao pequena pode entrar sem problemas. A segurana  padro. 
Diga aos seus homens para me telefonarem quando estiverem a uns 160 quilmetros daqui e eu desativo o sistema.
    - No  bom. Muito em cima. Faa isso assim que terminarmos o telefonema.
    - Sim. Tudo bem.
    - Voc tem armas? Algum para ajud-lo?
    - No - mentira. Era como se as armas que pendurara em uma parede de segurana, quando comprara a ilha, no existissem. E como se um homem que lhe devia a vida 
no morasse em uma cabana ali perto.
    - Nesse caso, proteja a encomenda da melhor forma que puder, at que eu chegue para ajud-lo. Provavelmente, no meio da manh.
    A ligao caiu. Alex desligou o telefone.
    - Qual o problema? - questionou Cara.
    - Nada. - Por que preocup-la antes do tempo? No havia motivo para pensar que os homens de Gennaro tivessem localizado com preciso o esconderijo deles. E a 
cavalaria no chegaria para resgat-la, pelo menos, nas prximas quatro ou cinco horas. Alex forou um sorriso e a pegou nos braos, perguntando:
    - Por que no est na cama?
    - No me trate como se eu fosse uma criana. Quem era ao telefone?
    - O diretor do Servio Secreto para o qual eu trabalhava. Ele acha que os homens de Gennaro esto na Flrida, nos procurando.
    - Mas por qu? Ainda no entendo. No h motivo para que Gennaro queira me machucar.
    - Talvez, devesse ter feito essa pergunta aos dois sujeitos que tentaram peg-la naquela noite em Nova York.
    A jovem ficou plida. Alex praguejou a si mesmo por parecer to frio. Mas como Cara podia continuar defendendo Tony G?
    - Doura, me desculpe. No deveria ter dito isso. Sei que voc pensa que o homem tem corao, mas... O qu?
    Cara estava com o olhar vidrado na tev e disse:
    - Aquele homem!
    Alex olhou para a televiso. O que era aquilo? Um reprter humorstico estava entrevistando Shaw. Um Shaw mais jovem, mas era ele mesmo.
    - Shaw? - estranhou Alex, pegando o controle remoto e aumentando o volume da tev.
    O noticirio estava preenchendo aquelas horas vagas da noite com material antigo. Era uma matria sobre a burocracia do trabalho governamental, de onde Shaw 
viera. O atual diretor tinha sido funcionrio do Departamento de Defesa.
    - Doura? Qual o problema? - indagou Alex ao ver Cara fitando a tela da televiso.
    - Nada. Apenas... J o vi antes. Na verdade, o encontrei.
    - Onde?
    - Na casa de Gennaro.
    - Esse homem? Na casa de Gennaro?
    - Sim. Uma vez, tarde da noite. Eu no conseguia dormir, ento deixei meus aposentos e desci para pegar um livro na biblioteca. E ele estava l com Gennaro.
    - Tem certeza?
    - Os dois pararam de conversar assim que me viram. Gennaro o apresentou a mim como sendo o senhor Black, e disse que tinham assuntos a discutir. Ento, fechou 
a porta do escritrio. Mas sei que  o mesmo homem. Por qu? Quem  ele?
    Alex no respondeu. As coisas estavam se encaixando a uma velocidade assustadora. Shaw, chamando um agente externo - ele - para fazer um trabalho que era da 
alada do FBI. Um policial desaparecido, o mesmo que colaborara para que um jatinho sasse do aeroporto Kennedy com um casal na mesma noite em que Cara sumira. Exceto 
que ele no comentara com ningum o encontro com o policial no aeroporto. E no mencionara nada a Shaw.
    - Cara, me escute...
    - O que est acontecendo? Voc est me assustando!
    -  possvel que tenhamos visitas.
    - Quem?
    - Homens de Gennaro. - A moa comeou a balanar a cabea e Alex pensou "E se ela estiver certa? E se no forem os homens de Gennaro que esto querendo mat-la? 
E se..."
    - Quando o FBI a entrevistou... Voc se lembra dos nomes dos agentes?
    - Giacometti e Goldberg.
    - Boa menina.
    - Disseram ser do escritrio de Newark. Lembro que fiquei pensando no quanto eu sabia pouco sobre a forma do governo operar, porque pensei que eram de Nova York, 
ou talvez da capital federal.
    Alex a beijou. Ento, cruzou o escritrio, desviou um quadro pendurado na parede, abriu o cofre e tirou diversas armas escondidas ali. Quando terminou, chamou 
a si mesmo de paranico.
    - Vamos precisar de armas?
    - Se eu estiver certo com relao ao que est acontecendo... Sim, querida, vamos. Alguma vez usou uma arma?
    - Nunca.
    Alex pensou em lhe dar uma rpida aula sobre armas de fogo. Porm, decidiu que havia necessidades mais imediatas. John, por exemplo. Um rpido telefonema. Uma 
explicao concisa. Um ex-soldado das Foras Especiais no precisava mais do que isso.
    - Estou a caminho - disse John.
    Alex recolocou o fone no gancho. Cara estava plida. Porm, o queixo se encontrava erguido. Isso demonstrava preparo para enfrentar a situao.
    - Cara. - Ela foi ao encontro dele no meio do escritrio. Alex a tomou nos braos e a beijou. No queria deix-la ir embora, mas sabia que tinha que fazer isso.
    - Tudo vai ficar bem, querida - sussurrou ele. E pedia a Deus que estivesse certo.
    
    Alex se trocou, vestindo a mesma roupa preta - jeans e camiseta - que usara na noite em que invadira o apartamento da moa, em Manhattan. Cara vestia jeans, 
tnis e uma camiseta escura. Depois, Alex ligou para Matthew.
    - Sou eu. Estou com problemas.
    O irmo ficou em alerta. Alex contou apenas os detalhes mais importantes. Ento, deu a Matt os nomes e as sedes dos escritrios dos agentes do FBI que interrogaram 
Cara.
    Matt ligou de volta em menos de dez minutos. O FBI investigava Anthony Gennaro. Entretanto, Giacometti e Goldberg no eram agentes. As identidades eram falsas.
    - Liguei para Cam e estamos indo a - disse Matt.
    - Oua, caso as coisas tenham terminado quando vocs chegarem aqui...
    - Vamos tomar conta de Shaw.
    A resoluo fria de Matthew fez com que Alex sorrisse e comentasse:
    - Sei que vo.
    O irmo fez uma pausa. Havia mais coisa a dizer, mas no era fcil.
    - Vocs sabem o quanto significam para mim. E nosso pai. Diga a ele...
    - Voc mesmo dir a Avery - retrucou Matthew. 
    - Sim, certo - pigarreou, encerrando o telefonema.
    A seguir, no houve nada a fazer a no ser desligar os alarmes, apagar as luzes e esperar. John j estava na casa, agachado atrs de uma grande cadeira no vestbulo, 
uma pistola em uma das mos.
    Alex deu a Cara uma rpida aula com uma arma pequena.
    - Voc segura a arma com as duas mos, mira na parte maior do alvo, inspira e solta o ar devagar enquanto puxa o gatilho para trs. Acha que pode fazer isso? 
- perguntou.
    - Posso fazer qualquer coisa que tenha que fazer.
    A voz dela estava trmula, mas as mos demonstravam firmeza. E, ao beij-la, Alex fez uma prece em silncio para que aquilo no fosse preciso. Ele queria que 
Cara ficasse trancada no quarto, mas ela se recusou.
    - No vou me separar de voc.
    Alexander considerou carreg-la at o quarto e trancar a porta para mant-la l. Porm, o modo como ela o olhou, a forma como dissera o nome dele, demonstraram 
que compreendia os riscos e fizera a prpria escolha: a de estar com ele.
    - Sim -- disse Alex, porque no confiava em si mesmo para dizer algo mais. Em vez disso, a puxou para perto.
    Ele sabia que Cara estaria melhor com ele porque se a pessoa que estivesse vindo atrs de ambos passasse por John e por ele, Alex esperava ter fora para usar 
a ltima bala com Cara. Seria um fim mais aceitvel do que outro que ela enfrentaria. Entretanto, se algum tivesse que cometer algum ato de violncia aquela noite, 
Alexander Knight esperava que fosse apenas ele.
    Quando todos estavam prontos, se posicionou atrs de uma mesa no corredor, no alto das escadas. O tempo passava.
    - Tem certeza de que viro? - sussurrou Cara. 
    Alex tinha certeza. Quatro ou cinco horas, dissera Shaw, mas tambm avisara que os homens que iriam j estavam na Flrida. Se tivesse imaginado certo, as quatro 
ou cinco horas eram para acalm-lo em uma falsa sensao de segurana. O ataque em si aconteceria... J!
    A porta da frente se abriu. S uma fresta, mas era o suficiente. Os primeiros raios do amanhecer j entravam por essa fenda. Trs sombras de pessoas agachadas 
surgiram no vestbulo. Giacometti e Goldberg, provavelmente, mais um reserva. Havia outros homens do lado de fora da casa. Vieram de barco ou Alex teria ouvido o 
motor do avio.
    Ele esperou, assim como sabia que John estava esperando. Planejaram com o mximo de cuidado, considerando que no soubessem que o inimigo atacaria. Em silncio, 
Alex comeou a contagem regressiva. Dez. Nove. Oito. Sete. Seis...
    - Joguem as armas no cho - gritou Alexander Knight, acendendo a lanterna. E, assim que John disparou na direo da parede acima das cabeas dos intrusos, ele 
correu rumo ao lado oposto da mesa, na esperana de confundir a mira dos trs.
    Os invasores se espalharam e abriram fogo. No h escolha quando algum atira na sua direo. Voc atira de volta ou morre. John e Alex sabiam disso. John voltou 
a atirar assim como Alex. Em um instante, tudo acabara. Trs corpos estendidos no cho do vestbulo.
    - Oh, Deus, Alex...
    - Fique onde est, Cara.
    - Mas...
    - Fique l. John?
    - Sim. Estou bem. E voc?
    - Bem. - Alex acendeu a lanterna de novo e iluminou os corpos perto da porta.
    - Vou checar l fora - avisou John.
    Alex acenou positivamente com a cabea. E, com um dos ps, virou os corpos:
    - Giacometti - uma voz trmula sussurrou atrs dele.
    - Cara. Eu disse para ficar...
    - O outro  Goldberg.
    Os falsos agentes do FBI. Eram tambm os dois homens que Alex encontrara na noite em que invadira o apartamento de Cara em Manhattan.
    - No reconheo o terceiro homem.
    - Mas eu sim.  Shaw.
    O diretor gemeu e abriu os olhos ao som do prprio nome. Alex se abaixou e perguntou:
    - Por qu?
    - Porque ela me viu na casa do velho Gennaro. Eu deveria saber que no poderia us-lo...
    - E esses homens? Trabalham para Tony G?
    - Gennaro no est envolvido nisso.
    - Mas voc e Gennaro tinham algum envolvimento. Qual era?
    - V para o inferno! - respondeu Shaw, ofegante, e morreu.
    Alex o olhou por um longo momento. Ento, levantou-se, guardou a arma na parte detrs dos jeans, pegou o celular e discou um nmero que h muito tempo no usava. 
O homem para quem trabalhara antes, o antigo diretor do Servio Secreto, atendeu ao primeiro toque.
    - Quem fala  Alexander Knight. Estou em uma ilha na costa da Flrida, um lugar chamado Isla de Palmas. Precisa vir aqui pessoalmente o mais rpido possvel. 
Traga uma equipe de limpeza... E o pessoal do Departamento de Justia.
    O antigo diretor no fez nenhuma pergunta, apenas falou:
    - Estaremos a.
    Alex deixou o telefone de lado, assim que John voltou.
    - Encontrei o barco deles, encalhado na enseada. - John olhou os corpos no cho e disse:
    - H apenas esses trs. Ningum mais.
    - A ajuda est a caminho. John, obrigado.
    - De nada. Voc salvou minha vida h muito tempo. Estou feliz em retribuir o favor.
    - A senhorita e eu vamos sair e dar uma caminhada. Tudo bem?
    - Certamente.
    Cara estava plida. Alex manteve um dos braos ao redor de sua cintura enquanto caminhavam pela areia. O sol estava nascendo acima do oceano.
    - Acabou tudo, doura.
    - No entendo. Por que aqueles homens...?
    - Realmente, o FBI est investigando Gennaro, mas os homens que se aproximaram de voc no eram agentes. Os dois prestavam servios para Shaw, que era o diretor 
da organizao para a qual eu trabalhava.
    - Mas eu o vi na casa de Gennaro.
    - Isso mesmo. Shaw e Gennaro tinham alguma transao. Shaw estava com medo de que voc dissesse alguma coisa sobre ele.
    - Mas eu no sabia quem ele era.
    - Acho que Shaw no queria arriscar. - Alex a puxou para perto e acrescentou:
    - Meus irmos e eu vamos a fundo nessa histria, prometo. Voc estava certa. O velho Gennaro no estava tentando machuc-la, mas ele no era o melhor dos homens, 
querida. Lamento.
    - J sabia disso. S queria que acreditasse em mim quando lhe disse que no era...
    Alex a silenciou com um beijo e disse:
    - Acredito em voc. O importante  que tudo acabou.
    Alex estava errado. Cara sabia. Agora, pensou, devo contar-lhe... Porm, ele a olhava diferente: no com desejo, mas com ternura.
    - Cara, meus irmos logo estaro aqui. Podemos mand-la de volta para Nova York ou...
    - Ou?
    - Ou voc vem comigo para Dlias.
    Cara no respondeu. Alex no podia culp-la. No planejara o que acabara de dizer, mas o pensamento de no estar com aquela mulher, de deix-la ir embora... 
Ele respirou fundo e continuou:
    - Quer dizer, se voc quiser ficar comigo, claro. 
    O sorriso de Cara brilhava tanto quanto os raios de sol. Na ponta dos ps, ela colocou as mos no rosto dele e respondeu:
    - Oh, Alexander, sim...
    Ele a beijou e a deitou na areia. E, com o prprio corpo, disse o que ainda no estava pronto para lhe dizer, ou talvez a si mesmo, com palavras. Alexander Knight 
estava apaixonado por Cara Prescott.
    
    
    CAPTULO ONZE
    
    Era surpreendente como viver com uma mulher podia mudar a vida de um homem.
    Alex no era ingnuo! Imaginava que surgiriam diferenas. Certamente, a terrvel palavra que comeava com a letra C: compromisso. Ele a evitou por anos. E ainda 
no se curvara a essa palavrinha.
    Viver com uma mulher no era o tipo de compromisso que os irmos assumiam. Alex estava bem longe desse passo. Estar com Cara noites e fins de semana, saber que 
ela estaria l quando voltasse para casa ao final do dia, adormecer com ela nos braos... Isso era suficiente por ora.
    Mas acontece que outras coisas mudavam quando se chamava uma mulher para viver consigo. Entretanto, Alexander Knight no sabia quais eram quando fez o convite.
    Mas, naquele instante, soube. Os dois estavam tomando caf-da-manh. Era domingo. J era tarde. Ambos gostavam de ficar na cama e de fazer amor. Essa era sempre 
a melhor forma de comear o dia.
    Os jornais estavam espalhados ao redor deles. Cara lia, no New York Times, uma coluna que dizia que no poderia ficar sem ler. J Alex lia a seo local de esportes. 
Ele sorria ao pensar na lista de mudanas que uma mulher era capaz de promover na vida de um homem.
    As mulheres eram engraadas com relao s pequenas coisas. No entendiam que a sobra de pizza, principalmente se era de calabresa com queijo, era um deleite 
gastronmico e podia inclusive ser degustada fria.
    Havia a questo dos assentos sanitrios. Elas ficavam chateadas se os homens os deixavam levantados. E os tubos de pasta de dentes. Era preciso apert-los desde 
a ponta.
    Quando mencionou a questo do vaso sanitrio e da pasta de dentes aos irmos, imaginando que os dois iriam rir, ambos se entreolharam. Ento, disseram que existiam 
certas questes que os homens no compreendiam.
    Matt e Cam admitiram ter conversado sobre isso antes. Pior, parecia que a esposa de Cam, Leanna, e a esposa de Matt, Mia, tinham se juntado a Cara fazendo observaes 
sobre os brbaros hbitos domsticos dos irmos Knight.
    Alex gemeu de agonia ao descobrir isso. Uma agonia falsa. A verdade era que estava excitado com o fato de Cara ter se adaptado to bem  sua famlia. Os irmos 
disseram que a moa era maravilhosa, as cunhadas a adoraram e o pai foi facilmente influenciado pela nova nora.
    E Alexander Knight nunca tinha sido to feliz. Adorava acordar com Cara nos braos e de adormecer com ela deitada com a cabea em um dos ombros dele. Gostava 
de lev-la a restaurantes. Tambm a levou a um jogo de futebol americano, a um show de rock e ao bal para ver a cunhada Leanna danar. 
    Alex gostava da presena de Cara, gostava de estar com ela, t-la nos braos...
    E adorava fazer amor com ela. Bem devagar, to devagar que quase matava ambos, fazendo com que cada carcia, cada beijo durasse uma eternidade. Ou rpido, pulando 
as preliminares, porque estavam to eufricos que era impossvel chegar at o quarto e tirar as roupas. Juntos, despiam-se e, ento, como sempre, os dois corpos 
se tornavam um s. Alex a tomava encostada  parede, na bancada da cozinha e, numa noite memorvel, no carro, onde os assentos baixos e o console fizeram a paixo 
se mesclar a uma risada suave.
    Jamais quisera uma mulher como desejava Cara. No apenas sexualmente, mas na vida dele. Vestida, bem arrumada, pronta para sair e to magnfica que deixava outros 
homens boquiabertos. Ou da forma como ela estava naquele momento, com calas de moletom largas e o cabelo preso, sem maquiagem...
    Alex piscou. Cara o fitava em meio ao mar de jornais, xcaras de caf e rosquinhas.
    - Huh?
    - Voc estava me olhando.
    - Isso  contra a lei?
    - Sabe o quero dizer. Sua fisionomia estava estranha.
    - Eu? Acho que  porque estava pensando no quanto  bom ter voc aqui.
    - ?
    - Sabe que , doura. E voc? Est feliz?
    Feliz? Cara quase riu. A palavra era imprpria para o momento. Feliz nem chegava perto do que ela sentia.
    Cara se preocupou um pouco depois de dizer que aceitava viver com ele. Desejava isso, queria estar com Alex mais do que respirar. Porm, ser que aceitara rpido 
demais? Alexander Knight tinha irmos, pai, amigos que o conheciam h uma eternidade. Ser que gostariam dela? Ser que se adaptaria?
    No ltimo dia na ilha, os irmos saram do avio e o abraaram com amor. Depois, fitaram-na, mil perguntas nos olhos que, de repente, deixaram de sorrir.
    O corao de Cara acelerou. Ento, Alex aproximou-se dela e a puxou para perto, apresentando-a:
    - Esta  Cara.
    Cinco minutos depois, parecia que conhecia Cam e Matt a vida toda. Cara tivera a mesma sensao quando conheceu as esposas dos dois. Com relao ao patriarca 
do cl Knight, Alex a avisara que Avery poderia ser um pouco difcil. Entretanto, at o sogro, uma verso mais velha dos filhos, a recebera de braos abertos.
    - Cara, encantado em conhec-la - disse Avery. Ento, olhou para Alex e sorriu ao perguntar:
    - No est feliz por seguir meu conselho, filho?
    - Seu conselho? - retrucou Alex, perplexo.
    - Sobre no se esquecer da promessa feita ao Servio Secreto. Se tivesse se esquecido, nunca teria conhecido essa mulher adorvel.
    - Est sugerindo que teve alguma coisa a ver com isso, pai? Que a nossa conversa sobre fazer a coisa certa era a tarefa que me deu?
    - Eu disse isso? - perguntou Avery com uma inocncia memorvel.
    Pai e filho sorriram. Ento, Alex pigarreou e disse:
    - Acho que devo t-lo subestimado...
    A conversa, a forma como sorriam, tudo isso fez com que Cara sentisse um n na garganta. Se ao menos tivesse tido um relacionamento como esse com o prprio pai... 
Nem sabia quem era, at poucos meses. Durante toda a vida, ela se perguntara sobre o homem que se casara com a me. O homem que morrera, segundo a me dissera, quando 
Cara ainda era bem pequena.
    Depois, soube da verdade. Odiou a me por ter mentido. Odiou o homem que se passara por pai dela. Cara estava certa de que suas reaes eram as nicas possveis...
    At ver Alex e o pai dele juntos, e viu anos de hostilidade e desentendimentos serem colocados de lado em um rpido momento de afeio. Talvez, Cara estivesse 
errada. Talvez...
    - Doura?
    Cara olhou para Alex. A expresso dele era a de um homem esperando notcias ruins e ela percebeu que longos momentos se passaram desde que ele lhe fizera aquela 
pergunta simples, mas complexa. Ela estava feliz?
    - Oh, sim. Estou muito feliz.
    "Vou lhe contar a verdade agora", Cara pensou.
    - Alex? Tenho que lhe contar uma coisa sobre...
    - Quero que desista daquele apartamento na costa leste e se mude para c - disse Alex, apressando as palavras de forma a indicar que as contivera por um bom 
tempo. Depois, abaixou-se em direo  Cara, os maravilhosos olhos verdes presos aos dela e acrescentou:
    - Quero saber que voc  realmente minha, querida. E que eu sou seu. Tudo bem?
    - Tudo bem? Oh, sim...
    Parecia que o peso do universo tinha sado dos ombros dele. Segundos depois, os dois estavam nos braos um do outro.
    Era sexta-feira  noite, o dia em que os irmos Knight se juntavam. Porm, Alex estava relutante.
    - No tenho que ir. Se quisesse que eu no fosse...- dizia.
    - Eles so seus irmos. Vocs se encontram s sextas,  noite, desde que usavam fraldas!
    Cara ficou na ponta dos ps e o beijou suavemente nos lbios, incentivando-o:
    - V e divirta-se!
    - Voc tem certeza? Vai ficar bem sozinha? Porque, juro, querida...
    - Posso encontrar alguma coisa para me ocupar durante algumas horas.
    - Sim, mas no tenho que...
    - Sim, voc tem.
    - Mas...
    - Tenho coisas a fazer - coisas femininas: minhas unhas, meu cabelo.
    Cara conduziu Alex at a porta e brincou:
    - No quer me ouvir gritar enquanto depilo minhas pernas, quer?
    - Deus, no. Mas...
    - V. D lembranas aos seus irmos por mim. Vou falar com Mia e Leanna, mas diga a Matthew e Cameron que todos viro jantar aqui na prxima sexta.
    - Viro?
    - Sim.
    Alex a pegou nos braos e disse:
    - Voc  maravilhosa. Tenho lhe dito isso ultimamente?
    Os dois sorriram. Ento, Alex a beijou.
    - Estarei em casa por volta da meia-noite - sussurrou.
    - Meia-noite - sussurrou Cara, de volta. Um ltimo beijo, e ela trancou a porta.
    
    O bar estava lotado. Entretanto, os irmos Knight conseguiram a mesa de sempre e fizeram os pedidos costumeiros: cerveja e hambrgueres. At alguns meses, a 
conversa dos trs, nas noites de sexta-feira, centrava-se nos trabalhos que estavam desenvolvendo, e em mulheres.
    Mas tudo mudara. Agora, os irmos falavam sobre coisas que nunca imaginaram discutir. As casas que Cam e Matt estavam construindo nas montanhas, em terrenos 
vizinhos, de dez acres cada um. E o outro terreno, do mesmo tamanho, que, meses atrs, os irmos perguntaram a Alex se estava interessado.
    - Quem? Eu? - perguntou Alex.
    Matt e Cam se entreolharam.
    - Sim... Est pensando em comprar? - indagou Cam.
    - Talvez. Quero dizer, vocs esto ocupados criando o complexo Knight. No seria pssimo deixar um estranho ficar com o outro pedao de terra?
    Matt acenou positivamente com a cabea e respondeu:
    - Sim, claro. No estaria pensando em construir uma casa, estaria?
    - Eu? Uma casa? Para qu? Estou feliz com a minha aqui na cidade.
    - Bem, eu tambm at me casar. No demorou muito at que eu percebesse que Leanna e eu iramos querer uma propriedade, uma casa. Crianas, depois de um tempo 
-explicou Cam, dando uma mordida no sanduche.
    - O mesmo aconteceu comigo - comentou Matt.
    - Sei o que vocs dois esto pensando.
    - E?
    - E esto certos. Estou louco por Cara. Quero me casar com ela.
    Matt pegou a carteira e tirou de l vinte dlares, entregando-os a Cam, que guardou o dinheiro no bolso.
    - Fizeram uma aposta? - indagou Alex, erguendo as sobrancelhas.
    - Matt disse que isso levaria um ms. Eu disse duas semanas - explicou Cam e abriu um largo sorriso, dizendo:
    - Eu ganhei. Ento, quando  o grande evento? 
    Alex suspirou e explicou:
    - No sei. Eu no a pedi em casamento ainda.
    - Ele ainda no a pediu em casamento - disse Cam. 
    Matt estendeu-lhe uma das mos. Gam suspirou, pegou os vinte dlares que recebera e os devolveu, falando:
    - Bem, o que voc est esperando? V para casa e faa isso.
    - Sim. Mas e se ela disser...
    - Ela no dir. - sorriu Matt e deu um tapinha nas costas do irmo mais novo. Depois, acrescentou:
    - Vimos o jeito como Cara olha para voc. Ela o ama.
    - Ento, devo pedi-la em casamento? Assim, ir direto ao ponto?
    - Sim, e agora enquanto tem coragem para fazer isso. Quando lembro do quanto eu estava assustado ao pedir Leanna... - admitiu Cam.
    - Bem, tinha motivo para isso. Quero dizer, um cara feio como voc... - comentou Matt.
    - Feio? Voc tem se visto no espelho ultimamente, mano?
    - Sempre fui o que recebia todos os olhares... 
    Alex suspirou e levantou-se. Depois, pegou a carteira e deixou algumas notas em cima da mesa, dizendo:
    - Hoje  por minha conta. - Nem tinha certeza se os irmos o ouviram, mas os dois tinham prestado ateno. Alex estava apenas na metade do caminho em direo 
 porta quando Matt o alcanou. Os dois irmos lhe deram um beijo no rosto.
    - Este cara vai se casar! - anunciou Cam.
    As pessoas aplaudiram. Alex ficou corado. Nunca tinha sido fcil ser o mais novo dos Knight.
    Alex voltou dirigindo para casa em tempo recorde. J que decidira, queria ir direto ao ponto. O que o fizera demorar tanto? Ele se perguntava enquanto entrava 
na garagem subterrnea do prdio. Conhecia Cara h algumas semanas. Sempre soubera disso, talvez desde que a tirara do chuveiro, nua, e a fizera entrar na vida dele.
    Ele sorria ao pegar o elevador rumo  cobertura. Cara o amava. Alex tinha certeza disso. A forma como ela o olhava, como suspirava quando os dois se beijavam. 
Claro, a senhorita Prescott o amava e diria sim.
    Mas Alex queria que aquele momento fosse romntico, um momento do qual Cara sempre se lembraria. Por que no pensara nisso antes? Por que no lhe comprara um 
anel? Por que, ao menos, no lhe comprara flores?
    J era tarde demais? Olhou o relgio: 20h30. As lojas ainda estavam abertas?
    Alex diria a Cara para que se arrumasse. S isso. Sem explicao. Ento, a levaria para... Onde? No havia uma loja Cartier na Galleria Mall? Uma Tiffany's? 
Ele a levaria a uma dessas lojas, pediria para ver anis de diamantes, deixaria Cara escolher um. Ento, se ajoelharia e a pediria em casamento.
    Naquele instante, precisava surpreend-la. Ela estaria fazendo coisas de mulher: pintando as unhas ou depilando as pernas. Ela realmente depilava aquelas pernas 
maravilhosas?
    Alex abriu a porta com cuidado. Atravessou o vestbulo na ponta dos ps... Vozes vinham do gabinete de leitura. Ele franziu as sobrancelhas. Cara no conhecia 
ningum em Dlias. Os irmos? Mas ele acabara de os deixar. O pai? Mas Avery estava fora da cidade, a negcios. Ento, quem?
    Ele pensou em correr para proteg-la. Entretanto teve uma sensao estranha... As vozes estavam baixas: a de Cara e a de um homem.
    Alex colocou as chaves em cima da mesa. Disse a si mesmo que era um dos amigos dele, que aparecera para uma visita... Apesar de que ningum conhecido apareceria 
sem ligar antes.
    Com cuidado, caminhou em direo ao gabinete de leitura, os passos amortecidos pelo carpete. Sim. Cara estava ali com um homem. O sujeito era de meia-idade, 
atarracado, cabelos negros, terno caro. Ainda assim, algo com relao quele homem era barato, como se um vidro inteiro de colnia cara tivesse sido despejado em 
cima de uma pilha de lixo.
    - ... precisa de voc, senhorita Prescott. Ele realmente precisa muito de voc - insistiu o homem de terno.
    - Lamento. Diga a ele que no vou voltar.
    - No entende, senhorita. Ele disse que se voc se importar com...
    - No vou voltar. Sei que isso o magoa, mas...
    O homem de terno colocou uma das mos em um dos bolsos. No corredor, Alex ficou nervoso, pronto para correr em direo a ele, mas o que o homem tirou do bolso 
no era uma arma. Era um colar de diamantes. Cara fitou a jia.
    - Ele lhe mandou isso.
    - No - sussurrou Cara, os olhos vidrados nos diamantes.
    - Ele quer que fique com isso.
    - No - repetiu... 
    Mas Alex a viu esticar uma das mos. Depois, a recolheu.
    - O senhor Gennaro quer que fique com isso, mesmo que no v ficar com ele.
    - Oh, Deus. Por favor, isso no  justo! Ele sabe disso. Me tentar dessa forma... - disse Cara com lgrimas nos olhos.
    O homem lhe entregou o colar. Ela soluou.
    - O senhor Gennaro pediu para que pensasse sobre o que esse colar significa para ele e para a senhorita.
    As mos dela tremiam enquanto levava os diamantes de encontro ao peito. Cara curvou a cabea. O homem esperava...
    Assim como Alex. Uma frieza, um silncio mortal, pior do que a morte em si, se estabelecia, se plantava no sangue e no corao dele.
    Por fim, Cara acenou com a cabea e concordou emir:
    - Tudo bem. Vou com voc. Mas, primeiro, tenho que escrever um bilhete.
    Alex entrou no gabinete, dizendo:
    - No!
    Cara virou-se em direo a ele, os olhos bem abertos devido ao choque.
    - Sem bilhete, querida. Por que se preocupar? No precisa perder tempo com um bilhete. Ouvi tudo.
    - Alex! Tenho tanta coisa a lhe dizer. Tanta coisa que eu deveria ter dito...
    - Esquea - respondeu ele, ao passar por ela e ir em direo ao armrio na parede, de onde tirou uma garrafa de conhaque e um copo. Ento, serviu-se de uma boa 
dose.
    - No  preciso - completou Alex.
    - Claro que . No sei o que ouviu, mas...
    - J disse, ouvi a conversa! - ele bebeu tudo, em um nico gole.
    - Anthony Gennaro a quer de volta e voc est indo. Ei! Quem poderia culp-la? Eu vi aquela bugiganga.
    - Bugiganga?
    - O colar. A prova da afeio dele.  um estmulo.
    - No  assim.
    - Claro que .
    - Me oua. Posso explicar...
    - No explique. No diga nada. Basta de mentiras.
    - Por favor, Alexander...
    - E no me chame assim! - Ele pegou um dos pulsos de Cara e puxou-lhe um dos braos para trs. Ela arfava e o homem de terno deu um passo  frente. Ento, Alex 
avisou:
    - No interfira.
    - Est tudo bem, Joseph. Verdade. Por favor, me espere no elevador - pediu Cara, a voz trmula.
    - Vou esperar do lado de fora da sala. Se precisar de mim, senhorita Prescott, basta chamar - a avisou o homem de terno, sem tirar os olhos dos de Alex.
    Cara esperou at que o funcionrio de Gennaro sasse do gabinete.
    - Eu imploro. Se me deixasse...
    - Deixasse o qu? Mentir? Me contar alguma histria triste sobre como voc desejava que tudo fosse diferente? - Alex apertou-lhe uma das mos com mais fora. 
Ele sabia que a estava machucando, mas no se importava.
    - Na verdade, voc me fez um favor quando disse para que eu fosse me encontrar com os meus irmos hoje  noite. Foi uma idia maravilhosa. Isso nos deu a chance 
de termos uma longa conversa. Uma oportunidade para que eu voltasse ao meu juzo.
    - No faa isso - sussurrou Cara, os olhos cheios d'gua.
    - Fazer o qu? Dizer-lhe que acabou tudo entre ns? Dizer-lhe para arrumar suas coisas e voltar para o seu namorado? Eu ia esperar at domingo  noite. Por que 
no aproveitar o fim-de-semana? Voc me poupou desse trabalho - comentou Alex, soltando-a e empurrando-a.
    - No est falando srio. Sei que no est.
    - Est errada. Estou falando srio. No me olhe assim. Voc  boa na cama, sabe? O suficiente para ganhar uma passagem de avio para Dlias, algumas boas roupas...
    Cara lhe deu um tapa no rosto. Alex quase revidou. Porm, no era adepto a bater em mulher, no importavam as circunstncias. Alm disso, nem mesmo esmurrando 
a parede iria suavizar a dor que sentia no corao.
    - Espero que queime no inferno, patife!
    A voz da jovem estava baixa. Cara tremia e, tolo como era, Alex queria pux-la para os braos dele e dizer-lhe... E dizer-lhe o qu? Ela no representava mais 
nada para Alex. Ele tinha sido tomado por ingnuo. Estava tudo acabado.
    Alex viu Cara sair do gabinete e passar pelo homem de terno que a esperava no corredor. Ele lanou-lhe um olhar que significa que, caso tivessem o prazer de 
se reencontrarem, as coisas no terminariam assim to fceis.
    - At qualquer hora - disse Alex.
    O homem sorriu e apontou um dos dedos para ele, como se carregasse uma pistola. Em seguida, andou em direo ao elevador junto com Cara. E, num instante, Cara 
Prescott estava fora da vida de Alexander Knight.
    
    
    CAPTULO DOZE
    
    Havia um ano de diferena entre os trs irmos: Cam, Matt e Alex.
    A me morrera quando os trs ainda eram pequenos. O pai se enterrara no trabalho e s lhes dava ateno quando se metiam em problemas.
    Quando pequenos, testaram a sanidade e a pacincia de inmeras babs e empregadas. Na adolescncia, policiais, professores e outras autoridades constataram a 
imprudncia dos irmos Knight. Os trs eram agressivos at se juntarem s Foras Especiais e, depois, ao Servio Secreto.
    As nicas coisas constantes durante todos esses anos eram o amor e o respeito que sentiam uns pelos outros. Quando meninos, compartilhavam os pensamentos mais 
profundos. J adultos, confiavam, uns aos outros, as prprias vidas.
    Tudo isso explicava o porqu de Cameron e Matthew estarem no bar predileto dos Knight, duas sextas-feiras depois, preparando o que nenhum dos dois poderia chamar 
de uma interveno. No eram adeptos de termos da moda ou relacionados  psicologia. O que queriam era encontrar um jeito de recompor a vida de Alex. Se isso significava 
encurralar o irmo, segur-lo, enquanto lhe diziam que estava desperdiando tempo, ento, assim fariam.
    -  uma intromisso. Temos que admitir - ponderou Matt.
    - Chame do que quiser. No me importo. Temos que fazer alguma coisa - disse Cam, implacvel.
    - Sim, eu sei. No podemos deixar que ele continue como est.
    Cam pediu mais duas cervejas.
    - No, no podemos. Alex est num estado lastimvel! No vai a lugar algum, exceto ao escritrio. Voc tenta conversar, ele diz, "sim", "no", e, em dias bons, 
"talvez".
    Matt aguardava a garonete servir as bebidas. Ento, inclinou-se para a frente e comentou:
    - Mesmo outro dia, quando lhe dissemos que descobrimos a relao entre Shaw e Gennaro... Shaw estava ligado quele patife do contrabandista de drogas na Colmbia...
    Os olhos de Matt ficaram sombrios. Ele desmascarara a transao poucos meses antes.
    - E lhe contamos que Gennaro estava lavando dinheiro para Shaw...
    - Que Shaw fez com que Alex aceitasse esse trabalho na esperana de que ele nos atrairia para essa histria. Ento, os homens de Shaw poderiam acabar conosco...
    - Mesmo quando contamos a Alex tudo isso, ele mal reagiu - lembrou Cam.
    - Mais, Shaw tentou matar Cara, mas parece que o nome dela sumiu do vocabulrio de Alex.
    - Leanna acha que Cara  o motivo pelo qual Alex est reagindo dessa forma.
    - Mia tambm pensa isso - comentou Matt.
    - Bem, as mulheres so boas nessas coisas. E  uma suposio sensata, no? Quando Alex saiu daqui naquela noite, ele estava indo para casa e ia pedi-la em casamento. 
E quando voltamos a v-lo...
    - Dois dias depois.
    - Isso. Perguntei como tinha sido. E Alex me perguntou do que eu estava falando. Ento, perguntei como tinha sido pedir Cara em casamento. E ele me olhou...
    - Sei como foi. Ele me olhou da mesma forma. Aquele olhar me dizia que eu poderia acabar sendo estripado se no tivesse cuidado.
    - Exatamente. Alex disse que eu deveria ter entendido errado, que nunca tivera a inteno de pedir nada a Cara a no ser que sasse da vida dele.
    - E ela deve ter feito isso. Mia disse que Cara no falou com ela a semana toda.
    Cam acenou com a cabea, concordando. Leanna tambm no. O irmo mais velho indagou:
    - Acredita nisso?
    - No.  um absurdo.
    - Exatamente o que eu ia dizer.
    -  hora de o confrontarmos.
    - Eu sei. No podemos deixar isso continuar. Alex parece um zumbi.
    - Um zumbi com atitude.
    - Sim. Cuidado. A vem ele. Nem mais uma palavra.
    - De acordo. Nem mais uma palavra at o momento certo.
    Os irmos ergueram os olhares assim que Alex chegou  mesa.
    - Oi! - cumprimentou Matt, animado.
    - Ei - falou Cam, com a mesma animao.
    - E a, o que me contam? - perguntou Alex. Ento, arregaou uma das mangas da camisa e olhou o relgio, antes de comentar:
    - Vocs disseram que era importante.
    - S pensamos... Sexta  noite... Tomaramos uma cerveja, comeramos algo...
    - E perguntaramos o que deu errado entre voc e Cara.
    Cam fitou Matt, que revirou os olhos em um pedido de desculpas.
    - Tanta espera pelo momento certo, mas qual  a diferena?  uma boa pergunta. Somos seus irmos e merecemos uma resposta - comentou Cam.
    Alex olhou para os dois, riu, virou-se e se dirigiu  porta. Matt e Cam se levantaram, sinalizaram para o barman anotar os gastos na conta deles e foram atrs 
do irmo caula.
    - Fiquem longe de mim - disse Alex.
    - No at que responda  pergunta. Os trs estavam na rua.
    - Parem agora enquanto podem.
    - O que  isso, uma ameaa? Sem problemas, garoto. Quer lutar conosco? V em frente.
    - O que vocs querem?
    - O que ns queremos  ajud-lo a passar pelo que quer que seja que o est matando - respondeu Matt, com calma.
    - Quem disse que algo est me matando? Vocs esto loucos?
    - Estamos preocupados. Por mais que eu deteste admitir isso, amamos voc. Se pensa que vamos deix-lo andar por a como se estivesse sozinho no planeta, voc 
 quem est maluco. Entendeu?
    -  assim que eu pareo?
    - Pior.
    - Cara me deixou.
    Matt e Cam se entreolharam. Ento, os irmos conduziram o caula de volta  mesa no bar.
    
    Uma hora mais tarde, depois de quase esvaziarem toda a garrafa de usque, os trs ainda remoam a mesma histria.
    - Vamos ver se entendemos direito. Voc foi para casa. Havia um homem l - disse Cam.
    - Um enviado de Gennaro.
    - Ele deu a Cara um colar de diamantes e falou que era um sinal do quanto Gennaro a queria de volta...
    - E Cara foi embora com esse homem.
    - Vocs entenderam tudo. Quero outro drinque - disse Alex.
    - Caf - retrucou Matt. Alex bebera demais.
    - s favas, o caf. Quero um drinque.
    - Caf - disse Cam, com firmeza, e ordenou que trouxessem um bule de caf.
    Funcionou. Trinta minutos depois daquela bebida preta, espessa, estavam sbrios.
    - Eu estava to certo de que a conhecia. To certo de como Cara se sentia! Teria apostado a minha vida como ela jamais tinha sido amante de Gennaro. Que inferno! 
Apostei minha vida nisso, em Isla de Palmas. Ento, um indivduo aparece com um colar de diamantes e a compra de volta para o chefe dele.
    - Tem certeza? No h como voc ter compreendido errado? - perguntou Matt.
    -  muito difcil entender errado uma mulher que olha para um colar, depois para voc, e diz "Adeus, foi divertido".
    - Cara no disse isso.
    - Claro que no. Ela disse que podia explicar.
    - E?
    - E acha que eu estava interessado nas mentiras dela? Eu s queria poder lidar com isso de forma diferente.
    - Por exemplo?
    - Eu deveria ter esmagado o rosto daquele homem. Melhor, deveria ter ido at Gennaro e t-lo feito engolir o colar, um diamante por vez, enquanto Cara assistia.
    - Perfeitamente sensato - comentou Cam.
    - Absolutamente. Encerrando um ciclo! - acrescentou Matt.
    - Anotem isso nas agendas, cavalheiros. Intromisso e encerramento de ciclo, tudo em uma noite.
    - Era disso que precisava, Cam, depois que se recuperou do ferimento provocado pelo disparo de uma arma de fogo - disse Alex.
    - Verdade.
    - E voc, Matthew? Lembra de como foi a procura por Mia?
    Todos se lembravam. Tambm se lembravam de que as histrias de Cam e de Matt tiveram um final feliz e essa no teria, mas ser que isso importava? Alex estava 
certo. O conceito de encerrar um ciclo era o que trazia paz de esprito e auto-estima, mesmo quando no produzia um final feliz.
    Alex recostou-se, os olhos pequenos como se estivesse observando algo que somente ele podia ver.
    - A casa de Anthony Gennaro fica fora da cidade de Nova York, na costa de Long Island. Provavelmente, uma fortaleza.
    Matt acenou com a cabea, concordando, e comentou:
    - Assim como a de Hamilton, na Colmbia.
    - Sim, mas h sempre uma fenda.
    - S preciso de quinze minutos. Talvez vinte. Cinco para o velho Gennaro. O resto para Cara - disse Alex.
    - Sem problemas - concordou Matt.
    - No vamos precisar de muito equipamento. Apenas o material de sempre. Roupas pretas. Mscaras. Cordas. Algumas engenhocas eletrnicas... Temos tudo isso no 
escritrio.
    - Quando? - perguntou Cam.
    - Que tal amanh  noite? - sugeriu Alex.
    
    A propriedade de Anthony Gennaro ficava ao longo de uma estrada estreita, margeada por um arvoredo, em Long Island. rvores encobriam o muro de pedra de cerca 
de trs metros que rodeava o terreno e a manso tambm de pedra, em estilo gtico.
    Os irmos Knight imaginaram certo. O lugar estava repleto de dispositivos de segurana. Cmeras. Alarmes silenciosos. Nada diferente do que os trs lidaram antes. 
Ainda assim, a experincia lhes ensinara a trabalhar devagar e com cuidado.
    Todos adoravam isso: o desafio, a presso, o perigo, a adrenalina. Alexander gostava mais ainda. A excitao sempre existira, desde que era menino e entrara 
no escritrio do pai, burlando os dispositivos de segurana que guardavam o cofre...
    Hoje, era tudo isso e mais. Alex s conseguia pensar em Cara. Queria v-la no papel que escolhera: amante do chefe da quadrilha. A mulher que ele pensara amar. 
A mulher que dormira nos braos dele, que sorrira e sussurrara mentiras. No ia deix-la ficar impune. Cara mentira para ele e agora pagaria pela transgresso.
    Vinte minutos e os trs estavam dentro da manso. Tudo escuro. Silncio. Alex encontrou o sistema de alarme interno. Mais dois minutos, e o alarme estava desconectado. 
O lugar agora pertencia aos Knight.
    Os irmos ficaram quietos e escutaram. Casas falam se lhes derem uma chance. Chos rangem. Sistemas de aquecimento gemem. As pessoas tambm fazem barulhos. Tossem, 
roncam, resmungam, rolam na cama.
    Nada fazia barulho ali. Pelo menos, durante os cinco longos minutos que esperaram. Ali, comunicavam-se entre si por gestos. Dividiram-se e checaram a parte detrs 
da casa e as laterais. Depois, se reencontraram no mesmo lugar. Outros gestos e palavras mais suaves que sussurros.
    Encontraram duas pessoas em quartos atrs da cozinha: uma empregada e um jardineiro. Ambos teriam uma boa noite de sono e se perguntariam, de manh, que picadas 
minsculas eram aquelas nos braos deles.
    Alex apontou para as escadas. Cam e Matt acenaram com a cabea, concordando. Em silncio, os trs subiram at o segundo andar e se dividiram.
    Ao voltarem, Cam e Matt indicaram que nada encontraram. Alex foi o ltimo a aparecer. Os irmos o olharam e souberam que o caula achara Cara.
    O rapaz apontou para as escadas. Os irmos tinham que ir. Ele os encontraria l fora. Os dois balanaram as cabeas, em protesto. Alex sabia o que os dois estavam 
pensando. Qualquer coisa podia acontecer.
    Principalmente, se Anthony Gennaro estivesse com Cara. Isso era possvel. Alex no conferira. A ltima coisa que queria era avis-la de que estava ali. Porm, 
o caula era inflexvel e queria resolver o assunto sozinho.
    Depois de um minuto, os irmos acenaram positivamente. Dois rpidos abraos, e foram embora. Alex esperou alguns minutos. Ento, devagar, caminhou at o quarto 
de Cara, abriu a porta e entrou. Ser que Gennaro estava ali? O corao acelerou. Se aquele patife estivesse l, morreria. Sem qualquer hesitao. No havia nada 
de civilizado com relao a Alex agora. Naquela noite, a elegante selvageria que herdara do povo de sua me corria quente no sangue do rapaz.
    O jovem estava em uma sala onde a escurido era quebrada por faixas de luar cor de marfim. Sombras se escondiam nos cantos. O barulho do vento l fora provocava 
uma sensao de desassossego.
    O sono inquieto da mulher que dormia na enorme cama de dossel era uma manifestao disso. Estava sozinha a mulher a quem pensara amar. Essa mulher a quem conhecia 
intimamente.
    O perfume delicado, um aroma de flor-de-lis na primavera. O brilho sedoso do cabelo com mechas douradas, contra a pele. O sabor dos seios, quentes e doces em 
sua boca. O queixo dele se enrijeceu. Oh, sim. Ele a conhecia. Ao menos, era o que pensava.
    Longos momentos se passaram. A mulher murmurava durante o sono e sacudia a cabea, inquieta. Ser que sonhava com ele, como quanto o fizera de tolo?
    Mais uma razo para ter ido l naquela noite. Alex sentia. E a sensao de algo chegando ao fim era o que ele teria quando tomasse aquela mulher naquela cama, 
pela ltima vez. Quando a tomasse, sabendo quem era, que o usara e que tudo o que compartilharam tinha sido uma mentira.
    Ele a acordaria do sonho. Depois, iria despi-la, prender-lhe as mos acima da cabea e certificar-se de que ela o fitaria enquanto a tomava. Queria que Cara 
pudesse ver que aquilo no significava nada para ele, que o sexo era apenas um alvio fsico e nada mais.
    Alex tivera dzias de mulheres antes dela e teria outras dzias depois. Nada com relao a ela, ou o que fizeram um nos braos do outro, era memorvel. Sabia 
disso. Agora, precisava ter certeza de que ela tambm sabia.
    Ele abaixou a cabea. Em seguida, agarrou a ponta da colcha e a descobriu. Ela usava uma camisola, provavelmente, de seda. Gostava de seda, assim como Alex gostava 
de sentir o tecido sob os dedos, a forma como deslizara pela pele dela todas as vezes em que fizeram amor.
    Alex a olhou. Ela era linda. No podia negar. Tinha um corpo magnfico: esguio, maduro, feito para o sexo. Atravs da seda, o rapaz pde ver o formato dos seios, 
redondos como mas, que reagiam ao toque masculino. Bastava Alex abaixar a cabea, tocar a pele delicada com a lngua para que ela emitisse um gemido de prazer.
    O olhar desviou-se at a sombra da feminilidade dela, uma sombra escura visvel atravs da camisola de seda. Alex lembrou-se dos gemidos que ela dava quando 
acariciada e beijada intimamente, quando arqueava o corpo e soluava seu nome.
    Tudo mentira. Nenhuma surpresa. Era uma mulher que gostava de livros e do mundo de fantasia ali apresentados. Mas Alex era um guerreiro, sua sobrevivncia se 
baseava na realidade. Como poderia ter se esquecido disso? Como era possvel ficar to excitado s de v-la? O fato de saber que ainda a queria o deixava com raiva.
    Alex disse a si mesmo que era normal, pura-biologia. A parte A se encaixava na parte B, e a parte A tinha uma mente prpria. E, talvez, fosse esse o motivo para 
que tivesse que fazer isso. Um ltimo encontro, naquela cama. Uma ltima vez para sabore-la, mergulhar por entre aquelas pernas sedosas. E, assim, acabar com a 
ira que guardava dentro de si.
    Agora, Alex pensava, e acariciou-lhe os seios, dizendo:
    - Cara.
    A voz estava tensa. Ela lamuriava-se durante o sono, mas no acordou. Alex voltou a cham-la, tocou-a de novo. Ento, ela abriu os olhos. O rapaz viu quando 
Cara o fitou, aterrorizada.
    Antes que ela pudesse gritar, Alex tirou a mscara preta e deixou que Cara visse o seu rosto.
    - Alex? - sussurrou Cara.
    - Aquele que sempre aparece quando no  bem-vindo.
    - Como entrou?
    - Acha que um sistema de segurana pode me manter afastado?
    Pela primeira vez, Cara percebeu que estava quase nua. Ela ruborizou-se; tentou cobrir-se com a colcha, mas Alex balanou a cabea.
    - No vai precisar disso.
    - Sei que est irritado...
    -  isso o que pensa? - Os lbios de Alex se curvaram em um sorriso que amedrontava todos aqueles com os quais lidara no passado, durante o perodo que agora 
considerava como sua outra vida.
    - Tire essa camisola - disse ele.
    - No! Alex, por favor! Voc no pode...
    O rapaz abaixou a cabea e a beijou, apesar de sua relutncia. Ento, puxou o decote da frgil camisola e a arrancou.
    - Est errada. Posso fazer qualquer coisa esta noite, Cara. E juro que vou fazer.
    Ele voltou a beij-la e Cara comeou a chorar. Alex a deixaria chorar, gritar. Nada o deteria. Tinha ido at ali para pegar o que queria, o que Cara lhe devia. 
Se havia algum que iria abandonar o relacionamento, esse algum era ele.
    Ela parou de lutar. E passou a tremer nos braos dele, soluando o seu nome como se fosse um mantra que pudesse proteg-la.
    - Por favor! Acha que suas lgrimas vo me deter? Acha que sou tolo o bastante para acreditar em mais mentiras?
    - Nunca menti para voc.
    - Claro que mentiu! Deixou que eu pensasse... Deixou que eu acreditasse que voc...
    - Que o amava? Sim. Eu o amava com todo o meu corao.
    - Sim. Certo. Voc me amava tanto que voltou para Gennaro. Ele a comprou com uma quinquilharia - disse Alex, com raiva.
    - No!
    - O que foi que eu lhe disse? Sem mais mentiras!
    As mos dele apertaram os pulsos de Cara. Deus, era tudo o que podia fazer para manter as mos longe do pescoo dela. Alex a odiava por tudo que lhe fizera, 
pelo que o fizera sentir, a forma como brincara com ele, o enredara de modo que chegara a pensar que estava apaixonado... E Alexander Knight se apaixonara. Ele a 
amava. E Cara partira o corao dele.
    - Por que fez isso? - questionou Alex.
    - Tentei explicar. Voc no quis me ouvir.
    - Queria jias? Eu teria lhe comprado todas.
    - Realmente acredita que era isso que eu queria de voc?
    Alex no respondeu. Ser que podia expor ainda mais o prprio corao? Como poderia dizer que acreditara que Cara Prescott queria o amor dele? Que, apesar de 
tudo, ainda a amava? E a amaria sempre?
    Ele praguejou, soltou-a e puxou a coberta para cima. Deveria ter pensado melhor antes de ter ido l. A raiva era uma emoo muito mais satisfatria do que aquela 
mistura amarga de dor e desespero.
    - Alex, se me ouvisse... - sussurrou Cara.
    Os olhos dela brilhavam devido s lgrimas; a boca tremia. E o corao dele disparou. Apenas um beijo, pensou Alex. Ento, abaixou-se e a beijou. Cara suspirou, 
voltou a dizer o nome dele e o abraou.
    No, disse ele a si mesmo, mas era tarde demais. Estava envolvido. Devagar, puxou-a para perto do corao, beijando-a com vontade.
    - Por que me deixou, querida? Por que voltou para Gennaro? No foi por causa daquele maldito colar. Sei que no pode ter sido por isso!
    O segredo de Cara tinha se tornado um peso, conduzindo-a a um caminho sem volta. Ela, ento, respirou fundo e fitou Alex, dizendo:
    - O colar pertencia  minha me. E Anthony Gennaro era meu pai at ontem, quando morreu.
    Cara lhe contou o resto da histria no vo de volta para Dlias. Os dois estavam na parte reservada de um jato que pertencia aos Especialistas em Gerencia-mento 
de Risco.
    Quando ficaram sozinhos, ela contou tudo a Alex. Um dia, um homem aparecera na biblioteca onde ela trabalhava. Apresentara-se como Anthony Gennaro e explicara 
que havia comprado um lote de primeiras edies, de valor incalculvel, em um leilo. Da, precisava de algum para catalogar tudo. Fizera algumas sondagens e Cara 
tinha sido recomendada por ser especialista no perodo do qual datavam os livros. Ser que estaria interessada?
    Interessada? Cara ficara entusiasmada. Checou a informao sobre o leilo e tudo o que Gennaro lhe dissera era verdade. At ento, o nome dele no lhe dizia 
nada. Ela no lia os tablides. E, mesmo que tivesse lido, nunca teria feito a correlao entre o homem bem vestido e de fala mansa, que lhe oferecera uma oportunidade 
nica, e o criminoso violento que os jornais retratavam.
    Viver na casa de um rico colecionador enquanto se catalogava uma coleo de livros ou pinturas no era incomum, e Cara se mudou para a sute que Gennaro providenciara. 
O dono d casa a convidara para fazer as refeies com ele, mas ela se sentia desconfortvel com isso. Na maior parte das vezes, fazia as refeies no prprio quarto. 
Entretanto, Gennaro a via, pois sempre parava na biblioteca para conversar.
    Ele era como uma coruja, dissera. Assim como Cara. E foi em uma dessas longas noites que o mafioso lhe contou a verdade sobre o motivo de a ter procurado.
    Gennaro batera  porta. Ser que podia conversar com ela sobre um assunto pessoal? Cara ficou desconfiada. "Um assunto pessoal" podia significar qualquer coisa. 
Porm, ele tinha sido sempre um cavalheiro. Ento, a jovem concordou em encontr-lo na biblioteca.
    Ele fora direto ao ponto. Disse que era o pai dela. Cara no acreditou e comentou:
    - Meu pai morreu quando eu era beb.
    Ele tinha provas. Uma certido de casamento de Anna Bellini e Anthony Gennaro. Cpia da certido de nascimento. Fotos dela beb, inclusive a cpia de uma foto 
em que aparecia a me segurando a filha, ainda pequena, nos braos.
    Gennaro lhe disse que a me se casara com 18 anos. Ele tinha trinta. Era belo, bem-sucedido, rico. Dissera que trabalhava no ramo de transportes, e Anna acreditara.
    Porm, a me descobriu a verdade. Embora ainda amasse o marido, deu-lhe um ultimato aps o nascimento de Cara:
    - Torne-se um homem de bem, ou vou deix-lo. 
    O marido rira e lhe disse que isso era impossvel.
    Anna falara srio. Assim, foi embora com Cara, trocou de nome e desapareceu.
    Gennaro nunca deixou de procurar pela esposa a quem amava e pela filha que mal conhecera. No achara Anna, mas encontrara Cara dois anos atrs. Ele a observava 
a distncia, tinha muito orgulho dela. E esperara pelo momento certo para lhe contar que era filha dele.
    Cara ouvira toda a histria, mas o corao gelara. Sabia o quanto a vida da me tinha sido difcil. E, no dia seguinte, ficou horrorizada ao fazer uma pesquisa 
com o nome de Anthony Gennaro. O pai era um dos principais criminosos do pas. Ento, arrumou a mala. Gennaro implorou para que ficasse.
    - Eu idolatrava a sua me. Amava voc. Deveria ter feito o que Anna pediu.
    - Sim, deveria - retrucou Cara.
    Gennaro suplicou que a filha o compreendesse. Ele no estava bem. Cara lhe disse que era tarde demais, e o deixou. Foi quando os agentes do FBI vieram v-la.
    - Os homens que diziam ser do FBI - corrigiu Alex.
    - Sim. Ento, voc apareceu e mudou a minha vida. Eu estava to feliz! At aquela noite quando meu pai mandou um de seus empregados.
    - O garoto de recados.
    - Ele me trouxe uma carta. Meu pai escreveu que estava morrendo. Implorou para que eu fosse v-lo. Disse que minha me gostaria que fizssemos as pazes... E 
me mandou os diamantes que ela usara no dia do casamento para me lembrar que eu era filha dos dois.
    - E eu cheguei e coloquei voc para fora de minha vida.
    - No foi culpa sua. Se eu tivesse lhe contado a verdade... Eu queria contar, mas sabia o quanto voc odiava Gennaro. Tive medo que se eu contasse...
    - Cara, eu a amo muito. E sempre vou am-la. Nada poder mudar isso.
    -  bom saber que me ama. Eu o adoro. E vou lhe contar outra coisa. Voc vai ter que fazer de mim uma mulher honesta.
    - Adoro mulheres atrevidas. Pedir um homem em casamento antes... Uma mulher honesta? Quer dizer...
    - Lembra da primeira vez quando fizemos amor? No usamos nada...
    - Est grvida?
    - Sim. No sei como se sente em relao a isso, mas...
    Alex abriu a porta e gritou:
    - Ei!
    Cam e Matt, sentados  frente, olharam.
    - Vou ter um beb!
    Os irmos sorriram e Matt brincou:
    - Ele vai ter um beb!
    - Sozinho? - complementou Cam.
    - Podem rir. Vamos ter um beb, vamos nos casar e comprar aquele terreno perto do de vocs e construir uma casa. O que acham da novidade?
    - Maravilha. Venham at aqui e vamos celebrar - disse Matt.
    Alex sorriu para Cara e comentou:
    - Mais tarde...
    Ento, fechou a porta, tomou Cara nos braos e lhe mostrou o quanto a amava, o quanto sempre a amaria... E a vida gloriosa que teriam juntos.
    
    Fim
    
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